Bancos reduzem especulação com dólar

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As medidas adotadas pelo Banco Central (BC) para frear operações especulativas dos bancos no câmbio já podem estar surtindo efeito. A posição vendida dos bancos, de US$ 15,79 bilhões no fim de maio, havia caído para US$ 10,119 bilhões no dia 22 de junho.


A redução, de US$ 5,671 bilhões em 22 dias de junho, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do BC, Túlio José Maciel, pode ter sido efeito do limite de aumento da exposição cambial dos bancos, anunciado no dia 8 de junho.

As medidas adotadas pelo Banco Central (BC) para frear operações especulativas dos bancos no câmbio já podem estar surtindo efeito. A posição vendida dos bancos, de US$ 15,79 bilhões no fim de maio, havia caído para US$ 10,119 bilhões no dia 22 de junho.


A redução, de US$ 5,671 bilhões em 22 dias de junho, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do BC, Túlio José Maciel, pode ter sido efeito do limite de aumento da exposição cambial dos bancos, anunciado no dia 8 de junho. Apesar da queda, o valor ainda se encontra acima dos níveis apurados pelo BC entre janeiro e abril deste ano.


A posição vendida dos bancos em câmbio é um indicativo importante das operações em que as instituições apostam contra o dólar. Nelas, as instituições geralmente tomam empréstimos de curto prazo a custos baixos no exterior e aplicam em reais. A elevação da posição vendida dos bancos para os US$ 15,790 bilhões no fim de maio foi acompanhada por um aumento de US$ 1,546 bilhão da dívida externa de curto prazo.


Com a alta, a dívida de curto prazo atingiu o maior nível desde o início da série histórica do BC, iniciada em 1970. O chefe-adjunto do Depec destacou, entretanto, que a participação de 21,2% da dívida de curto prazo no total do endividamento externo ainda é menor que os 28,7% de março de 1992.


No cálculo da dívida de curto prazo estão incluídos os empréstimos feitos entre as matrizes e filiais de bancos instalados no país com o intuito de financiar o aumento da posição vendida em câmbio. Na tentativa de conter o aumento do endividamento de curto prazo, o BC decidiu passar a computar no cálculo da exposição cambial dos bancos os valores referentes a estas operações. A preocupação principal foi eliminar uma fonte de vulnerabilidade das contas externas do país.


Na avaliação do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o aumento da volatilidade dos mercados no mês passado – e não as medidas do BC – pode ter influenciado mais na redução posição vendida dos bancos em junho. “As medidas adotadas pelo BC para a exposição cambial dos bancos deverão atingir mais os bancos de médio e pequeno porte. Além disso, a maior parte delas só entrou em vigor neste mês de julho”, comentou.


O crescimento da volatilidade foi alimentado pela alta dos juros dos títulos do tesouro norte-americano. De acordo com o economista-chefe do ABC Brasil, pode até ter sido a causa da redução das compras de dólares efetuadas pelo BC em junho. Pelos cálculos dele, as aquisições de moeda estrangeira até 22 de junho estavam em US$ 6,380 bilhões. Em maio, tinham batido novo recorde e atingido US$ 15,218 bilhões. “Verificamos em junho um aumento da procura por dólares por parte dos bancos”, disse.


O crescimento da demanda por dólares, segundo Souza Leal, por ter sido causado por um movimento de saída dos investidores estrangeiros da bolsa de valores em junho.


 

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