Jornal do commercio Editoria: Economia Página: A-4
A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) disparou em março, com alta de 0,78%, quase o dobro em relação à alta de 0,46% apurada em igual prévia em fevereiro. O resultado assustou o mercado financeiro, que esperava uma taxa de, no máximo, 0,68%, e foi pressionado por fortes aumentos de preços no atacado, principalmente em commodities agrícolas, minerais, e produtos siderúrgicos.
Jornal do commercio Editoria: Economia Página: A-4
A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) disparou em março, com alta de 0,78%, quase o dobro em relação à alta de 0,46% apurada em igual prévia em fevereiro. O resultado assustou o mercado financeiro, que esperava uma taxa de, no máximo, 0,68%, e foi pressionado por fortes aumentos de preços no atacado, principalmente em commodities agrícolas, minerais, e produtos siderúrgicos. Esse desempenho também renovou as apostas de que o IGP-M feche, este mês, bem acima do índice de fevereiro (0,53%).
Usado para reajustar preços de aluguel e de energia elétrica, o IGP-M acumula elevações de 2,42% no ano e de 9,15% em 12 meses até a segunda prévia de março, que vai do dia 21 de fevereiro a 10 de março. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a disparada do índice foi provocada basicamente pela inflação no setor atacadista, que quase dobrou (de 0,55% para 1,08%), de fevereiro para março. Houve aumentos de preços mais intensos tanto nos produtos agropecuários (de 0,30% para 1,39%); quanto nos industriais (de 0,64% para 0,96%), no período.
No setor agropecuário, o segmento de commodities liderou os aumentos de preços. O economista da FGV lembrou que, há algum tempo, produtos como soja e trigo estão com os preços em alta, sem dar sinais de arrefecimento. Entre os destaques de alta, estão aumentos de soja (4,62%) e trigo (8,94%). “Esses aumentos nos preços das matérias-primas não são uma questão de solução rápida e automática”, alertou Quadros.
Para a analista da consultoria Tendências, Marcela Prada, a recente aceleração dos IGPs está relacionada à forte elevação dos preços de commodities. “A manutenção dessa tendência de alta dos preços internacionais representa maior risco ao cenário de inflação do ano”, disse Marcela.
Indústria
No setor industrial, os aumentos de preços foram relacionados a produtos ligados à cadeia siderúrgica. Esse setor absorveu o impacto de aumentos de várias matérias-primas, principalmente do minério de ferro – cujo preço, na segunda prévia do IGP-M de março, subiu 13,11%. Isso conduziu a uma aceleração nos preços dos produtos siderúrgicos no atacado (de 0,16% para 1,32%).
Os preços altos na siderurgia não foram sentidos apenas no setor atacadista. Devido ao aço mais caro, os preços na construção civil também registraram leve aceleração (de 0,47% para 0,52%), da segunda prévia de fevereiro para igual prévia em março.
Já no varejo, os preços assumiram trajetória contrária e a intensidade dos aumentos baixou de 0,20% para 0,06%. “O varejo compensou um pouco a aceleração de preços no atacado, principalmente por causa dos alimentos, que tiveram queda de 0,31% na prévia. Mas não compensou tudo”, disse Quadros, lembrando que a segunda prévia acabou por registrar trajetória de preços elevados.
A deflação nos preços dos alimentos no varejo não deve continuar por muito tempo. Isso porque vários itens importantes no cenário agrícola, como os já citados soja e trigo, estão com os preços em aceleração no atacado. Ou seja: em algum momento, essas elevações de preços serão repassadas aos derivados desses itens, como óleo de soja e farinha de trigo.