BC acelera corte e reduz juro básico para 12%

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O Globo  Editoria: Economia  Página: 33


O Banco Central (BC) decidiu acelerar o ritmo de corte da taxa básica de juros. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou que reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano, teto estabelecido pela Constituição de 1988, mas nunca antes atingido. Nos três encontros anteriores, o BC havia optado pelo corte de 0,25 ponto percentual.

O Globo  Editoria: Economia  Página: 33


O Banco Central (BC) decidiu acelerar o ritmo de corte da taxa básica de juros. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou que reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano, teto estabelecido pela Constituição de 1988, mas nunca antes atingido. Nos três encontros anteriores, o BC havia optado pelo corte de 0,25 ponto percentual. A decisão, no entanto, novamente não foi unânime, com cinco diretores a favor da redução maior e dois pelo corte de 0,25 ponto percentual. 


 Se o BC não tivesse reduzido assim, havia o risco de a meta de inflação estourar para baixo – disse o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz.


Ele se referiu à meta de inflação para este ano, de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, com piso de 2,5%. O relatório Focus do próprio BC desta semana mostrou que o mercado calcula que o índice fechará o ano em 3,5%, percentual que vem sendo caindo a cada semana. O câmbio abaixo dos R$2 é o principal pilar para esse movimento e, para boa parte do mercado, não há motivos para mudanças a curto prazo. O país continua recebendo muitos dólares, sobretudo pela balança comercial.



Valorização do real ajuda no controle da inflação


Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a desvalorização do dólar foi determinante na decisão.


O real valorizado tem sido benéfico ao controle da inflação porque a estrutura de preços da economia brasileira ainda tem forte relação com a variação cambial, seja pela presença das commodities agrícolas no índices de preços do atacado ou pela participação como fator de ajuste dos preços de algumas tarifas públicas como, por exemplo, energia elétrica e telefonia fixa, ou mesmo nos combustíveis derivados do petróleo – explica.


Antonio Licha, coordenador do Grupo de Conjuntura da UFRJ, diz que hoje a variável-chave para o crescimento econômico é o câmbio e não mais os juros. Ele explica que o dólar fraco tem reduzido a competitividade das empresas brasileiras, especialmente na indústria de transformação:


Se os juros recuassem num ritmo mais acelerado, poderiam compensar parte das perdas com o efeito câmbio.


Para Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a queda de 0,5 ponto da Selic vai impedir que o dólar sofra ainda mais pressão, já que as taxas de juros estão subindo no mercado futuro. O economista lembra que os contratos de juros de longo prazo subiram ontem na Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F). Os que têm vencimento em janeiro de 2009 projetavam ontem taxa de 10,73%, contra 10,69% na véspera. Segundo ele, parte do mercado apostava em redução de 0,25 ponto percentual:


Se a redução dos juros fosse mais tímida, haveria impacto maior no câmbio, atraindo mais investidores estrangeiros e derrubando ainda mais a cotação da moeda americana.


 

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