Monitor – 5 de fevereiro de 2024

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo03 a 05/02/24 | nº 1086 | ANO VI |  www.cnc.org.br
Em entrevista ao Jornal do Comércio (RS), o 2º vice-presidente da CNC, Luiz Carlos Bohn, afirma que a revisão de benefícios fiscais concedidos a 64 setores da economia gaúcha pelo governo Eduardo Leite (PSDB) deve ser o debate permanente durante o ano. Ele não acredita que o Palácio Piratini retrocederá integralmente, mas tem esperança de que haja espaço para rever algum ponto da redução de incentivos. Para isso, confia que a tentativa de convencimento de deputados estaduais surtirá efeito, e os empresários poderão ter, na Assembleia Legislativa, uma aliada. Bohn também defende que os recursos oriundos da privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) devam ser destinados para investimentos, e não gasto corrente.Correio Braziliense ressalta que os preparativos para o carnaval 2024 começaram em todo país e a expectativa é pelo aquecimento da economia. Segundo a CNC, 66,6 mil vagas são esperadas para o período. De acordo a entidade, as festividades movimentam cerca de R$ 9 bilhões no turismo – aumento de 10% em relação ao ano passado. Correio da Manhã (RJ) publica que o percentual de famílias com dívidas (em atraso ou não) do país subiu para 78% em janeiro último, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC. Em janeiro de 2023, o patamar do indicador era de 78%.Ontem, Folha de S.Paulo observou o desempenho da economia brasileira no final de 2023 e início de 2024, indicando um ritmo de crescimento lento, com expectativas de expansão em torno de 1,5% para o ano, metade do registrado em 2023.Institutos e consultorias projetam uma taxa de crescimento negativa ou muito baixa do PIB no último trimestre de 2023 e expectativas semelhantes para o primeiro trimestre de 2024. Felipe Tavares, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, afirma que recentemente revisou para baixo sua expectativa de crescimento do PIB (para 1,1%) e das vendas do comércio (1,6%) neste ano.
SaláriosManchete em O Globo reporta que o peso dos lucros de negócios e de outros ganhos fica cada vez maior no PIB enquanto a porção dos salários e contribuições dos trabalhadores vem caindo no Brasil desde 2017. A reportagem detalha que em 2016, a renda dos assalariados chegou ao pico: 44,7% do PIB. Desde então, caiu abaixo de 40%, afastando o Brasil do perfil das economias mais desenvolvidas e evidenciando a alta desigualdade. De acordo com o PIB medido pelo IBGE pela ótica da renda, essa fatia chegou a 39,2% em 2021, último dado disponível, o menor desde 2004. Para especialistas, ainda não houve recuperação. Por outro lado, o excedente operacional bruto, que corresponde ao lucro das empresas, fez movimento contrário. Passou de 32,1% em 2015 para 37,5% do PIB brasileiro em 2021, maior fatia da série histórica, iniciada em 2000. CrimeManchete em O Estado de S. Paulo revela que o PIB brasileiro poderia crescer 0,6 ponto porcentual a mais ao ano se o nível de criminalidade recuasse para o da média mundial, segundo estudo conduzido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com Rodrigo Valdés e Rafael Machado Parente, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI e economista do Fundo, respectivamente, “o crime afeta diretamente a vida de milhões de pessoas, impondo grandes custos sociais”. Na América Latina, a violência tem um impacto econômico um pouco menor, de 0,5 ponto percentual. O cenário é bastante delicado para o Brasil, até mesmo quando comparado com os demais países da região como um todo. Outras áreasO Estado de S. Paulo complementa que o Brasil e outros países da região despejam recursos na área de segurança que poderiam ser mais bem aplicados se destinados para outras áreas, como saúde e educação, o que também acarreta perdas para trabalhadores e companhias. Segundo pesquisadores do FMI, “o crime prejudica a acumulação de capital, possivelmente afastando investidores que temem roubo e violência, e diminui a produtividade da economia, desviando recursos para investimentos menos produtivos, como aqueles que aumentam a segurança de propriedades privadas”. A reportagem menciona que para as empresas, a violência pode representar aumento de custos de produção o seguro para fretes, por exemplo, costuma ser mais alto em lugares violentos. Recuperação judicialManchete no Valor Econômico revela nova alta no número de pedidos de recuperações judiciais no país.  O ano de 2023 terminou com 4.045 empresas efetivamente em processo de reestruturação, índice considerado alto por especialistas, e um recorde no volume de pedidos. Conforme dados da Serasa Experian, foram registrados 1.405 ao longo do ano, um aumento de quase 70% em relação a 2022. É o quarto índice mais alto de pedidos registrado pelo levantamento desde o início da série histórica, em 2005, e o maior volume desde 2020. Foco na economiaFolha de S.Paulo assinala que, com o início do ano legislativo, hoje, parlamentares afirmam que o Congresso Nacional deverá priorizar em 2024 pautas econômicas, a exemplo do ano passado. A reportagem cita avaliação de que haverá um tempo mais curto para apreciação dessas matérias por causa das eleições municipais, o que exigirá um esforço concentrado de parlamentares e da articulação política do governo federal. O diário paulista inclui haver uma insatisfação de deputados e senadores com medidas tomadas pelo governo, como o veto a R$5,6 bilhões em emendas de comissão dos parlamentares no Orçamento de 2024. Correio Braziliense avança em frente semelhante.Comércio exteriorCorreio Braziliense inclui entrevista com a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, que destaca as estratégias para atingir meta de US$ 1 trilhão na corrente de comércio até o fim da década. Ela explica que “a corrente de comércio teria que aumentar cerca de 10% ao ano até 2030, um desafio relevante”. “Queremos aproveitar este ano para fortalecer a agenda da sustentabilidade”, acrescenta. A secretária revela haver uma oportunidade de contribuição de investimentos chineses para o esforço brasileiro de política industrial e eletromobilidade. Prazeres ressalta, no entanto, que a transição energética climática é um processo. Taxação no destinoNo Valor Econômico, a experiência internacional será base para definir, na regulamentação da Reforma Tributária, o princípio de destino, segundo o secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy. A reforma aprovada estabelece que os tributos sobre o consumo são devidos no destino (onde ocorre o consumo), e não mais na origem (onde o produto é fabricado). Porém, são muitas as dúvidas entre os secretários estaduais e municipais de Fazenda sobre como essa alteração será feita. Além disso, segundo o secretário de Fazenda do Paraná, Renê Garcia Jr., há discussões também sobre como será feita a fiscalização. Ele disse que a regulamentação deverá ter atenção para que não fiquem “lacunas” na cobrança dos impostos.Fumo e armasFolha de S.Paulo situa que empresas dos setores de fumo e de armas receberam benefícios fiscais de mais de R$ 180 milhões em 2021, referentes a valores que deixaram de ser arrecadados em tributos federais e de incentivos relacionados a programas governamentais. Conforme a reportagem um grupo de nove empresas da indústria bélica recebeu benefícios de R$ 133,8 milhões no mesmo ano. A maior renúncia, de R$ 95,4 milhões, foi concedida para a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). A Taurus foi beneficiada em R$ 30,3 milhões. Entre as empresas ligadas à produção de cigarros, as maiores renúncias são da Tobacco House e Philip Morris, fabricante do Marlboro, com cerca de R$ 9 milhões em benefícios para cada. No total, o setor reduziu pagamentos de tributos de R$ 47,4 milhões.IBGECorreio Braziliense traz entrevista com o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, que estuda métodos de trabalho para modernizar o órgão e seguir os padrões internacionais de coleta de dados. Ele afirmou que o esforço se concentra em atualizar a metodologia do PIB, com previsão de apresentação neste ano. Segundo Pochmann, novos tipos de trabalho devem ser incluídos na relação de serviços.
CalçadosO Estado de S. Paulo informa que o setor calçadista fechou 20,75 mil postos de trabalho em 2023, maior volume de demissões desde 2020, durante a pandemia, quando a atividade perdeu 23 mil vagas, segundo a Associação Brasileiras das Indústrias de Calçados (Abicalçados). As empresas do ramo encerraram o ano com 275,58 mil trabalhadores, 7% a menos do que em 2022.Segundo o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o setor sofreu impacto do desaquecimento da economia internacional, com queda nas exportações, e também do aumento das importações de calçados da Ásia.Marcas no CarnavalO Estado de S. Paulo também reverbera que empresas de setores pouco tradicionais no Carnaval investem na folia com patrocínios de blocos e escolas de samba para ampliar o alcance de seus negócios.Nomes como Needs – do grupo RD Raia Drogasil –, Novex, Caju e Colgate entre outros, são alguns dos buscam espaço no meio da folia. Para especialistas em marcas ouvidos pelo Estadão, a participação no Carnaval, se feita com planejamento, pode catapultar as companhias a novos patamares de relação com o consumidor brasileiro.Empregos verdesEm outra frente, Valor Econômico veicula que o Brasil vê uma demanda maior pelos chamados “empregos verdes”, como aqueles relacionados a energias renováveis, conformidade ambiental, eficiência energética e conservação da natureza. Segundo levantamento feito pelo LinkedIn, o ritmo de contratação de “talentos verdes” em 2023 foi duas vezes maior que o da contratação geral no Brasil, superando a taxa de contratação verde em outros países, como EUA (44%), Reino Unido (30%), Espanha (28%), França (25%) e Alemanha (19%). A pesquisa identificou que, globalmente, a taxa de contratação para empregos verdes ficou 24% acima do recrutamento geral.Crédito direcionadoEm artigo em O Estado de S. Paulo, Claudio Adilson Gonçalez, economista, pontua que desde que o governo divulgou as bases gerais de sua política industrial, tem surgido debate sobre impactos da possível expansão fiscal e, principalmente, do aumento do crédito direcionado sobre a taxa real de juros de equilíbrio (taxa neutra). O especialista explica que o crédito direcionado equivale a cerca de 40% do crédito total. Mas esse percentual se refere ao estoque (saldos), e não ao fluxo de concessões que, salvo melhor juízo, é o que mais afeta a política monetária. Gonçalez considera precipitado afirmar que a política industrial anunciada terá impacto relevante na trajetória da Selic.ChinaOntem, O Estado de S. Paulo destacou como a China está contribuindo para a queda da inflação global de bens de consumo, incluindo no Brasil. Com seus produtos cada vez mais baratos, a China está exportando deflação, o que ajuda a controlar a inflação em todo o mundo. Isso impacta especialmente as economias emergentes, onde os bens têm maior peso nos índices de inflação.A competição direta e a oferta de insumos mais baratos da China estão reduzindo os preços de diversos produtos, incluindo eletrônicos, vestuário e materiais de construção.Além disso, a indústria chinesa enfrenta dificuldades tanto no mercado doméstico, devido à cautela dos consumidores, quanto no exterior, perdendo vendas para outros países devido a mudanças nas relações comerciais e aos juros mais altos.DesinflaçãoEm reportagem relacionada, Estadão expôs o papel da China na desinflação global de produtos industriais e a consequente influência nos movimentos monetários de diversos países. Embora a China tenha contribuído para a desaceleração da inflação global de produtos industriais, os economistas acreditam que seu impacto no ciclo monetário global será limitado.A China continua desempenhando um papel importante na manutenção da inflação de bens industriais baixa, mas os bancos centrais estão mais preocupados com a inflação de serviços.Além disso, a China está se tornando menos influente nas economias desenvolvidas devido à descentralização das fontes de fornecimento e aos movimentos de nearshoring e friendshoring. No entanto, os riscos geopolíticos, como o conflito no Mar Vermelho e a instabilidade no Oriente Médio, limitam o potencial de redução mais expressiva na inflação de produtos.AuditoresAinda no domingo, O Estado de S. Paulo registrou que a greve dos auditores fiscais está impactando negativamente o comércio exterior brasileiro, causando atrasos significativos no desembaraço de cargas nas áreas aduaneiras.Um ofício enviado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relata que os atrasos chegam a ser quatro vezes maiores que o normal. Há preocupações com o risco de desabastecimento de insumos essenciais para a indústria e o agronegócio.A greve, iniciada em novembro, exige a regulamentação de uma lei que instituiu o pagamento de um bônus de produtividade e tem se intensificado em portos, aeroportos e pontos de fronteira.EmpregoEm editorial, O Estado de S. Paulo abordou (03/02) a situação do mercado de trabalho no Brasil em 2023, destacando a taxa de desemprego de 7,8% e a criação de quase 1,5 milhão de empregos formais. No entanto, ressalta que o mercado ainda está longe de uma reativação que acompanhe a melhoria da renda e da qualificação.O texto trata da queda da taxa de desemprego em parte devido à redução da participação da força de trabalho, além de enfatizar a necessidade de relativizar os dados para uma compreensão mais precisa da situação.O editorial também destaca a importância da qualificação profissional e da educação como elementos essenciais para uma reconstrução adequada do mercado de trabalho e um crescimento econômico sustentado.
PressãoManchete na Folha de S.Paulo destaca que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que não pretende ceder à pressão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), contra o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Conforme Folha, Lira tem elevado o tom e avisou a interlocutores de Lula que, sem a troca, a pauta do governo na Câmara não avançaria. Segundo auxiliares de Lula, uma mudança neste momento sinalizaria um empoderamento maior de Lira, em detrimento a um enfraquecimento do próprio Executivo. O chefe do Executivo tem indicado que pretende insistir em planos que desagradam à cúpula parlamentar, como voltar a ter maior controle sobre as emendas e que esses recursos possam ser direcionados ao Novo PAC.CentrãoO Estado de S. Paulo mostra que nomeações dos ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e André Fufuca (Esporte) pouco ajudaram o governo Lula a garantir votos das bancadas do Republicanos e do PP na Câmara. Segundo Estadão, os deputados de ambos os partidos aumentaram a taxa de votos conforme a orientação do governo em apenas 4,4 e 8,5 pontos percentuais, respectivamente, após as nomeações, em 13 de setembro passado. Analistas apontam que o aumento das emendas parlamentares nos últimos anos pode ter corroído o valor dos ministérios como moeda de troca entre governo e Congresso. Em 2024, o montante total das emendas parlamentares atingiu novo recorde, R$ 47,8 bilhões. EmendasO Globo publica entrevista com a presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), que afirmou que os R$ 53 bilhões aprovados pelo Congresso para as emendas parlamentares são um “ultraje” e defendeu que a sociedade pressione o Parlamento a conter o avanço na gestão do Orçamento. Gleisi, antagonista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no debate econômico, reiterou que a meta a ser perseguida seja de crescimento econômico, não de déficit zero.
Para a dirigente, os números terão impacto no discurso eleitoral do PT, que deseja aumentar a quantidade de prefeituras e vai manter o embate acirrado com o bolsonarismo, já pensando em 2026.
Na sexta-feira (2), o Ibovespa caiu após dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que enfraqueceram ainda mais apostas de um corte nos juros norte-americanos ainda no primeiro trimestre e ainda colocou dúvidas de que a redução das taxas possa ser postergada de maio para junho, o que levou a uma pressão adicional para o mercado. O principal índice brasileiro recuou 1,01%, acumulando queda de 1,38% na semana. O dólar, com a alta dos treasuries, ganhou força frente ao real, com alta de 1,08%, a R$ 4,968 na compra e na venda. Já o euro fechou o dia com alta de 0,35%, cotado a R$ 5,362 na compra e na venda.

Valor EconômicoNúmero de pedidos de recuperação judicial tem alta de 70% em 2023O Estado de S. PauloPIB cresceria 0,6 ponto porcentual a mais se o Brasil reduzisse crimeFolha de S.PauloSob pressão, Lula segura Padilha e confronta LiraO GloboParticipação dos salários no PIB é a menor em 19 anosCorreio BraziliensePMs do DF vão testar câmeras corporais no trânsito

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