Conta corrente fecha com saldo de apenas US$ 3,5 bi

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


As contas externas tiveram em dezembro de 2007 o pior resultado para o mês desde 2001, ao registrar déficit de US$ 699 milhões. Ainda assim, o dado é menos ruim do que esperava o Banco Central (BC), que projetava um déficit de US$ 1,8 bilhão no mês. Essa conta registra todas as operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior. Com o resultado de dezembro, a conta corrente fechou o ano de 2007 com saldo positivo de apenas US$ 3,55 bilhões, o equivalente a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB).

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


As contas externas tiveram em dezembro de 2007 o pior resultado para o mês desde 2001, ao registrar déficit de US$ 699 milhões. Ainda assim, o dado é menos ruim do que esperava o Banco Central (BC), que projetava um déficit de US$ 1,8 bilhão no mês. Essa conta registra todas as operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior. Com o resultado de dezembro, a conta corrente fechou o ano de 2007 com saldo positivo de apenas US$ 3,55 bilhões, o equivalente a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2006, o superávit foi bem maior: US$ 13,621 bilhões, correspondente a 1,27% do PIB.


A redução de 1 ponto percentual do PIB no saldo em transações correntes em 2007 mostrou uma mudança de perfil nas contas externas brasileiras e pode significar o fim de um período, iniciado em 2003, de vultosos saldos positivos na conta corrente. Essa fase da economia brasileira foi acompanhada de uma constante valorização do real ante o dólar, o que facilitou bastante a tarefa do BC no combate à inflação e permitiu o enorme crescimento das reservas internacionais por meio das compras de moeda estrangeira em mercado. No ano passado, as reservas atingiram a marca de US$ 180,33 bilhões, ante US$ 85,839 bilhões em 2006.


Dólares


As compras de dólares pelo BC em 2007 somaram US$ 78,6 bilhões. “O balanço de pagamentos em 2007 teve uma característica um pouco distinta daquela que a gente vinha observando nos últimos anos, que era de saldos em conta corrente muito elevados e fluxos financeiros não tão elevados assim”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. “Nesse ano (2007), em especial, nós tivemos um dado positivo em transações correntes, mas menor, e fluxos financeiros bastante positivos”, acrescentou.


Para Lopes, a mudança de perfil nas contas externas é natural e reflete a redução nos saldos positivos da balança comercial e o crescimento do déficit na conta de serviços e rendas. Este último foi determinado pelo volume recorde de remessas de lucros e dividendos, que, impulsionadas pelo câmbio valorizado e pela maior lucratividade das empresas, somaram US$ 21,2 bilhões, uma alta de 29,85% ante 2006. O menor saldo negativo da conta de juros, (US$ 7,12 bilhões em 2007 contra US$ 11,31 bilhões em 2006), ajudou a amenizar a piora nas remessas de lucros e dividendos.


Para a economista-chefe do Banco ABN Amro, Zeina Latif, a trajetória de queda nos saldos em conta corrente deve continuar ao longo de 2008. Ela imagina que essa reversão pode ter algum impacto no câmbio, no sentido de desvalorização, mas evita fazer apostas.


Zeina considera que uma recessão nos Estados Unidos pode deteriorar muito as contas externas. Mas ela não trabalha ainda com esse cenário. O ABN prevê um déficit de US$ 4,7 bilhões na conta corrente, projeção menor do que a média do mercado financeiro, que espera déficit de US$ 6 bilhões.


 

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