Comércio avalia decisão do Copom de manter Selic

Compartilhe:

A decisão do Banco Central (BC) de manter o juro básico da economia, a taxa Selic, em 8,75% ao ano foi analisada por representantes e entidades do comércio. Para Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e ex-diretor do Banco Central, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) leva a crer que aumentos futuros não estão descartados.

A decisão do Banco Central (BC) de manter o juro básico da economia, a taxa Selic, em 8,75% ao ano foi analisada por representantes e entidades do comércio. Para Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e ex-diretor do Banco Central, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) leva a crer que aumentos futuros não estão descartados. “Com base no texto do Banco Central, a expectativa é de alta da taxa até o fim do ano”, afirma Carlos Thadeu de Freitas.


No comunicado divulgado após a decisão tomada por unanimidade, o BC diz que a decisão de manter a taxa Selic foi tomada após avaliação “da conjuntura macroeconômica e das perspectivas para a inflação”. Carlos Thadeu de Freitas se referiu à informação de que o “comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.


Para o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, em um ambiente inflacionário confortável e diante de sinais de pujança econômica abaixo das expectativas, a decisão do Copom foi tímida. “O comportamento do emprego em dezembro, segundo os números do Ministério do Trabalho, surpreendeu negativamente, enquanto ganha espaço no mercado a previsão de fechamento negativo do PIB 2009. Nessas circunstâncias, manter o custo do crédito elevado irá de encontro ao consumo das famílias, principal agente amortecedor dos efeitos da crise e sintonizado ao crescimento do comércio de bens e serviços”, analisou. Ainda segundo o empresário, a manutenção dos juros também limita investimentos e ainda pesa sobre a questão fiscal, já agravada pela recente expansão dos gastos correntes.


Já a Fecomercio-SP  avalia que a decisão do Banco Central de manter a taxa de juros em 8,75% ao ano é conservadora, uma vez que a economia mostra sinais claros de recuperação mas ao mesmo tempo não há nenhum indício de excesso de demanda ou estrangulamento na capacidade de oferta. Diante deste cenário, a Fecomercio não vê a necessidade de se aumentar a taxa Selic ao longo de 2010.

 

“A entidade não vê motivos para elevação de juros nem mesmo para a expectativa de mercado de elevação futura das atuais taxas. Ao contrário, acreditamos que o país precisa manter o compromisso com o desenvolvimento, emprego e geração de renda, com a redução dos gastos públicos e com taxas mais ousadas dos juros, tanto para a Selic quanto para o consumidor final”, afirma Abram Szajman, presidente da Fecomercio-SP.

 

Na visão de Pedro Ramos, assessor econômico da Fecomércio-RS, apesar de ter sido uma decisão razoável, tendo em vista que a inflação apresenta riscos à estabilidade no curto prazo, o empresariado ainda não se recuperou do ano de 2009 e terá dificuldades para crescer. “A taxa de juros atua diretamente na capacidade de investimento, inibindo a criação de postos de trabalho e o crescimento da renda”, justifica o economista. Segundo Ramos, se o governo federal não estivesse gastando tanto, a condução da política monetária poderia ser mais fácil, pela diminuição da pressão inflacionária. “Se algo deveria frear o crescimento para garantir estabilidade seriam os gastos do governo, e não a atividade do setor privado.”

Leia mais

Rolar para cima