Monitor – 5 de janeiro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
05/01/23 | nº 816 | ANO IV |  www.cnc.org.br
O Globo afirma que a proposta do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de acabar com o saque-aniversário do FGTS pode impactar a atividade econômica e gera dúvidas aos cerca de 29 milhões de trabalhadores que aderiram à modalidade, especialmente aos 12,1 milhões deles que pegaram empréstimos dando os recursos como garantia. Segundo a Caixa Econômica Federal, já foram contratados R$ 76,8 bilhões neste modelo de crédito.

Os números mostram que mais de um quarto dos trabalhadores do país aderiu à modalidade de saque do FGTS criada no governo de Jair Bolsonaro. Hoje, em torno de 107 milhões de brasileiros têm conta ativa no Fundo.

A reportagem ressalta que dados da CNC mostram que 78,9% das famílias estavam endividadas em novembro. Na média, o brasileiro precisou gastar 30,4% de toda a sua renda para quitar dívidas, sem contar as contas de consumo. Ao mesmo tempo, a inadimplência chegou a 30,3% das famílias.

Guilherme Mercês, diretor de Economia e Inovação da CNC, concorda que retirar o benefício pode ser um entrave para o consumo das famílias e também para a redução das dívidas. “O endividamento das famílias já estava apertando o orçamento. Depois da pandemia, ficou ainda mais caro atrasar o pagamento por conta do aumento na taxa de juros. Sem mais essa alternativa para manter o consumo imediato, a expectativa é de mais endividamento e inadimplência”.

A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) relata que o ministro Paulo Guedes não deixou saudades para o setor de alimentação fora do lar. O motivo: a portaria baixada em 29 de dezembro que exclui bares e lanchonetes do rol de empresas no Perse. Presidente da Abrasel, Paulo Solmucci diz se tratar de uma decisão incompreensível, que atinge em cheio milhares de empresas, colocando sua sobrevivência em risco, depois do sacrifício de os estabelecimentos terem ficado tanto tempo de portas fechadas pelo bem coletivo. Em sintonia com a Abrasel, o presidente do Sindhobar, Mel Silva, diz que já existe uma solicitação feita junto à CNC para uma audiência com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad com vistas à revisão dessa portaria.

No Valor Econômico, a coluna Comércio em Pauta, produzida pela CNC, registra que o presidente da Confederação, José Roberto Tadros, participou da posse do vice-presidente Geraldo Alckmin como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Tadros enfatizou o perfil do ministro, considerado por ele um político íntegro, honesto e decente, como um ativo importante para uma melhor interlocução com os setores produtivos do país.

Conteúdo também relata que o Sesc encerrou 2022 com 24 novos espaços abertos ao público e que o Paraná ganhou uma unidade integrada Sesc-Senac.

Previdência
Valor Econômico 
relata que, mesmo com a reforma da Previdência em 2019, o governo deve desembolsar R$ 363 bilhões para conseguir cobrir o rombo da previdência dos trabalhadores que contribuem para o INSS, servidores públicos e militares neste ano. A conta considera um resultado negativo de R$ 267,2 bilhões no INSS, de R$ 47,3 bilhões dos servidores públicos e R$ 48,5 bilhões dos militares.

Os dados mostram, conforme especialistas na área, que a reforma da Previdência Social tem atingido o objetivo de impedir o ritmo de crescimento explosivo das despesas, porém, o déficit continua elevado e pressionando as contas públicas, apesar das declarações do novo ministro da Previdência, Carlos Lupi, de que a previdência não é deficitária.

Tesouro
Folha de S.Paulo 
traz que o novo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirma que a nova equipe econômica do governo Lula trabalha para reverter a trajetória explosiva da dívida pública que se desenha diante do déficit de R$ 231 bilhões previsto no Orçamento deste ano. Ele assumiu o compromisso de evitar que o endividamento ultrapasse o patamar de 80% do PIB.

“Se nada for feito, pode atingir de fato uma trajetória explosiva, mas não é o que vai acontecer”, diz. As frentes de atuação incluem revisão de desonerações e de despesas. Ceron também indica a possibilidade de a nova regra fiscal dar flexibilidade a investimentos públicos, mas prever limitação maior para despesas correntes (que incluem salários e benefícios).

Consignado do Auxílio
O Estado de S.Paulo 
informa que o Idec enviou ao Ministério da Justiça ofício pedindo a suspensão e a revisão dos contratos existentes de crédito consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil. A instituição, que desde o início se posicionou contra a medida lançada durante o período eleitoral, propõe isenção da cobrança de juros e a ampliação do prazo de pagamento.

No documento, o Idec propõe a suspensão imediata das operações; a integração, pela Caixa, dos contratos de bancos privados pelo valor principal; isenção da cobrança de juros; e uma investigação dos 3,5 milhões de contratos e das condições em que foram firmados. O Idec propõe ainda um fundo para o pagamento de beneficiários que não permanecerem no Bolsa Família. O governo Lula estuda oferecer algum tipo de anistia às dívidas dos beneficiários do programa em razão da situação de fragilidade do público-alvo dessa modalidade de crédito.

Desenrola
Valor Econômico 
afirma que o Desenrola, programa de renegociação de dívidas que o governo pretende lançar neste mês, ainda gera muitas incertezas. Não está claro quem vai operá-lo, se haverá um teto de juros e exatamente quais tipos de crédito serão incluídos. Um ponto em aberto é o consignado no Auxílio Brasil. Enquanto isso, o Goldman Sachs divulgou um relatório afirmando que os grandes bancos brasileiros têm capital para lidar com o Desenrola. Ainda assim, a medida poderia afetar a rentabilidade das instituições.

O projeto prevê que pessoas com renda inferior a três salários mínimos poderiam renegociar dois tipos de dívida: não bancárias, com o governo bancando a criação de um fundo garantidor, para que esses débitos sejam renegociados com um desconto; e bancárias sem garantia, com os bancos tendo uma compensação nos depósitos compulsórios. Ainda assim, segundo os analistas do banco, nesse caso seria preciso o governo chegar a um consenso com o BC, que é independente.

Petrobras
Na Folha de S.Paulo, manchete destaca que o senador Jean Paul Prates (PT), indicado para comandar a Petrobras, defendeu ontem uma revisão da política de preços da empresa quanto à chamada paridade de importação — fator que considera frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias —, mas negou intervenção direta.

Segundo Prates, os valores praticados pela companhia vão acompanhar os internacionais. Ele apontou, porém, que vai rever a forma como se calcula a necessidade de reajustes, uma vez que “não faz sentido” atrelar as cotações de combustível produzido nacionalmente a custos de importação.

O conteúdo frisa que o mercado reagiu bem à declaração do senador de que não pretende fixar preços. As ações da Petrobras chegaram a subir mais de 5% e fecharam em alta de 3,17%, puxando o Ibovespa (aumento de 1,12%).

Delivery
Painel S.A. (Folha de S.Paulo) 
conta que a 99Food decidiu encerrar sua operação de delivery com entregadores parceiros do app no Brasil. O fechamento vai acontecer no dia 28 de fevereiro.
A empresa já começou a comunicar os restaurantes e entregadores de todos os estabelecimentos cadastrados no aplicativo para todas as cidades em que ela opera.

Coluna ressalta que o mercado de delivery tem atravessado uma série de turbulências como as brigas concorrenciais levadas ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a desistência de concorrentes do mercado, como a Uber, que há um ano anunciou o fim de seus serviços de entrega de refeições de restaurantes pelo Uber Eats no Brasil. A marca era a segunda colocada no mercado, atrás do iFood e na frente da Rappi.

Nos próximos meses, também vai crescer a discussão sobre regulação dos trabalhadores por aplicativos, uma promessa do governo Lula que, se for adiante, deve ser um outro assunto com potencial de mexer no mercado.

Varejo
Coluna do Broadcast (O Estado de S. Paulo)
 registra que as ações de varejistas e de empresas ligadas ao consumo subiram ontem na B3, após a desaceleração do movimento de alta dos juros futuros, em meio às notícias de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará a primeira reunião ministerial do novo governo a fim de alinhar os discursos. A Natura teve a maior valorização do Ibovespa (8,89%). Pão de Açúcar subiu 4,89%, Grupo Soma, 4,69%, e Americanas ON, 2,46%.

Reunião ministerial
Principais jornais destacam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunirá pela primeira vez seus 37 ministros amanhã, na tentativa de conter a sucessão de divergências públicas entre seus principais auxiliares. Ontem, o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), desautorizou declarações do titular da Previdência, Carlos Lupi (PDT), sobre uma possível revisão da reforma previdenciária de 2019.

Meio Ambiente
Principais jornais reportam que a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, anunciou, na posse mais concorrida até agora, a criação de quatro secretarias, inclusive a de Combate ao Desmatamento, e da Autoridade Nacional de Mudança Climática, além da reincorporação de órgãos repassados a outras pastas na gestão Bolsonaro.

MDIC
Imprensa também registra que o vice-presidente, Geraldo Alckmin tomou posse nesta quarta-feira (4) como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em uma cerimônia concorrida no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin defendeu enfaticamente um processo de reindustrialização no país que seja pautado pelo desenvolvimento sustentável e com justiça social.

Turismo
Folha de S.Paulo 
expõe que integrantes do governo veem desgaste na ligação de Daniela Carneiro (União Brasil), titular do Turismo, com miliciano, mas ministros descartam troca na pasta. Petistas admitem que o elo deve ser usado para pressionar a União Brasil a votar com a base no Congresso.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,01%, cotado a R$ 5,45. Euro subiu 0,38%, chegando a R$ 5,78. A Bovespa operou com 105.334, alta de 1,12%. Risco Brasil em 256 pontos. Dow Jones subiu 0,40% e Nasdaq teve alta de 0,69%.

Valor Econômico
Após sucessão de ruídos, Lula prepara freio de arrumação

O Estado de S. Paulo
Em reunião, Lula vai enquadrar ministros e centralizar decisões

Folha de S.Paulo
Prates descarta intervir em preços da Petrobras

O Globo
Lula vai reunir ministros para evitar novas divergências

Correio Braziliense
Marina Silva quer revogar “boiadas” no meio ambiente

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