Monitor – 7 de novembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
05 a 07/11/22 | nº 774 | ANO IV |  www.cnc.org.br

Reportagem da Folha de S.Paulo adianta os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Pei), que será divulgada nesta segunda-feira (7) pela CNC. Segundo o levantamento, pressionados pelos juros altos e por uma inflação que, apesar da trégua recente, ainda segue em níveis elevados, o número de brasileiros com dívidas em atraso vem aumentando ao longo dos últimos meses.

Em outubro, o percentual de brasileiros com dívidas atrasadas avançou 4,7 pontos percentuais no período de 12 meses e alcançou o recorde de 30,3%, contra 25,6% em outubro de 2021. Os dados representam o maior patamar de inadimplentes desde o início da série histórica, em janeiro de 2010.

“Nunca tínhamos tido uma proporção tão alta de famílias com dívidas atrasadas”, afirma Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa.

A economista da CNC diz ainda que, com o início da oferta do empréstimo consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil, e a alta demanda, a tendência é que tanto o nível de endividamento, quanto o de inadimplência, aumente entre as famílias de menor renda.

Os dados da CNC indicam ainda que o total de brasileiros endividados —com dívidas em balanço, embora as contas ainda não estejam em atraso— atingiu 79,2% no mês passado, um aumento de 4,6 pontos percentuais na comparação anual. Apesar da alta, trata-se da menor taxa anual desde julho de 2021. Já em relação ao mês imediatamente anterior, após três altas consecutivas, houve um leve declínio de 0,1 ponto.

Em O Estado de S. Paulo (06/11), dados da CNC apontam que o comércio nacional deve fechar o período de fim de ano com 109 mil contratações temporárias. O avanço tem sido impulsionado pela antecipação das contratações pelo e-commerce. Empresas como Mercado Livre e Via correm para contratar funcionários e faturar com o fim de ano, começando pela Black Friday.

Para Fabio Bentes, economista-chefe do CNC, o movimento de contratação antecipada de temporários com foco na Black Friday faz parte da consolidação da data de compras no varejo no País. “O consumo na internet já existia, mas deu um salto durante a pandemia, por isso a necessidade de contratação de profissionais especializados.”

Confiança
Coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 05/11)
 trouxe uma pesquisa feita pela FecomercioSP que revelou que, em outubro, o otimismo do empresariado do comércio paulistano melhorou na esteira da concessão de benefícios sociais turbinados em ano eleitoral e da queda da inflação e do desemprego.

O Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), monitorado pela entidade, cresceu 3,5%, passando de 118 pontos em setembro para 122 pontos no último mês. Na avaliação de Fábio Pina, assessor econômico da entidade, o resultado está atrelado a um conjunto de fatores, como a retomada do setor de serviços e o ajuste da taxa de juros pelo BC para impedir uma alta ainda maior na inflação, além de medidas como o Auxílio Brasil.

O economista diz que o governo de Lula, ainda que mantenha as promessas da campanha eleitoral, precisará ter atenção às contas públicas.

O monitoramento da FecomercioSP também apontou avanço de 3% nas expectativas futuras dos empresários. A mesma variação positiva foi registrada na intenção dos comerciantes em expandir os negócios. Segundo Pina, o levantamento de outubro ainda não foi capaz de sentir o impacto da vitória de Lula nas eleições.

Renda do trabalho 
Reportagem do Valor Econômico relata que o rendimento do trabalho tem se recuperado de maneira desigual. Nos últimos meses, essa alta vem ocorrendo com mais intensidade em setores como agricultura, construção, serviços e comércio, e tem apresentado piora em administração pública e indústria. Ainda que a inflação tenha voltado em outubro, economistas acham que a tendência é que essa recuperação continue, embalada pela alta nominal dos salários e pelo “efeito composição”, que capta alterações no perfil dos trabalhadores.

Segundo microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, compilados pela Tendências Consultoria Integrada, o rendimento real habitual do trimestre encerrado em setembro chegou a R$ 2.737, alta de 1,4% no mês. Na comparação do trimestre julho a setembro versus o trimestre abril a junho, a variação foi de 3,7%. Em relação ao trimestre de julho a setembro de 2021, a alta foi de 2,5%.

Reforma tributária
Folha de S.Paulo 
situa que reformas de tributação sobre consumo e renda estão entre as principais propostas que podem ser votadas no início do novo governo Lula, em 2023.

A unificação dos principais tributos sobre o consumo, por exemplo, é tema de duas propostas do Legislativo e de um projeto apresentado pelo atual governo.

A reportagem cita a PEC 45, que prevê a substituição de cinco tributos por um imposto sobre bens e serviços (IBS), com arrecadação centralizada e gestão compartilhada, e um imposto seletivo sobre cigarros e bebidas.

Difal
Valor Econômico 
informa que os contribuintes, principalmente empresas do varejo, correm o risco de terminar a semana com uma dívida bilionária. A confirmação depende de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), com previsão de se encerrar sexta-feira. Trata da cobrança do diferencial de alíquotas (Difal) do ICMS: se poderia ter sido retomada pelos Estados neste ano ou só em 2023.

Esse tema está sendo julgado no Plenário Virtual. Dois ministros já disponibilizaram os seus votos no sistema, o relator, Alexandre de Moraes, e Dias Toffoli. Ambos se posicionaram para permitir a cobrança neste ano de 2022, contrariando o que defendem os contribuintes.

ICMS
Na Folha de S.Paulo (05/11), coluna Painel S.A. registrou que estados e governo federal chegaram a um consenso para que, no governo Lula, seja mantido o teto de 17% sobre o ICMS de combustíveis. A decisão envolve um fundo que subsidie consumidores de baixa renda na compra de combustíveis sempre que o petróleo subir muito.

“Se a tratativa vingar, pobres e ricos poderão pagar preços diferentes nas bombas. A nova proposta terá de ser apresentada ao Congresso pelo novo governo”, completa a coluna.

IR 
Manchete da Folha de S.Paulo informa que, promessa de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a correção da tabela do IR deve ser discutida apenas no próximo ano, defendem integrantes do partido. A votação do projeto que amplia a faixa de isenção do foi sinalizada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), após a vitória de Lula. Durante a campanha eleitoral, o petista prometeu isentar do pagamento de IR quem ganha até R$ 5.000.

Trabalhista
Folha de S.Paulo 
(05/11) informou que a pessoa que for demitida por questões políticas pode ser indenizada e até mesmo recontratada, caso comprove ter sido vítima de discriminação. O assunto ganhou evidência depois dos resultados das eleições e entrou na mira do Ministério Público do Trabalho.

Auxílio Brasil
Folha de S.Paulo e O Globo 
(05/11) relataram que o ministro do TCU Aroldo Cedraz negou um pedido do Ministério Público para que a Caixa deixe de fazer novos empréstimos consignados para os beneficiários do Auxílio Brasil. O ministro afirmou que as informações apresentadas pela Caixa no processo “afastaram por completo a suposta irregularidade quanto à não-observância de procedimentos operacionais ou de análises de risco essenciais e prévios à decisão de ofertar o empréstimo consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil”.

Mercado financeiro
O Globo 
informa que o desempenho da renda variável após a vitória de Lula surpreendeu quem temia sua política econômica. Com 90% das ações no azul, o Ibovespa subiu 1,31% no dia seguinte ao segundo turno e o dólar caiu 2,55%. Mas não escapou dos estrangeiros, responsáveis por esse desempenho, a forte volatilidade na volta do feriado, na quinta-feira.

O risco institucional parece superado. Algumas manifestações pedem golpe, mas o perigo é outro: o desabastecimento, como alertado por diversas associações setoriais. Caso se concretize, pode adiar a queda de juros, projetada por parte do mercado para o começo de 2023. A falta de produtos eleva a pressão de alta no 1PCA.

COP 27
O Globo 
(06/11) ressaltou a presença do Brasil na COP27, no Egito. Além de estande da sociedade civil, o país participa com espaços dos governadores amazônicos e do governo atual. A reportagem avalia que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deve roubar a cena. Ele deve chegar ao Egito na segunda semana do evento. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, não são esperados grandes anúncios, mas a presença do petista “é contundente por si só”.

Em O Estado de S. Paulo (06/11), especialistas avaliaram que os debates da COP27 devem sofrer a interferência das discussões sobre a guerra na Ucrânia e a falta de financiamento para os países em desenvolvimento. Em contraponto, a reportagem situou que a expectativa internacional é que esta seja a COP da justiça climática e da implementação dos acordos.

Copa do Mundo
Folha de S.Paulo 
(06/11) relatou que as redes varejistas apostam alto para vender TVs antes da Copa do Mundo. A intenção é fazer com que os brasileiros troquem os aparelhos, cujas vendas recuaram 22% no ano passado.

Segundo Fernando Baialuna, diretor de negócios e varejo da GfK, consultoria especializada no mercado de eletroeletrônicos, a expectativa é que nesta Copa sejam vendidas 1,5 milhão de unidades.

Transição
Os principais jornais repercutiram no domingo que o economista André Lara Resende aceitou o convite para integrar a equipe de transição do presidente eleito Lula. O ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida também foi convidado para compor o grupo. A expectativa é de que ele também aceite. Publicações ressaltaram que Lara Resende e Arida são “pais” do Plano Real.

PEC da Transição
O Estado de S. Paulo 
afirma que a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu adotar o “plano A” e apresentar uma PEC ao Congresso dando a Lula uma licença para gastar e cumprir as promessas de campanha depois da posse. A decisão foi tomada por integrantes da cúpula de transição com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin em uma reunião neste domingo, 6, em São Paulo.

O texto da PEC da Transição será apresentado a Lula por Alckmin nesta segunda, 7. Estará nas mãos de Lula bater o martelo na terça, 8, quando viaja a Brasília para comandar os trabalhos da transição. A equipe do futuro governo descartou a possibilidade de adotar o “plano B” e abrir um crédito extraordinário no Orçamento para pagar Bolsa Família de R$ 600 em 2023 por meio de medida provisória, sem passar pelo Congresso antes. A mudança constitucional também poderá abrir espaço para o governo cumprir a promessa de dar reajuste do salário mínimo acima da inflação.

Congresso
O Estado de S. Paulo 
situa que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai negociar, a partir de 1º de janeiro, com um Congresso em processo de contração partidária. O número de legendas na Câmara passou de 30 para 19 nestas eleições, e ainda pode ser menor. Como reflexo, o número de siglas com poder real de negociação chegou a níveis de 2006, após mais do que dobrar em 20 anos. Para analistas, as fusões e federações facilitam o diálogo com o governo.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 1,24%, cotado a R$ 5,06. Euro subiu 0,86%, chegando a R$ 5,04. A Bovespa operou com 118.155 pontos, alta de 1,08%. Risco Brasil em 259 pontos. Dow Jones subiu 1,26% e Nasdaq teve alta de 1,28%.

Valor Econômico
Renda do trabalhador tem recuperação, mas desigual

O Estado de S. Paulo
Congresso reduz número de siglas e facilita base para Lula

Folha de S.Paulo
PT quer deixar correção do Imposto de Renda para 2023

O Globo
Bancos públicos terão foco inicial em endividados, MEI e ação social

Correio Braziliense
Denúncias raciais crescem no DF e desafiam a sociedade

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