Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-7
O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode estimular o parcelamento sem juros nas compras feitas com cartão de crédito, segundo avaliação do diretor de Marketing de Cartões do Banco Itaú, Fernando Chacon. Hoje, o chamado “parcelado-lojista” representa metade das operações, seguido de 36% de financiamentos feitos pela administradora do cartão – modalidade em que incide o IOF – e de 14% de pagamentos realizados à vista.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-7
O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode estimular o parcelamento sem juros nas compras feitas com cartão de crédito, segundo avaliação do diretor de Marketing de Cartões do Banco Itaú, Fernando Chacon. Hoje, o chamado “parcelado-lojista” representa metade das operações, seguido de 36% de financiamentos feitos pela administradora do cartão – modalidade em que incide o IOF – e de 14% de pagamentos realizados à vista.
Para Chacon, no entanto, o parcelado sem juros não deve ultrapassar 60% do total, uma vez que a capacidade de capital do varejista tem limite. “O varejo é fortemente ancorado nessa modalidade, criada na década de 90 para combater o risco de inadimplência do cheque pré-datado. Mas o varejista também recebe em parcelas e existe determinado limite para isso. Creio que ele não passa de 60%”, disse. Em dezembro, o parcelado sem juros chegou a 55% do total.
Com isso, o diretor do Itaú acredita que o aumento do IOF deve ter impacto marginal no setor de cartões de crédito. O IOF passou 1,5% ao ano para 3% nos financiamentos, além da criação da alíquota extra de 0,38% sobre o valor da operação. Esse imposto também incide sobre as compras com cartão de crédito no exterior, que hoje representam de 2% a 3% do faturamento do setor. Nesse caso, a alíquota foi mantida em 2%, mas o adicional de 0,38% passou a valer.
Previsão
“Na prática, a gente percebe que os brasileiros estão mais preocupados em que as parcelas caibam no seu bolso. Então, no curto prazo, o impacto do IOF será muito pequeno”, disse. Também minimizando efeitos da crise americana, Chacon manteve a previsão de faturamento dos cartões neste ano: R$ 218 bilhões, com alta de 19% sobre 2007. Até dezembro, 12 milhões de cartões serão emitidos – embora não necessariamente ativados -, totalizando 105 milhões. Neste mês, a indústria deve faturar R$ 16,3 bilhões, com alta de 14,7% sobre janeiro de 2007.
Os números levam em consideração a previsão do Banco Itaú de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 3,9% neste ano, projeção abaixo das expectativas do mercado e do Ministério da Fazenda. Segundo Chacon, a previsão do Itaú para o PIB deste ano ainda não foi modificada pela crise americana. “Não sentimos impacto ainda. Se houver, será na diminuição do consumo americano e, portanto, das importações dos Estados Unidos, com algum impacto sobre o Brasil”, afirmou, durante apresentação do estudo “O cartão de crédito e o mercado varejista”.
No estudo, o Itaú considerou apenas 65% do varejo nacional, ou seja, só levou em consideração as empresas comerciais, com vinte ou mais empregados e exceto setores como serviços, veículos e peças. De acordo com Chacon, o objetivo do levantamento foi mostrar que a indústria de cartões cresce acima do varejo. Para ele, o cartão de crédito é potencializador do consumo.
O estudo também não contabilizou o cartão de crédito private label (cartão de loja; aceito só no local), nem revelou quanto das compras do varejo são feitas via cartão de crédito. Segundo estimativa do Itaú com base em estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo teria faturado R$ 335 bilhões no ano passado, ante R$ 286,7 bilhões de 2006. São Paulo representou 28,9% do total, Minas Gerais, 9,9%, e Rio de Janeiro, 8,9%.