Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-3
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 0,7% em março, acima da variação apurada em fevereiro (de 0,38%) e 0,04 ponto percentual abaixo da medição imediatamente anterior (do IGP-M, que mede a inflação no intervalo de 30 dias até o dia 20).
Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-3
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 0,7% em março, acima da variação apurada em fevereiro (de 0,38%) e 0,04 ponto percentual abaixo da medição imediatamente anterior (do IGP-M, que mede a inflação no intervalo de 30 dias até o dia 20). Diferente do que se previa no início do ano, os preços de alimentos ainda não deram trégua no varejo e, no atacado, os preços de produtos industriais e agrícolas mantêm trajetória ascendente, elevando as preocupações relativas ao cumprimento da meta inflacionária para o ano de 4,5%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-DI, subiu 0,8% em função da valorização nos preços de produtos industriais, que se elevaram 0,06 ponto percentual desde a leitura do dia 20, para 0,94%, fruto do reajuste nos preços do minério de ferro e seu repasse a produtos da mineração ao longo do mês. No acumulado de 12 meses, o IPA-DI acumula alta de 11,39% (ante 10,62% em fevereiro), o maior apurado desde abril de 2005.
Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, observou que a alta do IPA foi determinada pelos reajustes nos preços de metalurgia. Segundo cálculos da economista, excluindo esse item, o núcleo sai de 0,58% para uma alta de 0,42%. “É uma alta novamente localizada em um item específico e que deve recuar novamente já em abril. Acredito que março tenha sido o mês de pico”, afirmou.
Luís Fernando Azevedo, economista da Rosenberg & Associados, também acredita em desaceleração de preços, mas talvez apenas no segundo semestre. Em abril, para ele, reajustes em preços de petróleo e derivados e alta das commodities agrícolas ainda exercerão pressão sobre os custos industriais no mercado interno.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também registrou aceleração, saindo de variação zero em fevereiro para 0,45% no IGP-DI de março. O indicador também ficou acima da variação do IGP-M, de 0,19%. Para economistas, além dos preços industriais, que ainda não deram sinais de desaceleração, preocupa a evolução dos preços de produtos agrícolas e de alimentos, que sofrem os efeitos da alta de commodities no mercado internacional.
O pão francês, por exemplo, subiu no varejo 2,69% em março, a maior alta registrada desde dezembro de 2002, período em que a economia brasileira sofria os efeitos da crise externa de confiança causada pela sucessão presidencial. A alta, observou Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é resultado do aumento de 13,38% nos preços do trigo em março. Em 12 meses, o item acumula valorização de 45,69%, por conta do reajuste de preços no mercado internacional – hoje, 63,5% do trigo consumido no país é importado.
“A expectativa era de que alimentos teriam um aumento menor neste ano, e é provável que isso ocorra, mas não dá para saber onde eles vão estacionar”, afirmou Quadros. No mês, o item alimentação saiu de uma deflação de 0,38% para uma alta de 0,62%. No ano, o item acumula variação positiva de 2,34% e, em 12 meses, de 8,63%. De acordo com o economista, os preços de alimentos – que em 2007 subiram 10,28 % e responderam por metade do IPC – têm de se manter entre 6% e 7% para garantir um IPCA entre 4,5% e 4,7% no ano. “Os preços agrícolas devem continuar sendo motivo de preocupações para a inflação neste ano, só que agora não é mais um fator isolado, como foi em 2007.”
No IPC, cinco das sete classes de despesa apresentaram aceleração, sendo que as maiores contribuições vieram de alimentos e habitação, que passou de 0,09% para 0,47%, alta influenciada pelos reajustes na tarifa de eletricidade residencial (de 1,11% no mês) e na taxa de água e esgoto (de 0,92%).
Raphael Castro, da LCA Consultores, ponderou que a pressão de alta em preços administrados será diluída nos próximos meses, e apontou como suavizador a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de aprovar redução nas tarifas de energia em Mato Grosso (de 8,08%), Mato Grosso do Sul (7,18%) e Minas Gerais (12,24%). “A preocupação incide sobre os tradeables (produtos passíveis de comercialização no mercado internacional)”, afirmou.
O economista observou que o câmbio, que no ano passado teve um efeito suavizador da inflação de 1,1 ponto percentual, não deverá registrar uma valorização semelhante neste ano e, por isso, as importações, que até o momento contribuíram para conter a inflação não terão o mesmo efeito benéfico ao longo do ano.
Para Castro, o segundo trimestre será ainda marcado por valorizações nos preços do aço e de produtos da metalurgia, embora em menor escala. “Os preços de fertilizantes também devem continuar pressionando o IPA industrial, registrando desaceleração só a partir de junho”, disse.
Confiança do consumidor aumenta no 1º trimestre
A confiança dos consumidores apresentou crescimento no primeiro trimestre deste ano, o melhor desempenho para um mês de março desde o início da série histórica, em 1999. Os dados são do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), índice trimestral divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em março, ele estava em 109,1 pontos, elevação de 3,1% em relação a igual período de 2007.
Na comparação entre trimestres, a CNI identificou alta nas expectativas de 1,1%. Segundo a CNI, o resultado de março é o terceiro melhor da série, ficando atrás apenas de setembro e dezembro de 2006, quando as expectativas foram influenciadas pelas eleições.
As expectativas otimistas são atribuídas à expectativa sobre a melhora no emprego. Segundo a CNI, o mercado interno, aquecido com a demanda cada vez maior, faz o emprego no país crescer, e a população ter perspectivas positivas com relação ao crescimento do número de postos de trabalho no Brasil nos próximos meses.
De acordo com os dados da CNI, para 33% dos 2.002 entrevistados de 141 municípios, o desemprego vai diminuir nos próximos seis meses, enquanto 23% acreditam que vai se manter.
Pelo levantamento anterior, 29% diziam que o desemprego diminuiria nos seis meses seguintes, e 24% esperavam manutenção. Os consumidores aumentaram em 4,4% a expectativa em relação ao crescimento da renda própria, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Do total de entrevistados, 37% acreditam no aumento da renda do consumidor.
Habitação puxa alta de preços em SP para 0,45%
O Índice de Custo do Vida (ICV) dos paulistanos ficou 0,45% mais alto no mês de março, pressionado principalmente pelo aumento de aluguéis, impostos e condomínio que, juntos, registraram alta de 3,11%. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), isso fez com que o grupo habitação, onde a alta foi de 1,60%, respondesse por 0,36 ponto percentual de toda a inflação do mês.
O indicador de março ficou 0,48 ponto percentual acima da variação de fevereiro (-0,03%).
No acumulado dos 12 meses encerrados em março, o ICV aponta inflação de 4,69%. No primeiro trimestre deste ano, a inflação na cidade de São Paulo acumula alta de 1,31%.
Conforme o Dieese, a elevação mais significativa em março derivou do aumento aplicado ao condomínio (7,89%). Essa alta refletiu, em parte, o reajuste da mão-de-obra, decorrente da correção do salário mínimo.
Depois de habitação, a maior variação de alta foi registrada pelo grupo transporte, que avançou 0,52%. O aumento de 1,95% no preço do álcool foi um dos fatores que contribuíram para essa elevação. No grupo despesas pessoais, a inflação foi de 0,44%, diante do aumento nos preços dos produtos de higiene (1,19%).
Na ponta inversa, o grupo alimentação foi o único a apontar deflação, de 0,17%, graças à retração de produtos in natura e semi-elaborados, cujos preços tiveram recuo de 1,52%.