Destaques da edição:
A hora e a vez dos bancos – Em 2021, tivemos expansão do crédito, mesmo com a mudança no ciclo da política monetária. Os dados do Banco Central do Brasil (Bacen) mostraram a evolução das operações de crédito, tanto com consumidores quanto com empresas, mesmo no contexto de alta dos juros. Mais crédito refletiu-se em endividamento recorde, mas inadimplência ainda sob controle, na foto do ano passado.
O crédito ampliado, que considera as operações no sistema financeiro e não financeiro (mercado de capitais, governo, empresas não financeiras, instituições sem final idade lucrativa, não residentes, dentre outros, cresceu 11,6% em 2021, puxado principalmente pelo boom do mercado de capitais.
O saldo de operações mobiliárias aumentou 35% na ótica do Bacen, e, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2021, teve recorde no total de ativos emitidos em um ano, com R$ 722 bilhões, quase 67% acima do montante de 2020. Ativos baratos, juros ainda relativamente baixos e condições favoráveis para tomar crédito e financiamento.
Produção industrial volta a crescer em 2021 – Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial avançou +2,9% em dezembro, após estabilidade em novembro, em comparação com o mês imediatamente anterior, nos dados com ajuste sazonal. Contribuindo para esse resultado, a indústria de transformação mostrou crescimento de +2,0% e a extrativa teve alta de +1,6% no mês. Dentre as categorias de uso analisadas, todas mostraram variação positiva, sendo a de bens de consumo duráveis (+6,9%) a mais expressiva, seguida por bens de capital (+4,4%). Bens de consumo semi e não duráveis avançaram +1,5%, com isso, a categoria de bens de consumo cresceu +3,1%. Bens intermediários teve oscilação positiva de +1,2% nessa base de comparação.
Produção de veículos reduz 31,1% em janeiro, de acordo com Anfavea – Depois de elevar o ritmo produtivo em dezembro, a produção de veículos caiu 31,1% no mês de janeiro ante o mês anterior e obteve o pior janeiro do setor automobilístico dos últimos 19 anos, retraindo 27,4% ante o mesmo mês de 2021, de acordo com a carta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) publicada no dia 7 de fevereiro.
A produção do mês correspondeu a 145,4 mil automóveis, enquanto, em dezembro, os veículos produzidos foram 210,9 mil. De acordo com a análise do presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, a produção ficou mais lenta devido à grande aceleração de dezembro para preparar os estoques para as férias de janeiro e, também, pela influência da variante Ômicron nas fábricas e nas lojas fornecedoras.
O fim das moedas – Qualquer pessoa que der uma “googlada”para pesquisar sobre o fim das moedas, irá encontrar opiniões sobre o assunto desde 2016, quando os bitcoins tornaram-se uma realidade disseminada.
Como numa espécie de exercício de futurologia, estudiosos e especialistas têm examinado a situação com muita luz, levando em conta a evolução (crescente e rápida) da tecnologia do blockchain (entre outras) em torno dos mercados de bitcoins, moedas digitais, tokens, entre outros ativos, e a posição dos governos a respeito das criptomoedas.
De fato a moeda física (papel-moeda e moeda metálica) que se tem hoje tende a se tornar apenas eletrônica, vis-à-vis o que já acontece em países como a Suécia, onde praticamente não se tem mais o dinheiro que passa de mão em mão para realizar compras e transações entre as pessoas (e empresas).
O dinheiro físico tenderá mesmo a desaparecer, principalmente porque cada vez mais os pagamentos são realizados por canais digitais, em larga escala, cuja tendência é a de se acelerar no futuro. Sinal de que nos próximos dez anos a moeda física perderá significância.
Essa mudança dependerá de inúmeros fatores, notadamente da velocidade com que cada economia lidará com a absorção da tecnologia e o uso da sua moeda digital. Fatores culturais, sigilos bancários, gosto e preferência ainda prevalecerão até a derrocada da existência do papel-moeda e das moedas metálicas.
Mas isso ainda levará tempo.
Auxílio Brasil deverá injetar R$ 59 bilhões no consumo em 2022 – A partir de 18 de janeiro, começaram a serem pagas as primeiras parcelas mensais aos beneficiários do Auxílio Brasil em 2022. Com a extinção do Bolsa Família no fim de 2021, a expectativa é que o programa social mais amplo disponibilize R$ 89,9 bilhões neste ano. Esse valor praticamente igualaria todo o gasto com o Bolsa Família entre janeiro de 2019 e outubro de 2021 (R$ 93,60 bilhões).
Com valor mínimo de R$ 400,00 destinados a pelo menos 17,5 milhões de famílias, a tendência é que o novo programa injete, pelo menos, R$ 84 bilhões na economia ao longo de 2022. Diante das ainda frágeis condições econômicas e das características do público elegível ao benefício, é natural que a maior parte dos recursos seja direcionada para o consumo imediato.