Destaques da edição:
O trunfo da política fiscal – A inflação ao consumidor segue elevada e persistente, devido aos choques mais recentes. Embora o Banco Central do Brasil (Bacen) reconheça o alto nível de risco para acirramento das condições inflacionárias, sinalizou a Selic terminal em 12,75% ao ano, na semana passada. A autoridade monetária também reconheceu que o mundo, não somente o Brasil, vai viver um ciclo duradouro de crescimento baixo com mais inflação.
A alta dos juros acima de 13% passou a ser considerada no mercado, especialmente após a escalada nos preços do petróleo e dos alimentos, em razão da guerra na Ucrânia. O tamanho dos reajustes nos preços de derivados do petróleo, por exemplo, foi sentido rapidamente pelos consumidores, que já vinham reduzindo seu nível de consumo antes do início do conflito europeu. Os efeitos disseminados dessas altas em cadeias de produção diversas, nos preços livres, são ainda mais difíceis de serem medidos.
O aumento dos juros da Selic – Semana passada, o Banco Central do Brasil subiu a Selic para 11,75% ao ano. Se, por um lado, a taxa de inflação tem incomodado ao se situar na casa dos dois dígitos na medição anualizada, a recente alta dos juros norte-americanos também contribuiu para que a autoridade monetária se movimentasse a fim de evitar e diminuir pressões cambiais.
Isso se deu porque juros internacionais mais atrativos podem induzir transferências para a aquisição de títulos americanos, provocando saída de dólares e fazendo com que a cotação suba, uma vez que a América é considerada uma economia sólida e atrativa para esse tipo de investimento.
O aumento da taxa de juros básica da economia brasileira chega ao comércio num momento delicado, uma vez que o setor já vem amargando dificuldades em vender – ainda que o desemprego possa estar diminuindo, a renda real não tem crescido por causa da inflação. E, mais recentemente, o governo passou para o mercado o aumento da taxa de juros básica da economia.
Expectativas para inflação aceleram pela 11° semana consecutiva – A mediana das projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o fim de 2022 subiu de 6,59% na semana passada para 6,86%, segundo o Relatório Focus do Banco Central do Brasil da semana do dia 28/03. Há 11 semanas, o índice dessa estimativa avança. Para 2023, as projeções também aceleraram, de 3,75% para 3,80%. Para 2024, a tendência de aumento permanece e aumentaram as projeções, de 3,15% para 3,20%. De acordo com as metas do Banco Central, que são de 3,50%, 3,25% e 3,00%, nos respectivos anos, as projeções de 2022 ainda ficam muito acima da margem de erro de 1,5 ponto percentual.
Varejo deverá faturar R$ 2,16 bilhões com a Páscoa de 2022 – As vendas do varejo voltadas para a Páscoa deverão totalizar R$ 2,16 bilhões em 2022, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Confirmada essa previsão, o volume de vendas apresentaria um crescimento de 1,9% ante a mesma data do ano passado, já descontada a inflação. Apesar da alta, o volume movimentado ainda se encontra 5,7% abaixo do alcançado antes do início da crise sanitária em 2019 (R$ 2,29 bilhões).
Representatividade do comércio e dos serviços no mercado de trabalho – Segundo os últimos números divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados em fevereiro 328.507 empregos líquidos, ou seja, com a contratação acima do nível de demissões. Esse valor representa um crescimento de 0,80% em relação ao estoque de trabalhadores do mês anterior, o qual alcançou o patamar próximo de 41,2 milhões de empregos celetistas no último resultado. Com esses dados, no primeiro bimestre do ano, já foram geradas 478.862 vagas, resultado 1,18% acima do verificado no mesmo período do ano passado. Enquanto, em comparação com fevereiro de 2021, o incremento foi de 6,69%.