Monitor – 4 de maio de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
04/05/22 | nº 646 | ANO IV |  www.cnc.org.br

Valor Econômico afirma que o Dia das Mães, data mais importante para o varejo no primeiro semestre, deve ser de maior procura por promoções e “lembrancinhas” neste ano, com o bolso do consumidor mais pressionado pelo aumento da inflação e dos juros básicos.

Reportagem registra que a CNC estima que as vendas do Dia das Mães movimentem menos dinheiro do que em 2021, mas superem o resultado do período pré-pandemia. A entidade projeta uma receita de R$ 14,42 bilhões no varejo, durante a primeira quinzena de maio, 2% abaixo dos R$ 14,68 bilhões faturados no mesmo intervalo do ano passado e 17,1% acima do alcançado no mesmo período de 2019 (R$ 12,3 bilhões).

A projeção menos otimista da CNC para este ano se deve aos segmentos especializados na venda de utilidades domésticas e eletroeletrônicos e móveis e eletrodomésticos, que devem movimentar R$ 2,33 bilhões e R$ 2,29 bilhões, respectivamente, no Dia das Mães com recuos de 9,3% e 9,5% em relação a 2021. Essas categorias têm produtos de tíquete médio mais alto e dependem mais da disponibilidade de crédito. O fôlego também é menor porque os dois segmentos viram suas vendas crescerem ao longo dos últimos anos de isolamento social.

Reportagem do Correio Braziliense avalia que, ao encarecer ainda mais o custo do crédito, elevação continuada da taxa Selic, que deve chegar hoje a 12,75% ao ano, vai conter o consumo das famílias e anular o efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, dizem analistas.

A mediana das estimativas dos analistas consultados no boletim Focus, do Banco Central, prevê avanço de 10% do PIB de 0,70%, com a taxa Selic encerrando dezembro em 13,25%. Com taxas de juros nesse patamar, o consumo das famílias, principal motor do PIB, não vai decolar. Conforme dados da CNC, o endividamento das famílias atingiu novo pico histórico em abril, de 77,7%. E, segundo dados do Banco Central, o comprometimento da renda das familias com dividas chegou a 52,6% maior patamar desde o inicio da série, em janeiro de 2005. Por conta disso, analistas destacam que o brasileiro dificilmente vai querer contrair mais dívidas para comprar um carro ou trocar o eletrodoméstico, mesmo com a ampliacáo de 25% para 35% do corte no IPI, recém anunciado pelo governo.

Jornal acrescenta que Fabio Bentes, economista senior da CNC, prevê mais uma ou duas altas da Selic, o que será ruim para um cenário de PIB fraco. “E ainda temos a deterioração das condições econômicas. Um ano eleitoral sempre cria distúrbios nos principais indicadores. O emprego tem recuado lentamente e o rendimento do trabalhador está caindo. Isso significa um estimulo a menos para a ampliação do consumo, que também se retrai diante de um cenário com juros cada vez mais mais altos”, explicou Bentes.

Pelas estimativas dele, o consumo praticamenta não deve aumentar neste ano, pois a taxa prevista pela CNC, de 0,9%, é, basicamente, o crescimento vegetativo.

Desonerações
O Estado de S.Paulo 
explica que medidas tomadas pelo governo Bolsonaro de desoneração tributária, em pleno ano eleitoral, têm potencial de retirar R$ 57,4 bilhões do caixa de Estados e municípios entre 2022 e 2023, segundo cálculos do Estadão/broadcast a partir de dados obtidos com exclusividade com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz).

As medidas frustrariam a continuidade da capacidade de governadores e prefeitos de financiar investimentos públicos. Para os governadores, o problema seria maior porque o ano é eleitoral, e muitos tentam a reeleição ou a vitória dos seus aliados.

Um dos problemas é que o governo tem cortado tributos que têm arrecadação compartilhada com os Estados e os municípios. Uma “reforma tributária” particular, segundo os críticos, aproveitando a arrecadação recorde que, segundo o presidente Jair Bolsonaro, ficará R$ 300 bilhões acima do previsto.
Somente com a redução do imposto estadual sobre gasolina, diesel, álcool e gás, haverá uma frustração de receita dos Estados de R$ 30,9 bilhões caso a medida seja mantida pelos governadores até o fim de 2022. Essa medida, aprovada pelo Congresso, teve como “padrinho” o governo Bolsonaro para reduzir o impacto da alta de preços do petróleo na bomba.

Desemprego
Valor Econômico
 reporta que, segundo estudo inédito conduzido por pesquisadores da USP e do Insper, regra considerada polêmica da reforma trabalhista de 2017 reduziu taxa de desemprego em 1,7 ponto porcentual após sua implementação.

O ponto se refere ao mecanismo que transfere ao trabalhador os custos com o advogado das empresas em caso de derrota na Justiça.

Segundo o estudo, em 2018, primeiro ano cheio das mudanças nas regras, esse incremento na taxa de emprego teria sido suficiente para gerar 1,7 milhão de vagas.

Selic
Folha de S.Paulo
 indica que é consenso entre os economistas que o Copom deve anunciar hoje nova alta de 1 ponto percentual da Selic. No entanto, a previsibilidade não se aplica às expectativas do fim do ciclo do aperto monetário. A mediana das estimativas da pesquisa Focus é de uma Selic em 13,25% ao ano em 2022. No entanto, alguns já veem risco de a taxa avançar acima de 14%, enquanto aqueles que não estão vinculados ao mercado financeiro consideram que o BC já foi até longe demais.

Distribuição de combustíveis
Valor Econômico 
conta que a gaúcha SIM, que atua em distribuição de combustíveis e opera uma rede com 150 postos na região Sul do país, chegou a São Paulo com a compra da Destra, distribuidora autorizada de óleo lubrificante da Petronas. A aquisição marca a entrada do grupo no mercado paulista, onde pretende ampliar a presença ainda neste ano, ao mesmo tempo em que coloca a SIM entre as cinco maiores distribuidoras de lubrificantes no Brasil.

Petrobras
Chamada de capa em O Estado de S. Paulo destaca a primeira entrevista exclusiva com o novo presidente da Petrobras, o engenheiro José Mauro Coelho, terceiro a assumir o comando da estatal no governo atual. O executivo defende a política de preços da petroleira e nega qualquer pressão de Jair Bolsonaro para alterar essa rota. “O presidente não me pediu absolutamente nada específico. Só pediu para eu conduzir a companhia.”

Coelho deixa claro que enxerga como pacificadas as discussões em torno dos reajustes de combustíveis. “Acho que o presidente já entendeu muito bem a questão de preço de mercado”, diz. Segundo ele, é injusto culpar a estatal pela alta nos postos. No cargo há menos de 20 dias, o executivo já identificou que o principal desafio à frente da estatal será melhorar a comunicação da empresa com a sociedade.

Dia das Mães
Painel S.A. (Folha de S.Paulo) 
conta que o levantamento anual da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) sobre a expectativa de compras de presentes para o Dia das Mães mostrou uma redução na parcela dos que pretendem presentear em 2022. Cerca de 50% dos entrevistados pretendem ir às compras para o final de semana, ante 59% no ano passado. A queda é atribuída a fatores como inflação e endividamento.

Coluna acrescenta que, depois das restrições da pandemia, agora os lojistas da região da 25 de Março, no centro de São Paulo, sentem os reflexos da inflação e da queda na renda dos brasileiros, principalmente na venda em grande quantidade, feita no atacado.

O movimento para o Dia das Mães, que costuma aumentar na metade de abril, ainda está fraco, segundo Claudia Urias, diretora-executiva da Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências). Segundo ela, a região, que normalmente recebe de 800 mil a 1 milhão de consumidores na data, tem registrado 100 mil neste ano. A aposta é nas compras de última hora, após o quinto dia útil do mês, mas as sacolas devem carregar apenas lembrancinhas.

Ainda na Folha de S.Paulo, reportagem também aborda a questão, destacando que de segunda data mais importante para o varejo nacional, só depois do Natal, a efeméride perdeu a vice-liderança nos últimos anos para a Black Friday, em novembro. Isso não significa que os filhos, de maneira geral, estejam negligenciando a data, mas eles têm se mostrado menos animados a gastar muito. Aliado a esse comportamento, está a atual inflação em dois dígitos: dado mais recente do IPCA-15 mostrou uma alta acumulada de 12,03% em 12 meses, a maior desde novembro de 2003.

TSE
Nos últimos oito meses, as Forças Armadas enviaram cinco ofícios sigilosos ao TSE com 88 questionamentos sobre supostos riscos e fragilidades que, na visão dos militares, podem expor vulnerabilidades do processo eleitoral, revela O Estado de S. Paulo. A maioria das perguntas reproduz o discurso eleitoral de Jair Bolsonaro, que tem colocado em dúvida a segurança das urnas eletrônicas e mantido a atuação da Corte sob suspeita.

Eleições 2022
O Estado de S. Paulo 
relata que as cúpulas do PSDB e do MDB admitem um acordo para indicar o ex-governador João Doria como vice da senadora Simone Tebet (MS). Os dois partidos estabeleceram o dia 18 de maio como prazo final para anunciar o desfecho das negociações. Doria, porém, resiste a abrir mão da cabeça de chapa e aliados dizem que pretendem lançar uma chapa pura caso as conversas com outras forças políticas não prosperem.

STF
Principais jornais registram que o presidente do STF, Luiz Fux, reuniu-se como presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e depois com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Oliveira, para tratar de eleições. A Corte divulgou nota sobre harmonia entre Poderes. Oliveira, que esteve com Bolsonaro, citou as “missões constitucionais das Forças Armadas”.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 2,15%, cotado a R$ 4,96. Euro caiu 1,95%, chegando a R$ 5,22. A Bovespa operou com 106.528 pontos, queda de 0,1%. Risco Brasil em 305 pontos. Dow Jones subiu 0,20% e Nasdaq teve alta de 0,22%.

Valor Econômico
Amazônia sofre com violência e falta de opções para jovens

O Estado de S. Paulo

Em 88 perguntas ao TSE, militares repetem discurso de Bolsonaro

Folha de S.Paulo

Em texto, Supremo dos EUA apoia tirar garantia a aborto

O Globo

Bolsa perde R$ 7,7 bi de investidores estrangeiros

Correio Braziliense

Do encontro sexual marcado no aplicativo ao golpe no Pix

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