BC: crédito crescerá em ritmo mais lento este ano

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Jornal do Commercio   Editoria: Economia   Página: A-3


A expansão do crédito no mercado este ano será em ritmo mais lento do que no ano passado, previu ontem o Banco Central (BC). Apesar de considerar que o total dos empréstimos poderá crescer este ano entre 20% e 25%, contra a expansão de 27,3% observada no ano passado, o BC avalia que pelo menos três fatores estarão inibindo a ampliação dos empréstimos este ano: a crise internacional, o aumento dos custos dos financiamentos e um menor espaço para a redução das taxas de juros cobrada pelos bancos.

Jornal do Commercio   Editoria: Economia   Página: A-3


A expansão do crédito no mercado este ano será em ritmo mais lento do que no ano passado, previu ontem o Banco Central (BC). Apesar de considerar que o total dos empréstimos poderá crescer este ano entre 20% e 25%, contra a expansão de 27,3% observada no ano passado, o BC avalia que pelo menos três fatores estarão inibindo a ampliação dos empréstimos este ano: a crise internacional, o aumento dos custos dos financiamentos e um menor espaço para a redução das taxas de juros cobrada pelos bancos. Este cenário é reforçado pelo aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), adotado pelo governo, no início do ano, para compensar, em parte, a perda de arrecadação com a extinção da CPMF.


No ano passado, com o juro mais baixo e a melhora dos indicadores de renda e emprego, o total das operações de crédito aumentou 27,3%, e atingiu R$ 932,311 bilhões. O montante equivale a 34,7% do Produto Interno Bruto (PIB), maior proporção desde maio de 1995, segundo dados divulgados ontem pelo BC. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, avaliza esse cenário de maior cautela dos bancos na concessão dos empréstimos e confirma um prognóstico pouco otimista para o comportamento do crédito nos próximos meses.


Lopes considera, inclusive, que há “pouca margem” para a redução do spread bancário, que é a diferença entre o custo que o banco paga para captar dinheiro no mercado e o quanto ele cobra para emprestá-lo a seus clientes. No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez campanha contra os altos spreads cobrados pelas instituições financeiras, e incitou os bancos oficiais a trabalharem com taxas mais baixas. “O espaço para a redução dos juros está menor, principalmente nos empréstimos para as pessoas físicas”, admitiu Lopes ao lembrar que essa retração deverá ocorrer após 11 quedas seguidas do juro médio praticado nos empréstimos.


O chefe do Depec comentou, ainda, que o aumento das alíquotas do IOF afetarão as operações com pessoas físicas. “Nesses empréstimos, o IOF maior reduz o espaço para a redução dos spreads”, explicou. Para Lopes, os custos dos empréstimos não devem cair até que a situação internacional se resolva.


Essa também é a avaliação do professor de finanças do Ibmec, Carlos Fagundes. “Com as preocupações com a inflação no Brasil e a crise nos EUA, quem tem dinheiro cobra caro para emprestar porque o cenário está bem mais incerto. É normal que, em algum momento, esse custo seja repassado para os clientes”, disse. Fagundes pondera, porém, que o juro ao consumidor e empresas poderia continuar em trajetória de queda se houvesse redução do spread bancário (diferença entre taxa de captação e empréstimo).


O vice-presidente da Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), José Arthur Assunção, destaca ainda o impacto desse quadro no volume de empréstimos. “Boa parte da expansão no ano passado foi sustentada pelo juro menor. E se a taxa deixar de cair em 2008, haverá um atrativo a menos para o aumento da carteira”, disse.


Balanço


O cenário que se desenha para 2008 é bastante diferente do observado em 2007. No ano passado, o juro caiu por 11 meses seguidos – de janeiro a dezembro. Na média, a taxa recuou 0,9 ponto, para 33,8%, a menor da série histórica iniciada em junho de 2000. Nas operações para as empresas, o juro cedeu 0,4 ponto, para 22,9%, também menor desde 2000.


Para as pessoas físicas, a queda foi maior, de 0,90 ponto, para 33,8%. Nesse caso, menor patamar desde o início do real, em julho de 1994. Entre as diversas linhas operadas pelos bancos, a que apresentou a expansão mais vigorosa foi o crédito para pessoas físicas, que aumentou 33% e atingiu R$ 313,620 bilhões. Os empréstimos para as indústrias aumentaram 29,8%, para R$ 213,577 bilhões, e os financiamentos habitacionais tiveram expansão de 25,7%, para R$ 44,846 bilhões.


 




 


 

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