Achatamento de salário nas novas contratações diminui

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O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4


O achatamento de salários provocado pela alta rotatividade da mão-de-obra empregada começa a perder fôlego no País. Dados do Ministério do Trabalho indicam que, em 2005, o salário médio dos trabalhadores contratados com carteira assinada era 12,5% inferior ao dos demitidos.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4


O achatamento de salários provocado pela alta rotatividade da mão-de-obra empregada começa a perder fôlego no País. Dados do Ministério do Trabalho indicam que, em 2005, o salário médio dos trabalhadores contratados com carteira assinada era 12,5% inferior ao dos demitidos. No ano passado, essa diferença já havia recuado para 9%.


“Os números refletem o novo ciclo de crescimento da economia, que tem sido puxado pelos investimentos e pela demanda interna”, afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).


Essa tendência é mais acentuada na capital paulista. Levantamento feito pela Secretaria Municipal do Trabalho e pelo Dieese, mostra que, nos últimos três anos, a redução no valor do salário médio das contratações com carteira assinada passou de 17% para 10% em relação à média salarial dos trabalhadores demitidos. “Os números refletem o crescimento da economia puxado pelos investimentos”, afirma Lúcio.


Há três anos, quando a expansão da economia brasileira ainda era puxada pelas vendas externas, já que estavam sob o efeito do real valorizado em relação ao dólar, os exportadores só conseguiam ganhar competitividade achatando um dos únicos custos que eles podem controlar: a mão-de-obra


Investimentos


Atualmente, as demissões continuam sendo mais numerosas entre os maiores salários, provocando redução no valor do salário médio. Da mesma forma, as contratações são feitas por salários menores.


Mas as empresas que investem em inovações tecnológicas para conseguir aumentar a produção vêm contratando mão-de-obra qualificada. Faz 41 meses que o investimento cresce acima da produção no País.


“A demanda de trabalhadores para ocupar essas vagas criadas pelo investimento pressupõe um salário maior que o anterior”, diz Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


Apesar disso, o valor do salário médio dos contratados ainda é inferior ao dos demitidos. O problema é que a demanda por mão-de-obra continua sendo maior para ocupar postos que não estão associados a investimento.


“Se não tivermos uma interrupção no atual ciclo de expansão, que é sustentado pelo investimento, a diferença entre os salários dos admitidos e dos demitidos tende a diminuir ainda mais”, diz o economista.


Crescimento


“Dado que o Brasil mostra sinais de maior resistência à crise global, nada justificaria frear o crescimento econômico por meio de aumento de juros e redução de crédito”, afirma o empresário Bóris Tabacof, vice-presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


Para Tabacof, a melhor defesa da economia brasileira em meio à turbulência financeira global, provocada pela crise mercado imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, seria manter o ritmo de crescimento baseado no mercado interno.


“O mercado de trabalho está sendo beneficiado pelo influxo positivo desse processo de crescimento, que se dá em termos de oferta maior de emprego e de salários melhores”, diz o vice-presidente do Conselho de Economia da Fiesp.


De acordo com o levantamento feito pelo convênio entre a Secretaria Municipal do Trabalho e o Dieese, no ano passado o salário médio de admissão estava em R$ 643, ante R$ 707 entre os demitidos.


Em 2005, o salário médio dos desligados era de R$ 616, contra média de R$ 547 para os admitidos.


 


 


 


 


 

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