18% afirmam comprar mais importados

Compartilhe:

Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-3


Apesar da persistente valorização do real em relação ao dólar, só 18% dos brasileiros dizem ter aumentado o consumo de produtos importados nos últimos dois anos, segundo pesquisa do instituto Ipsos feita para o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).


Realizado entre os dias 21 e 28 de maio, o levantamento mostra ainda que o consumidor brasileiro tem consciência do impacto dos bens importados no controle da inflação.

Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-3


Apesar da persistente valorização do real em relação ao dólar, só 18% dos brasileiros dizem ter aumentado o consumo de produtos importados nos últimos dois anos, segundo pesquisa do instituto Ipsos feita para o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).


Realizado entre os dias 21 e 28 de maio, o levantamento mostra ainda que o consumidor brasileiro tem consciência do impacto dos bens importados no controle da inflação. Para 68% dos entrevistados, a concorrência de produtos externos leva à redução de preços dos similares nacionais.


Ainda assim, 48% declararam considerar os produtos importados mais caros que os nacionais, enquanto 37% afirmaram que eles são mais baratos.


Nesse quesito, há uma grande diferença de percentuais entre as respostas estratificadas por classe social. Nas classes A/B, 54% disseram considerar os importados mais baratos que os nacionais. Esse é o grupo que registrou o maior índice de respostas positivas à pergunta sobre aumento do consumo de importados: 29%, comparados à média de 18%.


Na classe C, a maioria dos entrevistados (52%) considera os produtos estrangeiros mais caros que os nacionais. Na divisão por regiões, o Nordeste é a que registrou o maior percentual de pessoas que consideram os importados mais caros: 57%.


Apelo


Ricardo Martins, diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp, considera baixo o índice de 37% que classificam os bens importados como mais baratos que os nacionais. Em sua opinião, diante da magnitude da desvalorização do dólar em relação ao real, o percentual deveria ser maior.


O diretor do Ciesp avalia que as aberturas realizadas nos governos Fernando Collor de Mello (1990-1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) mudaram a percepção dos brasileiros em relação aos produtos estrangeiros.


Segundo Martins, o apelo do que vem de fora é menor hoje do que no passado, quando o acesso aos importados era restrito. Para ele, o menor poder de sedução desses bens ficou claro no percentual de 36% que responderam “nenhum” à pergunta sobre qual item importado planejavam consumir com o dólar mais barato.


O índice é superior aos 24% dados a produtos eletrônicos, que lideram a lista de desejos dos brasileiros em relação aos importados. Em seguida aparecem os eletrodomésticos, com 15%, comidas e bebidas (7%), vestuário (6%), viagens internacionais (2%) e livros (1%).


Representante do setor que mais sofre com a concorrência dos importados, o Ciesp incluiu na pesquisa uma pergunta específica sobre proteção da indústria nacional. Nada menos que 80% disseram concordar com a afirmação de que “o governo deveria prestigiar a indústria nacional e taxar com mais rigor os produtos estrangeiros que entram no país”.




 

Leia mais

Rolar para cima