Compra parcelada já supera 50%

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Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-1


Na esteira do forte crescimento do crédito, as compras parceladas no cartão de crédito explodiram nos últimos meses e já preocupam os bancos. No ano passado, 52% das compras com cartões, que movimentaram R$ 182 bilhões, vieram do parcelado sem juros. Em 2003, eram 42%, segundo estimativas da Itaucard. Em algumas regiões do país, como o Norte, as compras parceladas já respondem por 65% do total. 


Não há estatísticas específicas sobre o parcelado sem juros (ou parcelado lojista, como também é conhecido).

Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-1


Na esteira do forte crescimento do crédito, as compras parceladas no cartão de crédito explodiram nos últimos meses e já preocupam os bancos. No ano passado, 52% das compras com cartões, que movimentaram R$ 182 bilhões, vieram do parcelado sem juros. Em 2003, eram 42%, segundo estimativas da Itaucard. Em algumas regiões do país, como o Norte, as compras parceladas já respondem por 65% do total. 


Não há estatísticas específicas sobre o parcelado sem juros (ou parcelado lojista, como também é conhecido). Números do Banco Central sobre as faturas de cartões em aberto – que incluem as compras à vista pagas em até 40 dias e as compras parceladas pelos lojistas – indicam que o crescimento do estoque foi de 54% no ano passado, para R$ 34,5 bilhões. Em relação a 2005, a alta foi de 85%. 


Nesta modalidade de financiamento, o crédito é concedido diretamente pelo comerciante, normalmente estabelecimentos de maior porte, como lojas de departamento, empresas aéreas e shoppings centers. O banco assume o risco da operação e, em caso de inadimplência, arca com o prejuízo. A loja recebe do banco o valor do bem na proporção do número de parcelas. Ou seja, se vendeu uma televisão em dez vezes, também recebe o valor em dez vezes. 


“O parcelado sem juros tem sido um dos fatores a impulsionar o crescimento do setor de cartões, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, afirma Fernando Chacon, diretor de marketing de cartões da Itaucard. O setor vem crescendo anualmente 20%. 


A outra modalidade de financiamento no cartão é o rotativo. Aqui, o cliente tem a opção de financiar no banco emissor o valor da fatura em parcelas. Os juros costumam ser bem mais altos que em outros financiamentos, por isso, esta modalidade vem registrado crescimento mais modesto. Os dados do BC mostram que o financiamento com juros no cartão (inclui o rotativo e compras parcelas com juros, estas uma minoria) fecharam 2007 em R$ 17,3 bilhões, aumento de 24% – a metade do crescimento do parcelado sem juros. 


O forte crescimento do parcelado sem juros tem preocupado os bancos. “As compras explodiram, saíram do controle”, diz um diretor de uma empresa do setor. Segundo esta fonte, os bancos pressionaram no final de 2007 as duas maiores bandeiras, Visa e MasterCard, para um aumento da remuneração deles nas transações de compras parceladas pelos lojistas. São as bandeiras que definem a remuneração delas e dos bancos emissores em cada transação. 


Com base nesta definição, as empresas que credenciam os estabelecimentos comerciais para aceitarem os cartões (Redecard e Visanet) determinam que taxa será cobrada do lojista – que também vai incluir a remuneração destas empresas. Com a pressão, a MasterCard aumentou a remuneração nestas transações, segundo uma fonte qualificada. Assim, a Redecard reajustou seus preços ao varejo. Prova disso foi o protesto de comerciantes da região Sul há algumas semanas. Apesar de esta medida afetar principalmente estabelecimentos maiores, os protestos foram gerais. A mesma fonte fala que a Visanet fará movimento semelhante a partir de junho.


Em geral, as taxas cobras dos lojistas variam de 1% a 5%. Quanto maior o estabelecimento, menor a taxa. Com o avanço do parcelado sem juros as coisas mudaram. Há quatro tipos de taxas sendo cobradas dos lojistas. Uma menor para o cartão de débito, na casa de 1%, e outra para transações à vista. Há ainda outras duas, mais altas, para compras parceladas que variam conforme a parcela – de duas a seis parcelas há uma taxa e acima de sete a taxa é ainda mais elevada. 


Marcelo Noronha, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), diz que os bancos estão acompanhando com atenção a evolução do parcelado lojista. “Tem crescido bastante, influenciado por fatores como o aumento da massa salarial.” Mas a preocupação, segundo ele, é com o grau de alavancagem das instituições, que têm que respeitar os princípios do Basiléia II, que impõem limites à expansão do crédito. 


Bancos testam alternativas ao parcelado sem juros


Os bancos e as empresas de cartões vêm buscando alternativas ao parcelado sem juros. A Redecard, empresa que credencia estabelecimentos para aceitarem os cartões da MasterCard, está testando em Campinas e Curitiba o parcelado com juros, no qual o banco assume a operação de crédito e o lojista recebe o valor do bem à vista. 


Já o Itaú, em parceria com o grupo Pão de Açúcar, está testando um cartão com limite de crédito mensal menor que o limite total do plástico. Segundo Fernando Chacon, diretor de marketing de cartões do Itaú, a idéia é evitar que os consumidores percam o controle dos gastos. Pesquisas da Itaucard indicam que o maior temor, principalmente na baixa renda, é não conseguir parar de gastar com o cartão. Por isso, os limites do Itaú. 


A Redecard ainda não dá detalhes do produto, em fase de testes. Ele recebeu o nome de “Parcela Mais” e permite financiamento com juros em até 36 vezes. Na prática, seria como uma operação de crédito direto ao consumidor (CDC) via cartão de crédito. Ele é encarado por alguns especialistas como uma opção ao parcelado sem juros, no qual a loja assume o papel de banco ao conceder o crédito. Por mais que a loja diga que não há juros e que o valor parcelado é o mesmo que o pago à vista, sempre há uma taxa embutida na operação. No produto da Redecard, a loja recebe o valor do bem à vista e o banco arca com o financiamento. 


O parcelado sem juros é um produto brasileiro, criado em 1997 para competir com o cheque pré-datado. Alguns países da América Latina passaram a usar esta modalidade de financiamento, como o Chile. Nos Estados Unidos, por exemplo, só há o financiamento da fatura, conhecido aqui como rotativo. 


Em 2006, foram compensados 1,7 bilhão de cheques, enquanto as transações com cartões somaram 2 bilhões. No ano passado, a situação se inverteu. As transações com cartões (2,4 bilhões) superaram pela primeira vez o número de cheques compensados (1,5 bilhão). Os números são estimativas da Itaucard com base em dados do Banco Central. 


Entre os especialistas do setor, comenta-se que o aumento das taxas cobradas das lojas em cada transação seria um movimento restrito à Redecard. Os bancos estão mais preocupados é com o risco de crédito das operações, por isso o monitoramento constante. Em algumas lojas virtuais, como Ponto Frio e Submarino, é possível parcelar uma compra sem juros em 12 vezes. 


As estimativas da Itaucard são de que o setor de cartões de crédito mantenha o fôlego e movimente R$ 216 bilhões este ano, uma expansão de 19%. Por conta do forte movimento do começo do ano, este número pode ser revisto. 


 


 


 


 


 


 


 


 




 




 

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