A Copa do Mundo de 2014 (Jornal do Commercio, 18/04/2011)

Compartilhe:

Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

 

Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

 

Constitui um fato notável e de grande prestígio internacional, a escolha do Brasil para sediar os jogos de futebol da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Ao mesmo tempo, porém, não há dúvida de que essa honraria representa um enorme desafio e uma imensa responsabilidade, pela garantia de que esses eventos sejam, efetivamente, um extraordinário sucesso, capaz de empolgar os milhares de turistas, organizadores, técnicos e jornalistas que estarão visitando o País, nessas ocasiões.

Ao lado dessa empolgação, há um grande sentimento de preocupação de todos os brasileiros, especialmente em relação à Copa do Mundo. Se há alguma coisa que o brasileiro entende, é de futebol, que acompanha, entusiasticamente, em relação aos campeonatos internos como aos campeonatos em outros continentes, principalmente em relação aos países europeus.

A grande preocupação que aflige um grande número de brasileiros se refere, principalmente, à  decisão adotada pela FIFA,  no sentido de que os jogos da Copa sejam realizados em doze capitais brasileiras: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e Brasília.

Todos nós sabemos das deficiências da infraestrutura dos transportes nacionais. As distâncias, neste país continente, são enormes e praticamente só existem comunicações por via aérea. A partir desta constatação, é fácil imaginar como vão se desenrolar, no curto espaço de um mês, 64 jogos, entre as equipes mais famosas do mundo, em estádios tão distantes, como os de Manaus, Cuiabá e outros, praticamente no mesmo dia, ou em dias alternados.

Não é preciso ser um expert em Copas do Mundo, para perceber os grandes riscos que essa situação oferece.

Não bastaria, apenas, citar os investimentos colossais que deverão ser feitos para adequar os nossos estádios às exigências da FIFA, tais como a reconstrução do estádio do Maracanã, no Rio, do Corintians, em São Paulo, do Amazônia, em Manaus, e, assim, da mesma forma, em todos os demais estádios.

Estamos falando de uma cifra assombrosa, de bilhões de reais. E isso, em uma conjuntura de grave desequilíbrio fiscal, em que há sérias dificuldades para atender os gastos essenciais nas áreas mais prioritárias da infraestrutura, da energia, do Pré-Sal, da saúde, da educação, etc.

Sopesando todas essas questões e dificuldades, ocorre, de imediato, a adoção de uma providência ditada pelo bom senso, que seria, por exemplo, a realização dos jogos em apenas três capitais, as mais populosas e próximas uma das outras: Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Em estudo que acaba de ser divulgado, o IPEA alarmou a sociedade brasileira com a informação de que, dos 13 aeroportos vinculados ao desempenho da Copa, apenas 3 estarão concluídos até 2014. Uma informação aterradora, mas que talvez tenha o mérito de despertar o bom senso das autoridades brasileiras e da FIFA, para corrigir um evidente exagero de programação que pode acabar com a nossa festa.

Publicado no Jornal do Commercio, 18 de abril de 2011

 

Leia mais

Rolar para cima