No segundo dia do Congresso Regional do Sicomércio, o chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, alertou os empresários do comércio para evitar a formação de níveis altos de estoques. “Com o crescimento das dívidas das famílias, inflação, crédito mais caro e prazos de empréstimos mais curtos, dólar em alta, teremos vendas menores e crescimento econômico fraco em 2013”.
No segundo dia do Congresso Regional do Sicomércio, o chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, alertou os empresários do comércio para evitar a formação de níveis altos de estoques. “Com o crescimento das dívidas das famílias, inflação, crédito mais caro e prazos de empréstimos mais curtos, dólar em alta, teremos vendas menores e crescimento econômico fraco em 2013”.
Segundo o economista e ex-diretor do Banco Central, a evolução favorável do mercado de trabalho, embora em ritmo mais lento, é que ainda pode continuar impulsionando crescimento das vendas do varejo. Por outro lado, a mudança do perfil de endividamento das famílias e a reversão da política monetária devem reduzir o ritmo de crescimento da demanda de crédito para o consumo em relação aos últimos anos.
Carlos Thadeu informou que a deterioração das expectativas inflacionárias já promovem ajustes na curva de juros futuros e podem impactar negativamente no mercado de crédito. “A inflação é a maior preocupação no curto prazo, assim como a alta do dólar, que já mudou de patamar”.
China e Estados Unidos
Como reflexo do cenário externo, Carlos Thadeu citou o menor crescimento da China, grande importador de commodities brasileiras, e os efeitos de uma possível alta dos juros nos Estados Unidos devido à recuperação da economia americana, o que pode estimular o dólar a voltar a apresentar uma trajetória de valorização. “Após anos de juros baixos, os Estados Unidos devem rever sua política monetária, gerando instabilidade nas moedas de alguns países, como o real no Brasil”.
Para o economista-chefe da CNC, alguns fatores internos também atuam na direção de um Real mais desvalorizado em relação ao dólar: crescimento do déficit nas transações correntes e perspectiva de menor crescimento econômico. O crescimento do PIB não deve passar de 2,2%, informou. Devido a necessidade de recursos externos para cobrir o déficit externo, o cambio se torna uma das principais preocupações para o crescimento econômico no curto prazo, devido a mudança recente do cenário internacional. Entretanto, contamos com um nível confortável de reservas internacionais, o que minimiza esse risco.
Alguns indicadores do novo quadro internacional
Dólar – Com a perspectiva de redução dos intensos estímulos monetários dos Estados Unidos, devido à recuperação de sua economia o dólar volta a apresentar uma trajetória de valorização;
China – A economia da China passa a apresentar um crescimento mais moderado e essa perspectiva tem impactado nas cotações de commodities e, por consequência, nos termos de troca da balança comercial brasileira;
Real – Alguns fatores internos também atuam na direção de um Real mais desvalorizado, como o crescimento do déficit nas transações correntes e perspectiva de menor crescimento econômico;
Mudança na percepção de risco dos investidores – Maiores retornos no mercado norte-americano expõe vulnerabilidade externa dos mercados emergentes, assim como as perspectivas de menor crescimento econômico nesses países.
Cenário de longo prazo para o Brasil
Para o Chefe da Divisão Econômica da CNC, a principal restrição ao crescimento econômico sustentável da economia brasileira é a escassez de poupança interna, que leva a um baixo nível de investimento, a baixa produtividade do trabalho num ambiente de baixo desemprego. Para o economista, as condições favoráveis da dívida brasileira diminuíram seu prêmio de risco e colocam o país em uma rota sustentável de crescimento econômico, cujo ritmo vai depender do cenário externo.
Apesar do bônus fiscal atual, o ajuste dos desequilíbrios passa pela sustentabilidade das finanças públicas, que também atuaria sobre as expectativas inflacionárias.