Comércio tem maior expansão em 7 anos

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Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


O comércio varejista teve, em 2007, o seu melhor desempenho em sete anos: as vendas, em volume, cresceram 9,6%. Foi a mais alta de toda a série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2001.

Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


O comércio varejista teve, em 2007, o seu melhor desempenho em sete anos: as vendas, em volume, cresceram 9,6%. Foi a mais alta de toda a série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2001. Superou ainda a marca de 2004 (9,3%), o recorde até então, e a de 2006, ano que já havia sido bom para o setor (6,2%).


Segundo o IBGE, crédito em alta com prazos maiores e juros mais baixos, renda e emprego em expansão, maior confiança de empresários e consumidores em relação à economia e preços menores em razão do câmbio explicam o desempenho positivo. “É um excelente resultado, que se deve à conjuntura econômica propícia para o crescimento do comércio”, disse Reinaldo Pereira, economista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.


O desempenho, porém, não se repetiu no indicador de dezembro, quando as vendas ficaram estagnadas na comparação livre de influências sazonais com novembro (alta de 1,7%). Em relação a dezembro de 2006, cresceram 9%.


Para Pereira, a perda de fôlego retrata apenas uma acomodação após a forte expansão dos meses anteriores, e não uma mudança de rota do comércio.


Segundo ele, houve antecipação das compras de Natal com o pagamento adiantado do 13º de aposentados e por conta do crédito e das facilidades de pagamento, o que segurou as vendas de dezembro. “As pessoas não esperam mais dezembro. Elas antecipam as compras.”


O consultor do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) Emerson Kapaz também afirmou que o resultado mais fraco refletiu uma antecipação das compras, mas por outro motivo: a espera dos consumidores pelas liquidações de janeiro. Para ele, os primeiros números de janeiro mostram que as promoções asseguraram “um bom crescimento” do comércio no mês. O IDV espera uma expansão das vendas de 7,5% a 8,5% neste ano.


Menos otimista, o economista Carlos Thadeu de Freitas, da CNC (Confederação Nacional do Comércio), prevê um crescimento de 6,5%, “um ótimo resultado” diante da elevada base de comparação do ano passado. Tanto Freitas como Pereira ressaltam que foi mais fácil crescer na casa dos 9% em 2004 em razão da base deprimida de 2003, quando o país atravessava uma recessão.


Os economistas dizem que os fatores que sustentaram o crescimento em 2007 se mantêm agora. Afirmam ainda que a crise externa e a provável recessão dos EUA não devem prejudicar significativamente o setor.


Freitas disse que o crédito deve continuar aquecido, apesar do aumento das taxas. Emprego e renda também tendem a crescer, avalia. Já Kapaz afirmou que a confiança do consumidor permanecerá alta, o que alavanca indiretamente o crédito. “Sem receio de perder o emprego, as pessoas se sentiram tranqüilas para consumir.”


Aliás, o tripé confiança elevada, crédito farto e massa salarial em alta garantiram o forte crescimento das vendas do varejo em 2007 e devem repetir a dose em 2008, segundo Kapaz.

A única incógnita, diz Freitas, é a política monetária. Se o Banco Central aumentar os juros, afirma, pode atrapalhar o comércio, ao frear o crédito com prazos mais longos. Tal cenário, segundo ele, preocupa mais do que a crise externa.


Setores


Lideraram a expansão do varejo os setores de móveis e eletrodomésticos (alta de 15,4%), equipamentos de informática (29,4%) e tecidos, vestuário e calçados (10,7%).


De maior peso, o ramo de super e hipermercados e demais lojas de alimentos cresceu abaixo da média: 6,8%. Sustentado pela alta da renda, o setor, diz Kapaz, teve bom desempenho e foi o que mais contribuiu para o resultado geral, apesar de ficar abaixo da média. O crédito ajudou as áreas de eletrodomésticos, vestuário e informática -este última também beneficiada pelo câmbio, que barateou importados e insumos.


 


 

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