Cesta básica tem alta de até 24,38% em 2007

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O Estado de São Paulo   Editoria: Economia  Página: B-8 


A cesta básica encerrou o ano de 2007 com alta acima do reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,9% em 2007.


A cesta básica paulistana se manteve como a mais cara do País pelo segundo mês consecutivo e em dezembro passou a valer R$ 214,63.

O Estado de São Paulo   Editoria: Economia  Página: B-8 


A cesta básica encerrou o ano de 2007 com alta acima do reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,9% em 2007.


A cesta básica paulistana se manteve como a mais cara do País pelo segundo mês consecutivo e em dezembro passou a valer R$ 214,63. Em seguida, as cestas básicas com preços mais altos no País são as de Porto Alegre (R$ 212,92) e Belo Horizonte (R$ 204,80). As mais baratas foram encontradas em João Pessoa (R$ 155,09) e Recife (R$ 155,41).


Considerando a média das 16 capitais brasileiras pesquisadas, o brasileiro que ganha um salário mínimo precisou trabalhar em dezembro 106 horas e 9 minutos para adquirir uma cesta básica, 5 horas a mais do que em novembro e 8 horas a mais do que o necessário em dezembro do ano passado, de acordo com cálculo do Dieese. No ano, a jornada só é inferior à de março, quando foi necessário trabalhar 106 horas e 36 minutos para comprar uma cesta básica.


Segundo cálculo do Dieese, com base no valor da cesta básica paulistana, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.803,11 em dezembro para suprir todas as despesas de um trabalhador e sua família relativas a alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, como estabelece a Constituição. O valor é 4,75 vezes maior que o atual mínimo (R$ 380) e quase R$ 80 mais caro que o necessário em novembro (R$ 1.726,24).


Além de Curitiba, apenas em quatro capitais os aumentos anuais foram inferiores a 15%: Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio (13,46%) e Porto Alegre (14,33%). Em outras duas, além de Aracaju, o preço da cesta básica aumentou mais de 20% em um ano: Goiânia (24,21%) e Belém (20,90%).


Em dezembro, o preço da cesta básica recuou apenas no Rio, com queda de 0,24%. No mês, a alta foi puxada principalmente pelo feijão, que subiu em todas as capitais brasileiras no mês e variou entre 5,99%, em Brasília, e 69,45%, em Belém, e a carne, com pico de 15,92% em Belo Horizonte e queda somente em Natal (0,81%).


Pressão dos Alimentos  


O comportamento dos itens alimentícios essenciais foi predominantemente de alta em 2007, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica realizada pelo Dieese. Carne, leite, feijão, café e óleo de soja subiram em todas as 16 capitais pesquisadas, mas devem recuar ao longo deste ano. Batata e farinha de trigo também tiveram preços elevados em todas as capitais do Centro-Sul – localidades onde são considerados itens essenciais. Já no caso do açúcar e do tomate houve queda generalizada de preços neste ano.


Em 2007, o feijão foi o grande vilão da cesta básica, principalmente por causa das secas de julho e agosto, época em que a terceira safra é colhida. A produção destes meses foi praticamente perdida. A estiagem predominou até outubro e deve adiar em dois meses a colheita da principal safra do feijão, que costuma ser semeada em setembro e colhida em dezembro e fevereiro, conforme a região. De acordo com o Dieese, a partir da colheita dessa safra, os preços devem cair, até porque os altos preços incentivaram o crescimento do plantio. O feijão da variedade cores subiu 222,84% em Natal, 214,25% em Fortaleza e 199,04% em Goiânia. Já os preços do feijão preto aumentaram 66,02% em Vitória e 41,09% no Rio de Janeiro.


A carne bovina também teve alta expressiva neste ano, de 12,11%, em João Pessoa, a 36,64%, em Belém. Além da seca, a crescente demanda internacional contribuiu para a elevar o preço do produto.


 


 

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