Monitor – 29 de março de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
29/03/22 | nº 622 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Reportagem de O Estado de S. Paulo relata que preços de veículos, combustíveis, peças, multas e licenciamento subiram mais que a inflação oficial, aponta a FGV. A “inflação ao motorista” acumulou alta de 17,03% nos 12 meses encerrados em março. Já o IPCA acumula 10,79% no mesmo período.

Texto ressalta que, graças à demanda aquecida, o setor automotivo é o único entre os dez que integram o comércio varejista ampliado que tem conseguido repassar ao consumidor quase integralmente a elevação de preços dos produtos na porta de fábrica, conforme levantamento do economista Fabio Bentes, da CNC.

Nos 12 meses terminados em janeiro de 2022, os preços de produtos da indústria automotiva ficaram 17% mais altos na porta de fábrica. No varejo, a alta de preços ao consumidor nas lojas de veículos e motos, partes e peças foi de 16,5%. Isso significa que 96,8% do aumento de custos do atacado foi repassado ao cliente final, calculou Bentes. “O setor está tentando retomar a margem de lucro que perdeu durante o período mais crítico da pandemia”, avaliou Bentes.

O Estado de S. Paulo acrescenta que o sonho do automóvel novo ficou mais distante para os brasileiros. Os preços mais elevados e a alta das taxas de juros no financiamento esfriarão a demanda, preveem especialistas.

O crédito mais caro deve servir para desacelerar os aumentos nos próximos meses, mesmo com a persistência de encarecimento de custos, estima Bentes. “Nenhum segmento do varejo depende tanto do crédito quanto o automotivo. Essa tentativa de recomposição de margem (de lucro) não vai longe”, afirma o economista da CNC.

Petrobras
Manchete do Valor Econômico informa que o presidente Jair Bolsonaro demitiu ontem Joaquim Silva e Luna da presidência da Petrobras. O general da reserva do Exército será substituído pelo diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Reportagens salientam que a escolha de Pires foi interpretada como sinalização pró-mercado financeiro, cujos investidores cobram a manutenção da política de reajuste de preços da Petrobras, que segue a tendência dos preços do mercado internacional.

Jornal observa que a decisão é vista como um gesto político, em resposta aos reajustes aplicados pela companhia diante da escalada do preço do petróleo no mercado externo. Porém, o Valor frisa que tanto nos bastidores de Brasília quanto nos mercados financeiro e de energia, há dúvidas sobre a disposição de Pires em alterar a atual política de preços da estatal.

O Estado de S. Paulo pontua que Adriano Pires já havia sido sondado outras vezes para cargos de menor escalão na estatal e também teve seu nome entre os apontados para chefiar o Ministério de Minas e Energia (MME).

O veículo afirma que é difícil imaginar como será o trabalho de Pires dentro da estatal. “Não só porque Pires já criticou diversas vezes as tentativas de mudar essa política, chamando-as de populistas, mas, principalmente, porque seus argumentos vão na linha oposta do que defende a equipe econômica liderada por Paulo Guedes”.

Painel S.A. (Folha) atenta que a nova mudança no comando da Petrobras é criticada por empresários, mas o nome de Adriano Pires é elogiado. Para José Augusto de Castro, presidente da AEB (associação de comércio exterior), a troca é política. Ele critica a reviravolta na administração em curto espaço de tempo.

Apesar disso, na avaliação dele, o economista Adriano Pires, indicado para substituir o general Joaquim Silva e Luna no cargo, é uma pessoa muito competente na área.

Combustíveis
Folha de S.Paulo 
reporta que, segundo pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, 68% da população avalia que o governo Bolsonaro tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Conforme o levantamento, para 39%, a gestão bolsonarista tem muita responsabilidade na carestia, enquanto 29% consideram que o governo tem ao menos um pouco de responsabilidade. Na avaliação de 30%, o governo não tem responsabilidade.

Eventos
A coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) traz que as empresas de eventos acompanham com preocupação os desdobramentos da decisão do TSE que proibiu manifestações favoráveis ou contrárias a qualquer candidato ou partido político no Lollapalooza no último sábado.

Para Clinio Bastos, sócio da Camarote Marketing, empresa de eventos de Salvador (BA), sempre houve manifestações políticas em aglomerações, e vetá-las é censura. Apesar da decisão do TSE, ele diz não acreditar em uma onda de vetos neste ano.

Cristiano Botinha, diretor da empresa V3A, avalia que o artista tem direito de expressar a arte da forma que ele entende.

Alessandro Possoni, sócio da Guichê Web, entende que os atos devem ser livres, mas teme os possíveis efeitos das manifestações dos artistas em grandes públicos em um momento de polarização política vivida pelo Brasil.

MEC
A exoneração do ministro da Educação, Milton Ribeiro, se consolida como o principal destaque da imprensa nesta terça-feira, sendo manchete de O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.

Ribeiro pediu demissão dez dias após áudios vazados revelarem a existência de um gabinete paralelo no Ministério da Educação, com o envolvimento do então ministro em um esquema de corrupção operado por dois pastores.

Prefeitos denunciaram que os pastores cobravam propina para a liberação de recursos. Bolsonaro saiu em defesa de Ribeiro, mas sua saída do cargo acabou sendo acordada após pressão de líderes evangélicos aliados do governo.

Além disso, Bolsonaro foi convencido de que a permanência de Ribeiro poderia prejudicar a sua campanha pela reeleição.

Braga Netto
Folha de S.Paulo 
noticia que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, já se filiou ao PL de Valdemar Costa Neto. Ele deve disputar a campanha ao lado do presidente Jair Bolsonaro como seu vice. O general assinou a ficha para entrar no partido, mas não fez nenhuma divulgação ainda. Seus aliados não descartam, porém, que possa migrar para outra sigla.

Leite
Imprensa registra que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou que renunciará a seu mandato e seguirá no PSDB. Nas últimas semanas, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tentou atrair Leite para a legenda, com a promessa de uma candidatura presidencial. Membros do PSDB, porém, o convenceram a ficar na sigla. Uma ala do partido sugere que o governador João Doria (SP) retire sua candidatura em favor de Leite.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,53%, cotado a R$ 4,77. Euro subiu 0,57%, chegando a R$ 5,24. A Bovespa operou com 118.737 pontos, queda de 0,29%. Risco Brasil em 301 pontos. Dow Jones subiu 0,27% e Nasdaq teve alta de 1,31%.
Valor Econômico
Adriano Pires é indicado à presidência da Petrobras

O Estado de S. Paulo
Dez dias após revelação de gabinete paralelo liderado por pastores, ministro cai

Folha de S.Paulo
Escândalo derruba Ribeiro do MEC

O Globo
Ministro da Educação cai após denúncia de corrupção

Correio Braziliense
Denúncias de corrupção derrubam Ribeiro do MEC

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