Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Existem atualmente vários índices que capturam o sentimento dos agentes econômicos sobre a situação econômica, em sua condição quer de produtores, quer de consumidores. A convergência dessas percepções, num ou noutro sentido, permite antecipar um clima de maior ou menor otimismo sobre o andar da Economia, antecipação que assume caráter de profecia auto realizável.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Existem atualmente vários índices que capturam o sentimento dos agentes econômicos sobre a situação econômica, em sua condição quer de produtores, quer de consumidores. A convergência dessas percepções, num ou noutro sentido, permite antecipar um clima de maior ou menor otimismo sobre o andar da Economia, antecipação que assume caráter de profecia auto realizável.
Em 1958, The Conference Board, organização empresarial com sede em Nova Iorque, deu início à construção de um “Índice de Confiança do Consumidor” baseado num inquérito cobrindo 5.000 famílias. Essa sondagem consiste em responder a quesitos sobre as condições gerais da economia no momento atual e para os próximos seis meses, o nível de emprego atual e para o semestre seguinte e a situação da renda total da família, nesse horizonte de tempo. A cada uma dessas indagações as respostas são “positivas”, “negativas” e “neutras” e o saldo, para mais ou para menos, dessas avaliações define então o maior ou menor grau de confiança do consumidor.
Similar ao Índice dos Estados Unidos em questões de método, a Fundação Getulio Vargas (FGV) estima a Confiança do Consumidor desde 2002. O número síntese das respostas alcançou um valor máximo em.abril de 2012 de 127,8 mas vem caindo continuadamente nos últimos dezesseis meses para chegar, em maio deste ano, a 102,8.
Com o mesmo espírito de capturar em números a confiança do consumidor e sua variação ao longo do tempo, com perguntas adaptadas a uma visão de oferta, procede-se a construção de indicadores que expressam o grau de confiança dos empresários da indústria e do comércio, tanto no Brasil como no exterior.
Desde o início de 2011, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula um Índice de Confiança do Empresário circunscrito ao comércio varejista. As condições do momento econômico, expectativas quanto a vendas e decisões de investimento formam o arsenal de quesitos. O número síntese se situa entre 0 e 200, sendo 100 a linha vermelha que separa o pessimismo do otimismo. Na serie histórica já levantada, o grau de confiança mais alto foi alcançado em dezembro de 2011 com 130, 6. Em maio deste ano, o índice apurado baixou para 113,4.
A partir de abril do ano 2000, a Confederação Nacional da Indústria passou a divulgar um Índice de Confiança do Empresário Industrial. Analogamente a outros indicadores, as indagações feitas ao empresário têm seu foco nas condições atuais da empresa, suas expectativas sobre o futuro mediato e sobre a evolução das atividades econômicas. Neste caso, numa escala de 0 a 100 o divisor de águas entre pessimismo e otimismo é a confiança sintetizada no valor 50. Em janeiro de 2010, a confiança do empresário industrial chegou ao auge de 68,7. Em maio de 2014 está em 48,0.
O que há de comum na evolução desses três indicadores é constatar que em maio de 2014 denotam queda na série histórica. Vista a situação econômica do País, através das percepções assim coligidas, o estado geral dos negócios da economia está marcado por um clima tendente ao pessimismo. Há, portanto, ao invés de confiança, um clima de desconfiança.
Provavelmente, um dos principais motivos da quebra de confiança reside na taxa de inflação. Ano após ano, a meta oficial não é cumprida e a taxa efetiva tangencia o teto dos dois pontos percentuais fixados como ”margem de segurança”. E mais, a textura da inflação está sendo modificada pela compressão deliberada dos preços administrados e pelo ritmo de alta observado nos serviços. É o “dèjá vu” do processo inflacionário que explica a eclosão de greves a que estamos assistindo para reivindicar a reposição do poder de compra dos salários.
Jornal do Commercio, 16 de junho de 2014.