Commodities sobem e puxam IGP-M para 0,74% em março

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O Estado de São Paulo   Economia: Economia   Página:  B-14


A inflação medida pelo Índice Geral de Preço do Mercado (IGP-M) em março subiu 0,74%, acima do índice de 0,53% apurado em fevereiro. A informação foi divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, a forte elevação nos preços agropecuários (commodities) do atacado foi o fator principal para a alta. A taxa ficou, porém, abaixo do piso das estimativas dos analistas, que esperavam um resultado entre 0,76% e 0,98%.

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A inflação medida pelo Índice Geral de Preço do Mercado (IGP-M) em março subiu 0,74%, acima do índice de 0,53% apurado em fevereiro. A informação foi divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, a forte elevação nos preços agropecuários (commodities) do atacado foi o fator principal para a alta. A taxa ficou, porém, abaixo do piso das estimativas dos analistas, que esperavam um resultado entre 0,76% e 0,98%.


A FGV divulgou também os três indicadores que compõem o IGP-M de março. O IPA (preços no atacado) subiu 0,96% em março, ante 0,64% em fevereiro. O IPC (preços ao consumidor) apresentou avanço de 0,19% em março, ante 0,26% em fevereiro. Já o INCC (custos da construção) registrou aumento de 0,59% em março, ante 0,43% em fevereiro.


Até março, o IGP-M acumula alta de 2,38% no ano e de 9,10% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de março foi do dia 21 de fevereiro a 20 de março.


Dentro do IGP-M, os preços dos produtos agrícolas subiram 1,16% em março, em comparação com a alta de 0,23% em fevereiro. O atual cenário de volatilidade nos preços das commodities no mercado internacional está trazendo uma grande dificuldade para a elaboração de previsão para o comportamento dos índices. A avaliação é de Quadros, que, em entrevista à Agência Estado, preferiu não traçar cenário de curto prazo para os indicadores.


“Se em qualquer pesquisa de intenção de voto a margem de erro fica em torno de 2 ou 3 pontos porcentuais, com o cenário atual das commodities, a margem de erro para uma projeção de IGP-M, por exemplo, está ficando bem acima dos 10 pontos”, brincou Quadros. “No curto prazo, é muito arriscado divulgar a expectativa para os índices. Eles podem acabar vindo muito para baixo ou muito para cima”, complementou.


No fim de fevereiro, quando concedeu entrevista para comentar o IGP-M do mês , que variou 0,53%, Quadros havia afirmado que o processo de desaceleração da alta do índice deveria continuar. O que se viu em março neste mês foi exatamente o contrário, pois o indicador avançou 0,74%. De acordo com Quadros, a forte elevação nos preços agropecuários do atacado pode ser apontada como fator principal para essa mudança inesperada de comportamento do IGP-M.


Para os próximos meses, a expectativa de Quadros para os IGPs é de uma continuidade na pressão dos agrícolas. De acordo com ele, é certo que o preço mais elevado das commodities exercerá algum impacto nos preços do atacado no curto prazo. “A demanda continua forte e está mexendo com os preços, mesmo com a oferta respondendo bem em vários países.”


Indústria


No atacado, os preços dos produtos industriais registraram elevação de 0,88% em março, ante 0,80% em fevereiro.


Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 0,12% em março, em comparação com 0,63% em fevereiro. Os preços dos bens intermediários registraram avanço de 1,06% em março, ante 1,01% em fevereiro. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram alta de 1,80% em março, ante aumento de 0,12% em fevereiro.


Alta da Selic não afeta investimento, diz BC


Uma eventual elevação da taxa Selic não prejudica, necessariamente, os investimentos no País. A avaliação foi feita ontem pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita. Segundo ele, grande parte dos empresários se financia com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que é mais baixa, e uma parte utiliza financiamentos contraídos no exterior.


A explicação foi dada pelo diretor, após apresentação do relatório de inflação do BC, ontem no Rio. De forma geral, economistas e empresários vêm criticando a possibilidade de o BC elevar juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), por causa do aquecimento da demanda doméstica. Segundo eles, juros mais altos inibiriam novos investimentos, necessários para ampliar a oferta.


A Selic está em 11,25%. A TJLP foi mantida em 6,25% pelo Conselho Monetário Nacional esta semana, e é usada, por exemplo, como referência nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Mesquita não fez nenhum prognóstico para a próxima reunião do Copom, em 15 e 16 de abril. Ele comentou que o BC tem indicado que há riscos inflacionários provocados pelo que chama de “descompasso” entre os ritmos do crescimento da demanda interna e da expansão da oferta de bens e serviços.


Segundo o relatório, “elevou-se a probabilidade de que a emergência de pressões inflacionárias inicialmente localizadas represente riscos para a trajetória da inflação doméstica, uma vez que o aquecimento da demanda e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de ofertas setoriais, podem ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor”.


O relatório informa que há “riscos negativos” para os preços livres (formados pelo mercado), que “contrastam com um quadro benigno que ainda se configura para a evolução dos preços administrados”.

 

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