CBratur: iniciativas para fazer da Copa de 2014 um evento “turisticamente sustentável”

Compartilhe:

A criação da chamada “marca Brasil”, com o fortalecimento da imagem do País no exterior, de forma a alavancar o desenvolvimento da atividade turística para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, e a preocupação com o legado que este evento deixará para o País no futuro foram a tônica dos debates entre ministros, senadores, deputados, empresários e representantes de entidades de classe ligadas à atividade turística que participaram da 11ª edição do Congresso Brasileiro da Atividade (CBratur), realizada no dia 25 de novembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília.



A “janel

A criação da chamada “marca Brasil”, com o fortalecimento da imagem do País no exterior, de forma a alavancar o desenvolvimento da atividade turística para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, e a preocupação com o legado que este evento deixará para o País no futuro foram a tônica dos debates entre ministros, senadores, deputados, empresários e representantes de entidades de classe ligadas à atividade turística que participaram da 11ª edição do Congresso Brasileiro da Atividade (CBratur), realizada no dia 25 de novembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília.



A “janela de oportunidades” para o turismo nacional foi ressaltada pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, para quem a Copa, com seus 30 bilhões de expectadores em todo o mundo, difundirá nossos destinos turísticos e diversidades culturais. “O Brasil dará um salto após 2014. A Copa representará um incremento na geração de empregos, no fortalecimento da economia e na melhora da infraestrutura, mas, sobretudo, será a grande oportunidade para o crescimento do Brasil”, afirmou.



Para o presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, Neuto de Conto, a atividade turística nacional está diante de um divisor de águas desde que a Fifa elegeu o Brasil para sediar, em 2014, a sua principal competição de âmbito mundial. Para ele, que acredita que a Copa do Brasil será “a maior de todos os tempos”, os frutos advindos deste evento beneficiarão não apenas o setor turístico, mas todo o País. Mas o senador faz um alerta: “O momento é de reflexão quanto às responsabilidades e ao comprometimento de todos os envolvidos com a realização deste evento’, afirmou, defendendo, ainda, a idéia de levar ao mundo uma “Copa limpa”, com um rigoroso controle da emissão de gases e uso de combustível biodegradável, por exemplo.



O trabalho da CNC como representante patronal do setor de turismo foi ressaltado em discurso por diversos parlamentares, durante a abertura do segundo dia do Congresso. O presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Afonso Hamm, elogiou o trabalho desenvolvido pelo SESC e pelo Senac em todo o território nacional, afirmando que as duas entidades podem servir de referência nas áreas de recepção e preparação profissional de trabalhadores. A opinião foi compartilhada pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, que classificou o Sistema CNC-SESC-SENAC como uma referência nacional, principalmente pelo trabalho de fortalecimento do esporte no Brasil. O presidente da Frente Parlamentar de Turismo, deputado Alex Canziani, fez um agradecimento especial ao presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, tido como “um grande parceiro” do trabalho da Frente e das Comissões de Turismo da Câmara e do Senado.





A imagem do Brasil no exterior



O presidente da Chias Marketing, Josef Chias, responsável pelo plano de marketing e turismo da Espanha durante as Olimpíadas de Barcelona, foi um dos palestrantes do primeiro painel do Cbratur, sobre o tema A imagem do Brasil na Copa 2014: Copa Verde?. Ele ressaltou a importância da criação de uma marca que seja do País, e não de governos. “Tanto a Copa quanto os governantes passam; o Brasil ficará. Um país de sucesso é aquele que mantém suas políticas independente das mudanças de governo”, disse, afirmando não ter dúvidas quanto à nossa competência para fazer realizar um evento de sucesso.



O vice-presidente do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Eraldo Alves da Cruz, também defendeu a necessidade de solidificação da marca Brasil no exterior, citando uma pesquisa internacional que revelou que 24% das pessoas reconhecem a bandeira brasileira como símbolo do Brasil, motivo pelo qual, afirma o Cruz, é preciso extrair deste símbolo o “mundo verde” que ela representa. “Não estamos simples e unicamente preparando um país para um evento mundial de futebol, mas lançando um país para o futuro. Temos que estar preparados para receber um grande fluxo de turistas após a Copa – talvez não nos mesmos níveis europeus, visto que a distância entre os continentes pode ser um fator limitador, mas pelo menos nos altos níveis registrados, por exemplo, pelo México”, afirmou.



O ministro do Turismo, Luiz Barretto, que na parte da manhã reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não pôde participar do início do Congresso, anunciou o lançamento de um site com todas as ações que estão sendo tomadas pela pasta de Turismo para preparar o Brasil para a Copa de 2014. “Temos vários gargalos que impedem o pleno desenvolvimento do turismo para serem superados, mas temos também todas as condições de superá-los, e, para isto, contamos com o trade privado e temos certeza de que entidades como a CNC irão nos ajudar”, disse.





Copa limpa e obras de infraestrutura



O segundo painel do XI Cbratur tratou dos projetos de Lei prioritários para 2010, com destaque para os de sustentabilidade ecológica, como o que propõe a substituição do combustível utilizado pelos ônibus coletivos nas 12 cidades que serão sede de jogos. A proposta, cujas vantagens foram apresentadas pelo senador Gilberto Goellner, propõe a utilização de óleo vegetal refinado, proveniente dos óleos de soja, girassol, palma e pinhão manso, em vez de álcool ou gasolina. A iniciativa já é adotada na Alemanha e reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera.



A necessidade de investimentos no setor aeroportuário foi levantada pelo deputado Sílvio turismo no Brasil. Ele afirmou que o Brasil tem diante de si um grande desafio: o de cumprir os encargos necessários para viabilizar a realização do maior evento de futebol do mundo. Ele lembrou ainda do PL 439, que estabelece normas para o financiamento e a fiscalização das obras que serão realizadas pelo governo para o evento. A infraestrutura portuária foi abordada pelo vice-presidente executivo da Abremar, André Pousada. Ele defendeu melhorias tanto para atracação de navios quanto para recepção dos passageiros; diminuição das taxas impostas ao setor (que não diferencia navios cargueiros de embarcações com passageiros); e flexibilização dos vistos para tripulação e passageiros”, concluiu ele. A facilitação da emissão de vistos para a entrada no país, um tema há tempos debatido no Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), também foi citada pelo diretor de Relações Parlamentares da ABAV nacional, João Quirino Junior, que pediu a colaboração dos parlamentares para agilizar a apreciação do projeto sobre o tema, que tramita no Congresso. O deputado Arnon Bezerra, da Comissão de Turismo e Desporto, citou os impedimentos para a aprovação imediata do projeto de flexibilização dos vistos, que esbarram em uma questão de segurança imposta pelo Itamaraty, além da política de reciprocidade adotada pelo órgão. “O trade turístico tem nos cobrado a votação deste projeto de lei e temos certeza de que encontraremos uma solução que beneficie o Brasil”, disse.





Rede de proteção social



O projeto Turismo Sustentável e Infância (TSI), do Ministério do Turismo, que tem como objetivo o enfrentamento da exploração sexual no turismo, uma conduta rechaçada pelo código de ética que rege a atividade e os profissionais do setor. A professora Iara Brasileiro, membro do Centro de Excelência em Turismo da UnB e integrante do projeto, viajou por todo o País para sensibilizar o trade turístico para a importância de abraçar a proposta do Ministério de conscientizar a população de que as crianças e os jovens são patrimônio brasileiro. “Esta campanha não pode ter como foco apenas a Copa, em 2014. É um trabalho que deve ser permanente”, disse. A deputada Thelma de Oliveira, da Comissão de Turismo e Desporto, também defendeu a necessidade de proteção para crianças, adolescentes e mulheres. “A prostituição tem suas consequências na elevação dos índices de doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas, e o governo precisa começar a trabalhar imediatamente nessas questões”, afirmou. A opinião é compartilhada pela deputada Lídice da Mata, que ressaltou o fato de que a questão da prostituição já foi apontada como um dos grandes pontos negativos para a imagem do Brasil.





Copa e investimentos públicos e privados



O último painel do CBratur foi focado na necessidade de investimentos públicos e privados para a realização da Copa de 2014. O secretário nacional de Futebol, Alcino Rocha, apresentou números disponibilizados pela Fifa, todos relacionados à Copa da Alemanha, para dar a dimensão do que representa um evento como este em termos de exposição mundial. Segundo ele, a Copa possui cerca de 30 bilhões de espectadores no mundo, que acompanham o evento por meio de 500 redes de TV e 19 mil profissionais de mídia de 204 países. Segundo a Fifa, a Copa da Alemanha gerou o ingresso de cerca de R$ 5,5 bilhões na economia do país.



Para o vice-presidente do Conselho de Turismo da CNC, Eraldo Alves da Cruz, a questão dos investimentos é, sem dúvida, a principal preocupação do trade turístico quando se fala na Copa do Mundo do Brasil. Para ele, é preciso investir em empreendimentos autosustentáveis, que tenham utilidade após a Copa. Como exemplo, ele cita a utilização de arenas multiuso por escolas. Eraldo também endossou a necessidade de investimentos em aeroportos. “Os aeroportos brasileiros já estão superlotados, e é preciso pensar em projetos para solucionar este problema. Mas um país como o Brasil já deveria estar preocupado com a sua rede aeroportuária para o período após o mundial de 2014. Às vezes, estamos nos preocupando com a criação de novos terminais quando podíamos investir, por exemplo, em trens-bala para ligar cidades próximas”, disse. Eraldo ganhou o apoio do diretor do Fórum dos Operadores Hoteleiros (FOHB), Roberto Rotter, na necessidade de investimentos em empreendimentos autosustentáveis: “Precisamos pensar no pós-Copa”.



O presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, Neuto de Conto, encerrou a 11ª edição do Congresso Brasileiro da Atividade Turística afirmando que os assuntos abordados pelo CBratur servirão como alicerce para o trabalho que será realizado pelo Parlamento até a realização da Copa, em 2014.

Leia mais

Rolar para cima