O Estado de S. Paulo relata que a demanda das famílias por bens e serviços, que puxou a retomada da economia após as restrições ao contato social impostas pela covid-19, deu sinal de perda de fôlego no terceiro trimestre. Segundo o IBGE, entre julho e setembro, o consumo das famílias cresceu 1% ante o segundo trimestre, sustentado pelos estímulos injetados pelo governo Bolsonaro na reta final da campanha eleitoral, pela melhora no mercado de trabalho, pelas medidas de desoneração fiscal e pela inflação mais branda.
Segundo o jornal, daqui por diante, porém, a normalização dos serviços presenciais – como bares, restaurantes e hotelaria, entre outros – e os efeitos restritivos dos juros mais elevados deverão moderar o crescimento.
O comércio ficou no vermelho no PIB do terceiro trimestre. Teve retração de 0,1%. Segundo o IBGE, as famílias deixaram de adquirir bens para consumir serviços. No mundo todo, esse movimento fez parte da “normalização”, já que, no auge do isolamento, as pessoas ficaram impedidas de gastar com serviços e acabaram consumindo mais bens. A piora dos indicadores de confiança em outubro e novembro, aliada a uma frustração nas vendas da campanha de liquidações da Black Friday, corrobora os sinais de nova freada adiante.
O crédito caro e o alto endividamento das famílias devem frear o consumo também em 2023. Isso acontecerá mesmo que o governo eleito consiga garantir orçamento para a manutenção do pagamento de R$ 600 no Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família), projeta Fabio Bentes, economista da CNC.