Monitor – 8 de novembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
08/11/22 | nº 775 | ANO IV |  www.cnc.org.br

O GloboO Estado de S. Paulo Valor Econômico destacaram que a inadimplência continuou a crescer em outubro e alcançou 30,3% das famílias, novo recorde, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela CNC. É o quarto mês de alta seguido.Em setembro, o percentual de famílias brasileiras que estavam com contas em atraso já era recorde: 30%. Em 12 meses, o avanço no indicador chega a 4,6 pontos percentuais (p.p.) — o maior crescimento desde março de 2016.

Já o endividamento registrou queda de 0,1 ponto porcentual, passando de 79,3% para 79,2% em outubro, interrompendo uma sequência de três meses de altas. A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestação de carro e de casa.

“O nível de endividamento alto e os juros elevados pioram as despesas financeiras associadas às dívidas em andamento, ficando mais difícil quitar todos os compromissos financeiros dentro do mês” disse o presidente da CNC, José Roberto Tadros, em O Globo.

No Estadão, a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa da CNC, pondera que a proporção de famílias com dívidas atrasadas há mais de 90 dias tem diminuído desde abril, totalizando 41,9% dos inadimplentes nessa situação em outubro, a menor proporção desde dezembro de 2021. “Os consumidores têm buscado renegociar as dívidas sem pagamento há mais tempo.”

No Valor, a economista acrescenta que “nos próximos meses, a proporção de famílias com dívidas atrasadas se manterá elevada, até porque o juro seguirá alto. Não acho que a inadimplência começará a cair de forma sustentada. Instituições financeiras estão revendo para cima suas provisões para devedores duvidosos. Também há muita incerteza para 2023 sobre programas de transferência de renda e desempenho da economia”

Editorial de O Estado de S. Paulo também aborda a Peic, afirmando que proporção de famílias com dificuldades de pagar dívidas em dia cresce mais que na recessão gerada pelo governo Dilma Rousseff.

Texto ressalta que o aumento da inadimplência ocorre num momento em que começa a cair o porcentual de famílias endividadas. “A geração progressiva de vagas no mercado de trabalho, a queda da inflação nos últimos meses, além das políticas de transferência de renda mais robustas têm aumentado a renda disponível, o que explica a desaceleração da proporção do total de endividados”, segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Endividamento
Manchete do Valor Econômico detalha que as necessidades impostas pela pandemia de covid, os estímulos fiscais e monetários oferecidos pelo governo para enfrentar a crise sanitária e a posterior elevação dos juros fizeram com que os lares brasileiros batessem recorde de endividamento, afetando principalmente as famílias de baixa renda.

De acordo com pesquisadores do FGV Ibre, esse cenário é um grande desafio para o próximo governo. E o quadro ainda pode se agravar, com a perspectiva de queda do PIB e do emprego, o que tende a levar a um maior comprometimento da renda das famílias com dívidas e a uma alta mais persistente da inadimplência.

Dos quase R$ 3 trilhões da carteira de crédito das pessoas físicas em julho – último dado do Sistema Central de Riscos do Banco Central -, a alta renda concentrava 49%, enquanto 19% estavam na baixa renda. Apesar disso, os mais pobres respondiam por 37% da carteira inadimplente e a alta renda, por 24%.

Poupança
O Estado de S. Paulo, O Globo e Valor Econômico 
informam que os saques da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 11,006 bilhões em outubro. É o maior saque líquido para o período da série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. Em outubro do ano passado, o saldo negativo foi de R$ 7,430 bilhões. Já em setembro, as saídas da caderneta superaram as entradas em R$ 5,902 bilhões.

Em um cenário de endividamento recorde, juros em dois dígitos e renda comprimida, o ano de 2022 tem sido de saques volumosos na poupança. No acumulado até outubro, o saldo negativo é de R$ 102,077 bilhões, quase o dobro da retirada registrada em todo ano de 2015 – que, até hoje, é o pior resultado anual da série histórica (-R$ 53,567 bilhões).

Combustíveis
Em manchete, O Globo destaca que a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva desenha uma nova política de preços para a Petrobras para reduzir o impacto da cotação internacional do petróleo no custo da gasolina e do diesel no país.

De acordo com o jornal, a ideia é substituir em 2023 a atual paridade internacional por uma fórmula que considera o peso da produção local em refinarias da Petrobras e da importação em cada área. A partir de uma referência nacional, a estatal poderá ter preços diferentes em cada região.

Ainda segundo o veículo, a equipe também planeja a formação de estoques reguladores e de um fundo de estabilização para crises.

Black Friday
Folha de S.Paulo
 revela que dois a cada cinco brasileiros pretendem antecipar compras de Natal para aproveitar as ofertas da Black Friday, segundo pesquisa realizada pela PiniOn à pedido da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Os consumidores também se mostram impulsionados pela Copa do Mundo e estão mais otimistas agora do que no ano passado.

De acordo com pesquisa de intenção de compra na Black Friday, 39,3% dos 1.663 entrevistados em todo o país pretendem fazer compras nesta data; 36,5% responderam que não têm intenção de consumir, enquanto 24,2% estão indecisos.

Transição
Folha de S.Paulo 
revela que a escolha de uma equipe de transição que abarque de economistas liberais ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e uma agenda internacional que mitigue ameaças antidemocráticas foram tema do primeiro dia de reuniões do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Hoje, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), deve anunciar em Brasília participantes do grupo.

Orçamento 2023 
Principais jornais relatam que aliados do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, estudam mesclar três instrumentos para viabilizar a inclusão de prioridades do futuro governo no Orçamento de 2023. Uma forma de viabilizar a liberação de recursos seria a PEC da transição para autorizar a ampliação de gastos. Outra opção seria negociar o remanejamento de emendas com o relator do Orçamento. E, por fim, também se discute como garantir a liberação de crédito extraordinário em 2023, que pode ser realizado via medida provisória.

Cálculos preliminares indicam que seriam cerca de R$ 175 bilhões acima do limite do teto.  Estuda-se ainda apresentar ao Congresso a proposta de retirar integralmente e até permanentemente os gastos com Auxílio Brasil do cálculo do teto. Como isso dependeria de negociação com os parlamentares e análise do impacto da medida no mercado financeiro, não há consenso sobre a sua viabilidade.

“Pauta-bomba”
O Estado de S. Paulo 
adianta que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem na agenda uma “pauta-bomba” que, se for votada até o final do ano, pode tirar mais de R$ 100 bilhões de arrecadação da União, dos Estados e dos municípios em 2023. Lira é candidato à reeleição e quer manter o orçamento secreto. O risco de votação impõe a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o ônus de ter de negociar com o deputado.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 2,19%, cotado a R$ 5,17. Euro subiu 2,87%, chegando a R$ 5,18. A Bovespa operou com 115.342 pontos, queda de 2,38%. Risco Brasil em 249 pontos. Dow Jones subiu 1,31% e Nasdaq teve alta de 0,85%.

Valor Econômico
Baixa renda é a mais afetada por endividamento recorde

O Estado de S. Paulo
Câmara pressiona Lula com pauta que pode custar R$ 100 bi

Folha de S.Paulo
Lula quer equipe de transição que vá de liberais a Boulos

O Globo
Equipe de Lula planeja preços regionais para combustíveis

Correio Braziliense
Lula vem a Brasília para dar nome e forma à transição

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