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Valor Econômico afirma que o Dia das Mães, data mais importante para o varejo no primeiro semestre, deve ser de maior procura por promoções e “lembrancinhas” neste ano, com o bolso do consumidor mais pressionado pelo aumento da inflação e dos juros básicos.
Reportagem registra que a CNC estima que as vendas do Dia das Mães movimentem menos dinheiro do que em 2021, mas superem o resultado do período pré-pandemia. A entidade projeta uma receita de R$ 14,42 bilhões no varejo, durante a primeira quinzena de maio, 2% abaixo dos R$ 14,68 bilhões faturados no mesmo intervalo do ano passado e 17,1% acima do alcançado no mesmo período de 2019 (R$ 12,3 bilhões).
A projeção menos otimista da CNC para este ano se deve aos segmentos especializados na venda de utilidades domésticas e eletroeletrônicos e móveis e eletrodomésticos, que devem movimentar R$ 2,33 bilhões e R$ 2,29 bilhões, respectivamente, no Dia das Mães com recuos de 9,3% e 9,5% em relação a 2021. Essas categorias têm produtos de tíquete médio mais alto e dependem mais da disponibilidade de crédito. O fôlego também é menor porque os dois segmentos viram suas vendas crescerem ao longo dos últimos anos de isolamento social.
Reportagem do Correio Braziliense avalia que, ao encarecer ainda mais o custo do crédito, elevação continuada da taxa Selic, que deve chegar hoje a 12,75% ao ano, vai conter o consumo das famílias e anular o efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, dizem analistas.
A mediana das estimativas dos analistas consultados no boletim Focus, do Banco Central, prevê avanço de 10% do PIB de 0,70%, com a taxa Selic encerrando dezembro em 13,25%. Com taxas de juros nesse patamar, o consumo das famílias, principal motor do PIB, não vai decolar. Conforme dados da CNC, o endividamento das famílias atingiu novo pico histórico em abril, de 77,7%. E, segundo dados do Banco Central, o comprometimento da renda das familias com dividas chegou a 52,6% maior patamar desde o inicio da série, em janeiro de 2005. Por conta disso, analistas destacam que o brasileiro dificilmente vai querer contrair mais dívidas para comprar um carro ou trocar o eletrodoméstico, mesmo com a ampliacáo de 25% para 35% do corte no IPI, recém anunciado pelo governo.
Jornal acrescenta que Fabio Bentes, economista senior da CNC, prevê mais uma ou duas altas da Selic, o que será ruim para um cenário de PIB fraco. “E ainda temos a deterioração das condições econômicas. Um ano eleitoral sempre cria distúrbios nos principais indicadores. O emprego tem recuado lentamente e o rendimento do trabalhador está caindo. Isso significa um estimulo a menos para a ampliação do consumo, que também se retrai diante de um cenário com juros cada vez mais mais altos”, explicou Bentes.
Pelas estimativas dele, o consumo praticamenta não deve aumentar neste ano, pois a taxa prevista pela CNC, de 0,9%, é, basicamente, o crescimento vegetativo.
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