Monitor – 30 de março de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
30/03/23 | nº 872 | ANO V |  www.cnc.org.br
Valor Econômico informa que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) da CNC recuou 1,6% em março, perante o mês anterior, para 112,3 pontos. Na comparação com março de 2022, a queda foi de 4,9%.

Além de conduzir o índice à menor pontuação desde julho de 2021, foi a quarta queda consecutiva do indicador, influenciada por sinais de desaceleração na atividade econômica; e crise no crédito, atualmente mais caro e restrito, detalhou a entidade.

Segundo a CNC, na ótica do Icec, 58,1% dos comerciantes consideram que o desempenho da economia, em março, está pior do que observado no ano passado. Além disso, pontuou a entidade, com inflação fora da meta e os juros elevados, 51% dos comerciantes pesquisados para cálculo do indicador informaram estar frustrados em relação às condições para operação e ao volume de vendas, no mês.

“Essa proporção vem crescendo desde novembro do ano passado e passou a representar a maioria dos entrevistados em março”, explicou a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira.

No caso do crédito, a especialista pondera que o contexto atual sobre o tema afetou, e muito, o humor do varejista nos últimos tempos. “A crise no crédito tem afetado o grande varejo nos últimos meses, com menor disponibilidade de recursos e juros altos. Esse contexto influencia negativamente a confiança dos agentes e do mercado no setor e nas empresas que operam em diferentes segmentos do varejo”, detalhou.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, comentou que, embora a atividade econômica e as vendas no varejo tenham desacelerado, os comerciantes estão enfrentando desafios com resiliência. “A inflação tem sido um fator persistente, assim como algumas incertezas e turbulências no mercado de crédito, exigindo que as empresas do setor real empreendam esforços para superar esses obstáculos nos próximos meses”, avaliou Tadros.

Folha de S.Paulo e Valor Econômico informam que as concessões de novos empréstimos e financiamentos para empresas recuaram com mais intensidade em fevereiro em meio ao cenário de juros elevados e ao efeito do caso Americanas. Houve queda de 8,3%, para R$ 185,5 bilhões em fevereiro, nas concessões com recursos livres, na comparação com janeiro. A série considera o valor ajustado, com a finalidade de minimizar os efeitos sazonais sobre os dados.

Em janeiro, o indicador já havia registrado retração de 5,6% frente ao mês anterior. Em 12 meses, os dados mostram um crescimento de 14% –uma desaceleração, já que no primeiro mês de 2023 o aumento no período interanual era de 16,8%. Segundo o BC, quando observadas as variações do saldo em 12 meses, vem de meados de 2022, na esteira de uma atividade econômica mais fraca.

Na Folha de S.Paulo, a economista da CNC Izis Ferreira destaca que os empresários sentem o esfriamento no crédito antes do que os consumidores e que a intenção de investimento das empresas vem caindo. “Esse movimento tem a ver com a alta de juros, com a dificuldade que essas empresas estão encontrando para se financiar e com a dificuldade para operar. Quando o empresário vai negociar prazos com fornecedor, com credor, está mais difícil de conseguir prazos e, quando ele consegue, consegue a um custo muito maior”, afirmou.

Segundo a especialista, o cenário de crédito mais caro, escasso e restrito tem levado essas empresas de grande porte a uma condição de endividamento pior. “Está mais difícil renegociar dívidas, as dívidas aumentaram de valor. Quando você está falando de uma dívida pós-fixada, quanto maior forem os juros, pior.”

Ainda sobre crédito, em sua coluna em O Estado de S. Paulo, Celso Ming cita levantamento da CNC que mostrou que, em fevereiro, 78% das famílias brasileiras enfrentavam algum tipo de endividamento. É um quadro geral que produz impacto negativo sobre o comércio varejista e sobre o produtor. O texto afirma que foi o que levou o governo Lula a estudar a promoção do Desenrola.

A coluna Comércio em Pauta, publicada hoje em O Globo, relata que a CNC promoveu, no dia 21 de março, o workshop “As recentes alterações trabalhistas e as negociações coletivas”. “Precisamos fortalecer constantemente as negociações coletivas no âmbito do comércio de bens, serviços e turismo. É assim que vamos seguir garantindo a necessária harmonia entre o capital e o trabalho”, disse o presidente da confederação, José Roberto Tadros.

O conteúdo produzido pela CNC também registrou que o Sesc mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) que colaboram para preservar a rica biodiversidade brasileira. A coluna também conta que o Senac oferece 130 vagas em cursos gratuitos de qualificação profissional para moradores da Rocinha.

Sebrae 
A coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) conta que Carlos Melles deixou a presidência do Sebrae nesta quarta-feira (29). Ele assinou a renúncia após pressão do governo Lula, que conseguiu convocar para esta quinta (30) uma reunião no conselho da entidade para destituí-lo.

Considerado um nome de Jair Bolsonaro, Melles foi eleito para seu segundo ciclo no comando do Sebrae no fim do ano passado. O mandato da diretoria da entidade, empossada em janeiro, termina em 2026, mas Lula queria colocar na presidência um nome alinhado à sua política.

Segundo o Sebrae, nesta quinta o conselho deliberativo escolherá um nome interino para o cargo e, no dia 10, será realizada uma nova eleição. O ex-deputado federal Décio Lima (PT) é o mais cotado para assumir a vaga.

Arcabouço fiscal 
Principais jornais relatam que o governo Lula propõe em seu desenho de regra fiscal que o crescimento das despesas federais seja limitado a 70% do avanço das receitas projetado para o mesmo ano. Segundo as projeções do governo, com o novo arcabouço, as despesas vão crescer sempre menos que as receitas. Assim, a trajetória prevista pelo governo é de superávit de 0,5% do PIB em 2025. No último ano do governo Lula, em 2026, a projeção que consta no projeto é de um resultado no azul de 1% do PIB.

Segundo técnicos, o arcabouço terá essa regra de controle de gastos combinada com uma meta de superávit primário das contas públicas com um tipo de banda de flutuação, ou seja, um intervalo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reúne hoje com líderes do Senado e, em seguida, apresenta oficialmente a nova regra em entrevista coletiva.

Crédito
Folha de S.Paulo e Valor Econômico 
informam que as concessões de novos empréstimos e financiamentos para empresas recuaram com mais intensidade em fevereiro em meio ao cenário de juros elevados e ao efeito do caso Americanas. Houve queda de 8,3%, para R$ 185,5 bilhões em fevereiro, nas concessões com recursos livres, na comparação com janeiro. A série considera o valor ajustado, com a finalidade de minimizar os efeitos sazonais sobre os dados.

Em janeiro, o indicador já havia registrado retração de 5,6% frente ao mês anterior. Em 12 meses, os dados mostram um crescimento de 14% –uma desaceleração, já que no primeiro mês de 2023 o aumento no período interanual era de 16,8%. Segundo o BC, quando observadas as variações do saldo em 12 meses, vem de meados de 2022, na esteira de uma atividade econômica mais fraca.

Empregos
O Globo 
repercute dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, que indicam que o emprego formal continua dando sinais de desaceleração neste início de ano.

Os números do Caged, no entanto, surpreenderam e vieram acima das expectativas de mercado. Em fevereiro, o país gerou 241 mil postos com carteira assinada, uma queda de 31,4% em relação ao mesmo mês de 2022, mas acima da mediana estimada por economistas. O Ibre FGV previa saldo positivo de 212 mil postos.

ICMS
Folha de S.Paulo e Valor Econômico 
informam que governos estaduais chegaram a um acordo para implantar a alíquota única de ICMS sobre a gasolina, que foi criada em lei aprovada no governo Bolsonaro, mas estava em discussão no Supremo Tribunal Federal.

Segundo Folha, em convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária, definiram uma alíquota de R$ 1,45 por litro, tanto para a gasolina quanto para o etanol anidro.

Para os economistas Andréa  ngelo e Felipe Salto, da Warren Rena, a mudança poderá provocar aumento médio de 11,45% no preço da gasolina, com impacto de 0,5 ponto percentual na projeção do IPCA para 2023.

Ambiente de negócios
Coluna do Broadcast (O Estado de S. Paulo)
 afirma que, segundo uma pesquisa da Deloitte, inflação alta, taxa de juros com tendência de permanecer em dois dígitos e chance de novas turbulências políticas em Brasília são os três fatores que tiram o sono dos empresários e podem comprometer o ambiente de negócios em 2023.

No topo da lista das cinco maiores preocupações do setor empresarial e executivos do comando das companhias para 2023 está a inflação alta, para 75% das empresas ouvidas na pesquisa. Em segundo lugar, para 72% dos entrevistados, está o temor de crise política ou institucional. Com 62% das respostas, o juro em dois dígitos ficou em terceiro lugar na lista e gera outro temor, que é a piora do endividamento das famílias. Os empresários citam ainda a questão fiscal, que para 64% deles pode levar ao aumento da dívida do governo.

Perse
Coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) conta que associações empresariais que representam setores excluídos da lista de beneficiários da isenção fiscal prevista pelo Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) planejam ir à Justiça caso a medida provisória que trata do tema seja aprovada da forma como está.

Publicada no final de dezembro, a MP alterou a lei do Perse para reduzir a zero a alíquota de impostos do setor aéreo até 2026. O texto também deu sustentação para uma portaria, feita pelo extinto Ministério da Economia, que excluiu alguns segmentos, como bares e lanchonetes, da lista contemplada com a isenção de tributos do programa emergencial.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, diz que o setor ainda não se recuperou completamente das perdas da pandemia. “A gente está escolhendo categorias de vencedores e perdedores. O setor de restaurantes estava contemplado, mas os bares foram retirados. Acho que a judicialização é um caminho natural”, afirma.

Meios de pagamento
Valor Econômico 
registra que o Pix encerrou 2022 na liderança entre os meios de pagamentos com um total de 24 bilhões de transações, segundo levantamento da Febraban com base em dados divulgados pelo Banco Central e pela Abecs. A quantidade de operações pela ferramenta de pagamentos instantâneos supera a soma de cartão de débito, boleto, TED, DOC e cheques.

Bolsonaro
Folha de S.Paulo
 traz que, ao embarcar no aeroporto de Orlando (EUA) para retorno ao Brasil após três meses fora do país, Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não vai liderar a oposição ao governo, e que a direita não é irresponsável. Ele evitou falar sobre a intimação feita pela Polícia Federal para que deponha sobre o caso das joias sauditas.

Valor Econômico acrescenta que a Polícia Federal marcou para quarta-feira, 5 de abril, o depoimento de Jair Bolsonaro no inquérito que investiga o caso das joias que foram presentes da Arábia Saudita. Nesta quarta-feira (29), o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um alerta para que o ex-presidente devolva todos os presentes que ele tenha recebido dos árabes em seu mandato.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,13. Euro caiu 0,66%, chegando a R$ 5,56. A Bovespa operou com 101.792, alta de 0,6%. Risco Brasil em 250 pontos. Ontem, Dow Jones subiu 1% e Nasdaq teve alta de 1,79%.

Valor Econômico
Regra fiscal prevê superávit em 2025 após zerar déficit

O Estado de S. Paulo
Âncora limita alta do gasto a 70% da receita e prevê contas no azul em 2025

Folha de S.Paulo
Regra limita aumento de gasto a 70% da receita

O Globo
Nova regra prevê superávit em 2025 e aumento de gasto limitado a alta da receita

Correio Braziliense
Bolsonaro põe Brasília em alerta e vai depor sobre joias

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