BNDES desembolsa valor recorde de R$ 65 bi em 2007

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Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 64,89 bilhões no ano passado. O resultado recorde representa um aumento de 24% na comparação com os dados de 2006.

Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 64,89 bilhões no ano passado. O resultado recorde representa um aumento de 24% na comparação com os dados de 2006. O desempenho do banco foi impulsionado pelo crescimento dos pedidos de financiamento para projetos em infra-estrutura.


O presidente do banco, Luciano Coutinho, classificou o desempenho como uma confirmação da performance positiva da economia e da demanda firme por investimentos.


Segundo Coutinho, o orçamento para este ano deverá ser da ordem de R$ 80 bilhões. Em 2007, o resultado do banco ficou muito próximo ao teto do orçamento, de R$ 65 bilhões.


Os dados divulgados ontem mostram que o banco deverá emprestar mais em 2008. Os projetos aprovados em 2007 somaram R$ 98,8 bilhões, alta de 33% em relação a 2006.


Normalmente, os recursos aprovados para grandes projetos são liberados em etapas. As consultas, que sinalizam o interesse do empresariado em novos investimentos, cresceram 20% e foram a R$ 126,8 bilhões.


O banco já está planejando aumentar o “funding” para empréstimos em 2009. O banco ainda precisa de R$ 15 bilhões para atender os pedidos para este ano. Segundo Coutinho, esse valor deverá ser equacionado por uma série de medidas. “O banco tem uma carteira de renda variável enorme, deverá haver uma combinação de várias fontes”, disse.


O principal destaque em relação aos anos anteriores foi o crescimento dos desembolsos para a infra-estrutura, que somaram R$ 25,633 bilhões, com alta de 62% em relação a 2006. As obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) contribuíram para a alta de empréstimos para esse setor.


As aprovações para infra-estrutura somaram R$ 45,651 bilhões, com alta de 104%. Os principais projetos aprovados nessa área foram o Gasene (Gasoduto Nordeste-Sudeste), com R$ 4 bilhões, o gasoduto Urucu-Manaus, com R$ 2,5 bilhões, e a expansão da rede da Telefônica (R$ 2 bilhões).


Outro fator de destaque foi o crescimento das aprovações para o setor de energia elétrica, com alta de 207% e um total de R$ 12,8 bilhões.


Os principais projetos aprovados foram a usina hidrelétrica de Estreito, com R$ 2,7 bilhões, a hidrelétrica Foz do Chapecó (R$ 1,6 bilhão) e a usina Simplício (R$ 1 bilhão). As três usinas estão incluídas no PAC e fazem parte de uma carteira de 183 projetos do programa que estão sendo avaliados pelo banco. Em 2007, o BNDES emprestou R$ 5 bilhões para investimentos do PAC. Os 183 projetos representam financiamentos de R$ 65,6 bilhões.


“A carteira de energia elétrica vai apresentar um grande salto em 2008”, afirmou Coutinho, que citou as usinas de Santo Antônio e Jirau como os potenciais novos empréstimos.


Indústria


Os desembolsos do banco para a indústria tiveram queda de 2% e somaram R$ 26,446 bilhões. Para Coutinho, a queda pode ser justificada pela redução do financiamento à exportação em 2007, especialmente à exportação de veículos.


Para o banco, o sinal de que a demanda por investimentos no setor industrial continua aquecida é a alta de 59% nas liberações de recursos para a compra de máquinas e equipamentos por meio da linha Finame.


As aprovações para a indústria no geral tiveram queda de 3% e somaram R$ 38,2 bilhões. Os principais projetos aprovados foram para a MMX, com R$ 2,3 bilhões (infra-estrutura para exploração de minério de ferro em MG, construção de terminal portuário em São João da Barra e mineroduto), e a aquisição de equipamentos da CSA (R$ 1,5 bilhão), além do financiamento ao estaleiro Atlântico Sul para a construção de dez navios (R$ 1,3 bilhão).


Os empréstimos do banco continuaram concentrados na região Sudeste, responsável por 58% dos recursos, com R$ 37,581 bilhões. Em compensação, os empréstimos para a região Norte cresceram 113% e somaram R$ 3,461 bilhões.


Para empresários, banco precisa reduzir prazo de aprovação e liberação do crédito


Os valores recordes de desembolso do BNDES, de R$ 64,9 bilhões, e de projetos aprovados, de R$ 98,8 bilhões, no ano passado, foram bem recebidos por representantes de indústrias. Para eles, o país precisa de investimentos, principalmente em infra-estrutura, para dar conta do crescimento.


Afirmam, porém, que o BNDES tem desafios a enfrentar, como diminuir a distância entre a aprovação dos projetos e a liberação dos recursos e ainda dar atenção às médias empresas.


“O banco passou a ser alavancador de projetos de infra-estrutura no país. E esses desembolsos são resultados de projetos aprovados um, dois ou três anos atrás. A tarefa agora é ter uma agenda permanente para discutir a diminuição dos prazos entre aprovações e desembolsos”, diz Paulo Godoy, presidente da Abdib, associação da indústria de infra-estrutura.


Para Carlos Nogueira, diretor de financiamento da Abimaq, associação da indústria de máquinas, “é positivo que o BNDES libere mais recursos para financiar o crescimento do país”.


“Só quero lembrar que algumas empresas enfrentaram problemas no último trimestre de 2007 para receber os recursos. Será que o BNDES vai poder financiar a continuidade do crescimento do país?”


André Rebelo, gerente do Departamento de Economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), diz que os empresários paulistas receberam bem os dados sobre desembolsos do BNDES. “Há esforço para financiar investimentos em infra-estrutura.


Só que a estrutura do banco está montada para cuidar mais de grandes projetos”, diz.

Julio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), critica o fato de ter havido queda na liberação de recursos para a indústria. Em 2007, o BNDES liberou R$ 26,446 bilhões para as indústrias, 2% menos do que em 2006.


“Está faltando política industrial no Brasil.”


Para Marcelo Nonnenberg, coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), “os números do banco não são uma boa aproximação do investimento total, que cresceu muito em 2007 com a compra de equipamentos.” Na avaliação de Lourival Kiçula, presidente da Eletros, associação que reúne a indústria eletroeletrônica, “o crescimento nos desembolsos do BNDES é muito positivo”


 


 


 


 


 

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