Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A tecnologia da informática produziu, a partir de meados do século XX, o que poderíamos chamar a segunda revolução industrial. O computador e a internet deram uma impressionante velocidade ao sistema de comunicação, dentro do quadro geral da globalização.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A tecnologia da informática produziu, a partir de meados do século XX, o que poderíamos chamar a segunda revolução industrial. O computador e a internet deram uma impressionante velocidade ao sistema de comunicação, dentro do quadro geral da globalização.
Entre 2000 e 2010, o valor das exportações brasileiras aumentou de US$ 55,09 bilhões para US$ 201,92 bilhões. As viagens internacionais tiveram um crescimento impressionante e, segundo a IATA, o movimento de passageiros subiu a 2,68 bilhões, em 2010. As transações financeiras internacionais experimentaram um boom inacreditável, coisa que jamais teria sido possível não fosse o apoio e a sustentação da internet.
A definição de moeda mudou inteiramente, deixando para traz o velho conceito do papel-moeda e dos tradicionais meios de pagamento (M1). Atualmente, o mundo dos negócios é atendido, basicamente, pela moeda virtual, que compreende todo o universo dos cartões de crédito e das transferências eletrônicas. O mundo jamais teria experimentado o extraordinário progresso e desenvolvimento das últimas décadas, não fosse o impressionante suporte dos computadores.
Mas o progresso produziu uma impressão equivocada de que não teria fim e os governantes, a partir dos Estados Unidos, consideram esse longo período de resultados positivos como decorrência da liberdade do mercado e da não intervenção do Governo no domínio econômico. Trágico engano. A liberdade sem controle e sem limites empolgou o sistema financeiro e seus dirigentes, que passaram a praticar toda sorte de excessos e de alavancagem. Sobre as margens de lucro de operações de alto risco, os dirigentes recebiam bônus antecipados de dezenas de milhões de dólares. Os Acordos da Basileia ficaram esquecidos.
Com a crise do sub-prime e a quebra dos bancos Lehman Brothers, Bear Stearns, da seguradora AIG e muitos outros, o mundo financeiro desabou.
Desde então, os Bancos Centrais e respectivos Governos socorreram seus bancos, transformando a crise bancária em crise fiscal, acompanhada de forte desemprego, principalmente na Europa.
O mundo, hoje, vive em permanente sobressalto, submetido a incontrolável especulação que se desenvolve através das Bolsas de Valores e Futuros, onde são determinados os preços das commodities. Nesse jogo, a situação da China exerce grande influência.
A nova ordem mundial vai depender, principalmente, da capacidade dos Governos de 1) reduzirem os imprudentes déficits fiscais e 2) da submissão das operações financeiras dos bancos e Bolsas de Valores e Futuros a uma prudente limitação operacional, colocando sob rigoroso controle as abusivas operações de crédito e derivativos.
Isso é válido para os Estados Unidos, a Europa e também para o Brasil.
Jornal do Commércio, 27 de abril de 2012