Sumário Econômico – 1692

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Destaques da edição:

O santo é de barro – O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 1,5 ponto, a maior alta em pontos desde dezembro de 2022, conduzindo a taxa básica a 7,75% ao ano. Nas semanas que antecederam a decisão, número crescente de analistas, a maior ia, já esperava que o aperto necessário não seria mais de 1,25 ponto, mas de 1, 5 ponto, o que se concretizou. A deterioração da percepção fiscal injetou ainda mais volatilidade nas variáveis de risco, câmbio, bolsa, juros futuros, mesmo com o desempenho mais positivo das contas públicas.

Embora o Banco Central (Bacen) reconheça que o cenário-base para a inflação está pressionado por r iscos advindos de todos os lados, aparenta ainda estar atento à dinâmica da atividade econômica. E, nesse ponto, por mais que alguns analistas advogassem a favor de alta ainda mais expressiva da Selic, o Bacen acertou, mostrando que todo cuidado neste momento é pouco, pois o santo é de barro.

No ano que vem, conviveremos com inflação alta, juros de quase dois dígitos (se não dois dígitos), e crescimento mais baixo. Se pesarmos a mão nos juros, o santo quebra, e o caminho da estagflação será infelizmente inexorável.

A PEC dos Precatórios: o mal necessário – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 23/2021, ou PEC dos Precatórios, aprovada no Congresso Nacional na semana passada, adia o pagamento de par te das dívidas da União e libera R$ 44,6 bilhões para aumento das despesas no orçamento de 2022. A PEC também muda o fator de correção do teto dos gastos desde 2016, com liberação adicional de R$ 47 bilhões, totalizando R$ 91,6 em recursos à disposição do governo pelo menos até o fim do próximo ano.

Na prática, haverá um l imite para o pagamento desses precatórios, tendo como base o valor gasto em 2016 (ano da criação do teto), corrigido pela inflação de janeiro a dezembro, não mais em 12 meses encerrados em junho. Com isso, o valor a ser desembolsado para o pagamento no próximo ano cai à metade (dos R$ 89 bilhões para os aproximadamente R$ 45 bilhões).

Mercado já espera inflação de dois dígitos este ano, 10,12% – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central em 19/11, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano aumentou para 10,12%, com crescimento nessa estimativa há 33 semanas e alcançando um patamar de dois dígitos. No curto prazo, as projeções dos analistas para o IPCA são de 1,0% para novembro e 0,75% para dezembro. Mantendo a tendência, a mediana das projeções dos analistas para o IPCA de 2022 aumentou pela 18ª semana para 4,96%, distanciando-se da meta de inflação, enquanto, para 2023, a estimativa avançou para 3,42%.

A estimativa para a evolução do PIB de 2021 é de crescimento de 4,80%, ligeiramente inferior à mediana de 4,88% encontrada na semana anterior. Caso essa última projeção se realize este ano, compensará a queda de 4,1% realizada em 2020, a primeira retração após três anos de crescimento. Já para 2022, espera-se uma evolução positiva de 0,70% na economia, enquanto, para 2023, as estimativas são positivas em 2,0%.

Queda histórica leva volume de vendas do varejo abaixo do nível pré-pandemia – O volume de vendas do varejo recuou 1,3% em setembro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada em 11/11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda superou as expectativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projetava recuo menor (-0,8% na comparação com o mês anterior). A variação registrada no mês representou a maior queda mensal para meses de setembro na série histórica iniciada em 2001. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a queda de 5,5% foi a maior para meses de setembro desde 2016 (-5,7%).

Comerciantes não se mostram otimistas em novembro – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) cedeu 1,3% em novembro, a terceira taxa negativa mensal seguida. No ano, o indicador caiu oito vezes em 11 meses, indicando a oscilação do otimismo, algo compatível com os acontecimentos da economia e as vendas do comércio.

O resultado do mês não anulou o desempenho da confiança empresarial até o momento, que subiu 9,7% em 2021. Mesmo assim, ficou em linha com as condições atuais da economia, as quais constroem ambiente difícil para vendas, ainda que daqui a pouco a Black Friday e o Natal cheguem.

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em todas as capitais e no Distrito Federal, a confiança do empresário do comércio diminuiu 1,3% no presente mês, mantendo a trajetória de queda sucessiva desde setembro, mas agora num ritmo pouco menor.

Relevância da governança corporativa – A chamada governança corporativa vem ganhando cada vez mais importância no mercado financeiro. O movimento, advindo inicialmente dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, tem-se difundido entre outros países, inclusive o Brasil. Está relacionado à transparência, à ética e ao respeito da empresa com os seus acionistas, por isso sua crescente relevância para companhias e investidores.

A governança corporativa pode ser entendida como um conjunto de práticas que visa o alinhamento entre os objetivos da administração de uma empresa e os interesses dos seus acionistas. A finalidade dessa série de processos, mecanismos, regulamentos e políticas é preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da companhia, contribuindo para a qualidade da gestão, a perenidade e o bem comum.

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), fundado em 1995: “Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas.”

Portanto, empresas que adotam boas medidas e práticas de governança corporativa revelam maior credibilidade ao mercado, de notória importância ao se considerar as mudanças e exigências do funcionamento das empresas no mundo global preocupado com sociedade e meio ambiente.

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