Commodities recuam e IGP-M desacelera na 2ª- prévia de abril

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Gazeta Mercantil    Editoria: Nacional   Página: A-6


A pressão das commodities agrícolas diminui e o peso das minerais deve se elevar na composição do Indice Geral de Preços (IGP-M). Com a redução dos preços de produtos como a soja e do café, a inflação para o consumidor pode começar a desacelerar. Por outro lado, aumenta a influência dos preços dos produtos industrializados, com a alta de matérias-primas como o aço e o petróleo. Esta é a perspectiva traçada pela Tendências Consultoria para os próximos meses.

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A pressão das commodities agrícolas diminui e o peso das minerais deve se elevar na composição do Indice Geral de Preços (IGP-M). Com a redução dos preços de produtos como a soja e do café, a inflação para o consumidor pode começar a desacelerar. Por outro lado, aumenta a influência dos preços dos produtos industrializados, com a alta de matérias-primas como o aço e o petróleo. Esta é a perspectiva traçada pela Tendências Consultoria para os próximos meses.


“Acreditamos que, neste ano, os preços agrícolas tenham variação bem menor que no ano passado. Porém, os preços industriais devem subir com a alta dos minérios”, explica Gian Barbosa, analista da consultoria.


Os números oficiais já demonstram os sinais de recuo. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) desacelerou na segunda prévia de abril e ficou em 0,37%, contra a taxa de 0,78% verificada no mesmo período de cálculo do mês anterior. O levantamento, divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mediu a variação dos preços entre os dias 21 de março e 10 de abril.


Os preços dos produtos no atacado contribuíram para a desaceleração, passando de uma inflação de 1,08% para 0,22%. As principais contribuições para a queda vieram das commodities agrícolas, que ficaram mais baratas (de 2,24% para –1,39%), com destaque para soja em grão (de 4,62% para –9,8%), café em grão (de 4,14% para –8,53%) e laranja (de 4,64% para –8,71%).


Os bens intermediários registraram aceleração nos preços, saindo de 1,04% em março, para 1,57% em abril. O destaque ficou com os suprimentos, cuja taxa subiu de 4,02% para 8,32%. O custo da construção também subiu (de 0,52% para 0,75%), puxado também pela mão-de-obra, que registrou um aumento de custos de 0,62% em abril, contra 0,01% em março.


Já os preços pagos diretamente pelos consumidores continuam sofrendo aceleração, saindo de 0,06% na segunda prévia de março, para 0,63% no mesmo período de abril. A inflação, porém, foi puxada para cima principalmente pela alta de alimentos (de -0,31% para 1,31%), com destaque para hortaliças e legumes (de -1,73% para 6,58%), frutas (de -2,71% para 3,61%), panificados e biscoitos (de 0,88% para 3,65%) e carnes bovinas (de -2,09% para 0,47%).


Das sete classes de despesa que compõem o Índice de Preços ao Consumidor, que faz parte do IGP-M, seis apresentaram acréscimos. Além de alimentação, houve aceleração também em vestuário (de -0,44% para 0,65%), transportes (de 0,02% para 0,38%), habitação (de 0,29% para 0,39%), saúde e cuidados pessoais (de 0,28% para 0,34%) e educação, leitura e recreação (de 0,27% para 0,32%).


No Índice de Preços ao Consumidor, a única classe que registrou desaceleração foi a de despesas diversas (de 0,39% para 0,08%), tendo como exemplo o movimento nos preços da cerveja (de 2,07% para 0,46%).


Os analistas entrevistados pelo Banco Central apostam no aumento dos preços em 2008.


Conforme boletim Focus – publicação semanal do Banco Central elaborada com base em pesquisa feita com analistas de mercado sobre os principais indicadores da economia – a projeção para a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que era de 4,37% em 12 meses, deve subir para 4,71%, no ano.


No ano, também há projeção de alta para o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), para 4,08%, ante 4,03% projetados na semana anterior. Para os 12 meses completados em abril, a projeção passou de 4,05% para 4,14%.


Quanto aos preços administrados foi mantida a expectativa de 3,53% em 2008. Esse indicador diz respeito aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte coletivo).


Para o mercado atacadista, a projeção do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e para o IGP-M, medidos pela FGV, ficou em 6% e em 6,21%, ante 5,81% e 6,02%, respectivamente. Em 12 meses, a expectativas para os dois índices evoluiu de 4,95% para 4,99% e de 4,79% para 4,93%. Os analistas de mercado reduziram de 4,70% para 4,60% a projeção para o crescimento da economia neste ano. A produção industrial deve passar de 5,4% para 5,5%. Os analistas alteraram relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto de 41,50% para 41,45%.  

 


 


 


 

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