Comissão acompanhará crise financeira mundial

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Na próxima terça-feira (3), o presidente do Senado Federal, José Sarney, vai instalar a Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira Internacional e da Empregabilidade, criada por ele logo nos primeiros dias depois de eleito. De acordo com a Secretaria Geral da Mesa, a instalação deve ser realizada no Plenário do Senado às 11h. Depois da instalação será definido o cronograma de atividades do colegiado.


O presidente da comissão será o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

Na próxima terça-feira (3), o presidente do Senado Federal, José Sarney, vai instalar a Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira Internacional e da Empregabilidade, criada por ele logo nos primeiros dias depois de eleito. De acordo com a Secretaria Geral da Mesa, a instalação deve ser realizada no Plenário do Senado às 11h. Depois da instalação será definido o cronograma de atividades do colegiado.


O presidente da comissão será o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Além de Dornelles, também vão integrar a comissão os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS), Marco Maciel (DEM-PE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).


A comissão vai monitorar a crise financeira mundial e apresentar sugestões para a manutenção do emprego e dos investimentos no Brasil. Em entrevista à imprensa logo depois de eleito presidente do Senado no dia 2 de fevereiro, Sarney explicou que a comissão permitirá ao Senado “acompanhar permanentemente a crise econômica mundial, oferecendo não só sugestões, como também tentando influir nas decisões e levando essas sugestões ao Poder Executivo. É uma comissão de caráter permanente para acompanhar diariamente a crise internacional”.


ENTENDA O ASSUNTO:


Crise Financeira Mundial

Desencadeada nos EUA, crise espalha-se no mundo globalizado


A crise financeira internacional foi desencadeada nos Estados Unidos, a partir da expansão do mercado imobiliário daquele país, iniciada em 2001, da fartura do crédito e da decisão do Federal Reserve (FED) – o Banco Central americano – de diminuir os juros e incentivar empréstimos financeiros para fazer consumidores e empresas gastarem mais. Esse cenário aumentou a especulação financeira, e consumidores passaram a comprar casas não somente para ter um imóvel, mas também para fazer investimentos, revendendo a moradia a preços mais altos, tudo com dinheiro de empréstimos e crédito de bancos, empresas hipotecárias e financeiras.


Surgiram, então, os chamados subprimes, créditos de alto risco e baixa qualidade, destinados a uma fatia da população com pouco rendimento e situação econômica instável. A única garantia exigida nesses empréstimos seria o próprio imóvel. Tal segmento de crédito era exclusivo dos Estados Unidos. Segundo analistas econômicos, o mercado norte-americano continuava tão empolgado com o aumento do consumo que as instituições financeiras passaram a adquirir das empresas hipotecárias os créditos dos subprimes, chamados de “créditos podres”.


Quando os subprimes mostraram sua cara ao mercado, teve início a crise nos Estados Unidos. Esses clientes não pagaram suas dívidas, prejudicando empresas e instituições financeiras que emprestaram dinheiro e adquiriram os chamados créditos podres, gerando uma bola de neve de falências e concordatas até mesmo de grandes e tradicionais bancos norte-americanos, como o Lehman Brothers.


Em 2006, o preço dos imóveis nos EUA começou a cair e os juros altos afastaram novas possibilidades de crédito, deixando o mercado imobiliário desvalorizado e o crédito escasso. Com esse novo cenário, o dinheiro em circulação nos EUA diminuiu e os bancos, financeiras e empresas hipotecárias começaram a ser vendidos ou anunciar falência. Bancos como Citigroup, UBS e Bear Stearns tiveram perdas bilionárias e duas das maiores empresas hipotecárias dos EUA, a Fannie Mae e a Freddie Mac, foram outras vítimas da crise, já que detinham quase a metade dos US$ 12 trilhões em hipotecas no país.


Antes dessa crise, os créditos originados nos EUA eram convertidos facilmente em ativos que rendiam juros para investidores na Europa e em outras partes do planeta, características do mundo globalizado. Por esse motivo, falências, dívidas, crise de confiança e pessimismo no mercado norte-americano registrados em 2008 influenciaram e atingiram os mercados europeus e de outros países, com maior ou menor intensidade. (Helena Daltro Pontual)


Agência Senado, 27 de fevereiro de 2009.

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