O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-1
As vendas de Natal superaram as expectativas e, na avaliação do comércio, o resultado alcançado é o melhor dos últimos dez anos. A estimativa é que o movimento se mantenha até o fim do mês com as liquidações e troca de presentes, e janeiro inicie com um ritmo de vendas ainda aquecido.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-1
As vendas de Natal superaram as expectativas e, na avaliação do comércio, o resultado alcançado é o melhor dos últimos dez anos. A estimativa é que o movimento se mantenha até o fim do mês com as liquidações e troca de presentes, e janeiro inicie com um ritmo de vendas ainda aquecido.
Para o varejo, a expansão do crédito, a queda dos juros, o alongamento dos prazos, o aumento da massa salarial, além da queda do dólar, que reduziu os preços dos produtos importados, principalmente de eletroeletrônicos, explicam o bom desempenho das vendas.
Os indicadores do movimento de vendas a crédito e à vista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que de 1º a 25 de dezembro, comparado com igual período em 2006, houve crescimento médio de 7,9%. É o maior nos últimos dez anos.
Até o dia 25, as consultas ao Usecheque, indicador das vendas à vista, estavam 8,1% acima de igual período em 2006. As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) apontavam aumento de 7,7% na mesma comparação.
O resultado deste ano, observa o economista Emílio Alfieri, da ACSP, só foi superado pelo de dezembro de 1997, quando os indicadores de vendas mostraram aumento de 32,01% em relação ao ano anterior. Mas eram outros tempos, de crescimento acelerado por influência dos primeiros anos do pós-Real, que possibilitou a recuperação do poder aquisitivo.
As compras de última hora, na avaliação dos economistas da Serasa, impulsionaram as vendas em todo o País. Só no último fim de semana, comparado com o mesmo fim de semana de 2006, as vendas cresceram 9,9%, segundo o Indicador Serasa de Atividade do Comércio. Na cidade de São Paulo, a alta foi maior, com expansão de 12,8%.
“Na véspera do Natal, as vendas ficaram acima do esperado”, diz o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida. No dia 24, o comércio teve vendas 8,5% acima da mesma data em 2006. Na semana de 18 a 24 dezembro, o aumento foi de 5,3%. Mas ele observa que algumas nuvens, como a pressão inflacionária dos alimentos e as incertezas sobre o rumo da economia americana, podem alterar o bom desempenho do varejo nos próximos meses.
“Os shoppings tiveram o melhor resultado dos últimos dez anos, puxado bastante pelo consumidor de baixa renda, que teve acesso a um crediário mais elástico”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun. As vendas, segundo ele, ficaram entre 10% e 12% acima do ano passado.
“A recuperação da renda das famílias e a farta oferta de crédito contribuíram para os resultados”, diz o gerente de marketing do Shopping Ibirapuera, Ricardo Portela.
Segundo Carlos Roberto Santos, gerente de marketing do Shopping Taboão, as vendas devem crescer 20% em relação a 2006. “Tivemos um aumento do público consumidor das classes C e D que, até o Natal anterior, não consumia em nosso shopping.”
Confiança do consumidor é a maior desde 2005
Beneficiada pelo bom momento da economia e pela forte oferta de crédito, a confiança do consumidor disparou em dezembro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 5,2%, ante apenas 1,3% em novembro, atingindo 120,3 pontos numa escala de 0 a 200. Foi o mais elevado nível da série histórica do índice, iniciada em setembro de 2005.
São Paulo, a capital de maior peso no cálculo do ICC, foi o destaque do ano, e puxou a arrancada do índice em 2007, que fechou o ano com alta de 7,7%, ante avanço de 2% em 2006. Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), todas as respostas usadas para cálculo do índice de dezembro apresentaram o melhor nível de toda a série do ICC.
Para cálculo do índice, foi realizado levantamento entre 30 de novembro e 19 de dezembro. Na análise da coordenadora técnica, Viviane Seda Bittencourt, houve explosão de respostas positivas, tanto nas avaliações sobre a situação atual, quanto no futuro.
O ICC é dividido em dois: o Índice de Situação Atual (ISA), que subiu 9,3% em dezembro, ante elevação de 4,3% em novembro; e o Índice de Expectativas (IE), que teve aumento de 3,3% em dezembro, ante queda de 0,2% em novembro. “Nunca o consumidor pensou tanto em gastar”, disse Viviane.
Entre os destaques, está a melhora na avaliação da situação dos gastos das famílias. O porcentual de pesquisados que avaliam como boa a situação financeira familiar subiu de 15,5% em novembro para 21,9% em dezembro. No mesmo período, a parcela dos pesquisados que a classificam como ruim caiu de 14,4% para 12,2%.
Para Viviane, de uma maneira geral, o consumidor já havia sentido, ao longo do ano, as conseqüências benéficas do atual ambiente macroeconômico estável, como melhora no mercado de trabalho, e aumento da massa salarial. “É claro que o resultado de dezembro contou com uma influência sazonal, visto que dezembro as pessoas estão com o 13º (salário) e há o aumento dos empregos temporários (…) Mas é preciso ressaltar que esse mês de dezembro foi melhor do que os dezembros anteriores. Isso acaba com qualquer questão de sazonalidade”, avaliou.
Outro ponto destacado pela economista foi a oferta de crédito. “As pessoas agora não pensam que estão ficando endividadas, e sim que o crédito está ajudando a formar um patrimônio, como comprar um carro, por exemplo.” Entre as faixas de renda que mais puxaram o aumento de confiança do consumidor este ano, estão as mais elevadas, entre R$ 2.100 e R$ 9.600. “As faixas de renda mais baixas não estavam tão otimistas esse ano, porque foram as mais afetadas com a inflação dos alimentos de 2007.” Na análise regional, São Paulo é a cidade com a melhor evolução na confiança do consumidor.
Para 2008, a tendência é de “acomodação”. Na avaliação de Viviane, o nível de confiança do consumidor este ano atingiu níveis extraordinários – tanto que o próprio consumidor não espera um avanço maior nesse cenário no ano que vem.