Monitor – 29 de junho de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
29/06/23 | nº 934 | ANO V |  www.cnc.org.br
Valor Econômico informa que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela CNC, caiu 0,6% em junho ante o mês de maio e marcou 106,4 pontos, descontados os efeitos sazonais. Foi a segunda queda consecutiva, levando o Icec ao menor nível desde junho de 2021.

Na comparação anual, a confiança caiu 13,1% em relação a junho do ano passado. É a maior retração desde abril de 2021, quando o índice registrou queda de 20,7%. De acordo com a CNC, o crédito caro, o nível de endividamento, a inadimplência e os juros altos criaram um cenário desafiador para o varejo no primeiro semestre.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse que a queda da confiança é um sinal de alerta pois o setor vem sofrendo com altas taxas de juros e dificuldades dos consumidores de acesso ao crédito e de pagar dívidas. “O resultado do Icec de junho mostra que os empresários do comércio estão cautelosos com a situação econômica atual do país, que afeta diretamente o consumo das famílias”, afirmou.

Reportagem acrescenta que, embora os consumidores indiquem maior intenção de compra, como tem apontado a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), também realizada pela CNC, o nível de endividamento e inadimplência elevado e o crédito caro e restrito limitam a capacidade de consumo, segundo a pesquisa.

“O otimismo do consumidor, com maior segurança no emprego e melhora da renda disponível pela inflação mais baixa, não tem se traduzido em alta das vendas no varejo de forma geral e sustentada. Isso tem se refletido na redução da confiança do varejista”, disse Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa.

Ainda que o consumidor de rendas média e baixa esteja mais disposto a consumir e com datas sazonais nos próximos meses estimulando as vendas, o otimismo é menor entre os empresários de todos os grupos do varejo.

A economista da CNC destaca que, com a visão desfavorável do atual desempenho da economia e do comércio e com as expectativas para o curto prazo em queda, os comerciantes de todos os segmentos também apontam que devem reduzir os investimentos, principalmente na contratação de funcionários e no capital físico das empresas.

A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) também registra que o comércio encerra o semestre com pior nível de confiança em dois anos. Segundo a nota, crédito caro, endividamento, inadimplência e juros altos criaram cenário desafiador para o varejo nacional, que se refletiu no baixo Icec. “O resultado do Icec mostra que os empresários do comércio estão cautelosos com a situação econômica atual do país, que afeta diretamente o consumo das famílias”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

O Globo explica como vai funcionar o Desenrola, programa de renegociação de dívidas lançado pelo Governo Federal que permitirá parcelamento de dívidas em até 60 meses, com prestação mínima de R$ 50, e 1,99% de taxa de juros ao mês.

Reportagem acrescenta que, embora economistas lancem algumas dúvidas sobre as chances de sucesso do Desenrola, dados recentes mostram que o excesso de endividamento ainda pesa sobre a capacidade de consumo das famílias.

Na avaliação de Izis Ferreira, economista da CNC, o efeito mais imediato do Desenrola deverá ocorrer nos indicadores de inadimplência. A expectativa é que caia a quantidade de dívidas em atraso. Por outro lado, o programa do governo federal pode ter pouco efeito sobre a capacidade de consumo das famílias caso parte relevante das pessoas que aderirem usufrua do benefício da garantia do Tesouro Nacional, mas siga inadimplente. Para as pessoas de renda mais baixa, o governo assumirá a dívida em casos de novos atrasos.

Reportagem do Valor Econômico afirma que impacto da valorização de quase 9% do real frente ao dólar desde o início do ano cita que  não deverá ter impacto significativo nos resultados da balança comercial deste ano, mas apenas em 2024, segundo especialistas em comércio exterior.

Texto lembra que o consumo desacelerou no país no início de 2023. E que isso se explica diante do alto nível de endividamento familiar. A CNC, calcula que 78,3% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril e 29,1% estavam inadimplentes com os pagamentos.

O Globo publica hoje a coluna Comércio em Pauta, produzida pela CNC. Conteúdo destaca que a Confederação reuniu empresários e especialistas para apresentar prática recomendada de ESG

Coluna também registra que oito hotéis do Sesc foram contemplados pelo prêmio Traveller’s Choice 2023 e que o Senac foi premiado como parceiro de destaque da Cisco na Acadmy Conference Latam 2023.

Inflação
O Estado de S. Paulo 
informa que o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne hoje para uma das reuniões mais aguardadas dos últimos anos. O órgão deve definir dois pontos importantes para o rumo da economia: qual será a meta de inflação para 2026 – além da confirmação dos alvos para 2024 e 2025 – e se essa meta a ser perseguida será pelo regime de ano-calendário (janeiro a dezembro) ou contínuo. Folha de S.Paulo também repercute.Reforma tributária
Valor Econômico 
destaca que o secretário extraordinário para a reforma tributária, Bernard Appy, afirmou ao jornal que em “hipótese nenhuma” a alíquota padrão do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) chegará a 30%. Admitiu, porém, que em alguns cenários elaborados pelo Ministério da Fazenda ela ficaria perto de 25%. Ele destacou que em 2026 já será possível ter uma ideia razoável de qual será o percentual, após a aprovação de lei complementar que estabelecerá os produtos e serviços que serão isentos ou pagarão alíquota reduzida. “Exceção para um setor tem custo para o resto da sociedade”, disse.Impacto dos impostos
O Globo 
entrevista com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator do projeto de reforma tributária, que defende a aprovação argumentando que os ganhos para a população serão imediatos.

Segundo Ribeiro, embora a transição para o novo modelo seja lenta, o efeito na economia será sentido rapidamente porque o mercado financeiro vai antecipar na ponta do lápis o impacto futuro sobre os negócios, com reflexos positivos no câmbio, nas taxas de juros e nas projeções de crescimento da economia.

Em relação à aprovação da proposta, o parlamentar avalia que “falta uma construção política, seja setorial ou federativa”. “É fundamental a gente ter o conceito de que a reforma não é para setores, é para fazer o que é melhor para o país e dosar com o equilíbrio possível”, pontua.

Novos tributos
O Estado de S. Paulo 
mostra que o grupo de parlamentares e técnicos do governo que trabalham na reforma tributária avalia iniciar o modelo de cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) simultaneamente.

A demanda atende a um pedido dos estados, que pleiteavam que a CBS (tributo que ficará com a União, unificando PIS, Cofins e IPI) e o IBS (imposto que será repartido entre estados e municípios, unificando ICMS e ISS) fossem regulamentados ao mesmo tempo.

São Paulo
O Estado de S. Paulo 
assinala que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), firmou posição contra o chamado Conselho Federativo, um dos pilares do projeto de reforma tributária. O mandatário alega que  pretende mobilizar a bancada paulista na Câmara para tentar barrar a medida.

O comitê, formado por representantes de estados e municípios, centralizaria a arrecadação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai unificar ICMS (estadual) e ISS (municipal).

Durante evento, o governador disse não aceitar “de maneira nenhuma” que o tributo pago dentro de São Paulo seja destinado ao comitê.

Folha de S.Paulo avança em frente semelhante.

Censo
Manchetes na Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Valor Econômico e Correio Braziliense repercutem primeiros resultados do Censo Demográfico de 2022, que mostram que a população brasileira chegou a 203.062.512 habitantes.

Houve aumento de 12 milhões em relação a 2010, data do último levantamento, mas, segundo O Globo, os resultados surpreendem pelo ritmo acelerado da transição demográfica do país.

Nos últimos 12 anos, o Censo apontou aumento de apenas 0,52% ao ano – a menor taxa já registrada desde o primeiro Censo, em 1872. A população é inferior ao número estimado no fim de 2022 pelo IBGE, de 207,78 milhões.

Em movimento inédito, capitais e grandes municípios em regiões metropolitanas tiveram encolhimento da população: dos dez municípios mais populosos do país, cinco tiveram queda no total de habitantes.

Franquias
Valor Econômico 
registra que a estratégia de grandes redes franqueadoras do país, como Habib’s e Cacau Show, aponta neste ano para unidades menores, mais baratas, e shopping centers.A rede de restaurantes Habib’s tem 300 unidades no país, dos quais 80% são lojas de rua. Seu fundador e presidente Alberto Saraiva diz que o Habib’s está presente em cerca de 60 shoppings em todo o país.O plano é chegar a pelo menos 400 shoppings “nos próximos três ou quatro anos”. Ao final de 2024, Saraiva prevê ter uma rede de 350 restaurantes.Já a Cacau Show, que aposta em unidades compactas, abriu 1.000 unidades, o dobro do que havia feito em 2021, e fechou o ano com 3.763 lojas no país. O vice-presidente de operações da Cacau Show, Daniel Roque, diz que as lojas “smart” e o modelo em contêineres aceleraram seu crescimento nos últimos quatro anos, embora as lojas tradicionais ainda sejam líderes em participação. Ao final de 2022, a Cacau Show contava com 1.548 lojas convencionais, seguidas por 968 do modelo smart e 648 contêineres.

Meios de pagamento
Valor Econômico 
avalia que a função de transferências entre pessoas via WhatsApp não decolou. Liberada pelo Banco Central (BC) apenas em março de 2021, a solução enfrentou desde o início a forte competição do Pix. De acordo com a 31ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, houve 56 milhões de transações bancárias por meio do WhatsApp em 2022, apenas 0,03% do total de 163,3 bilhões de transações registradas no período.

Do total de movimentações via WhatsApp, 37% se referem a transações financeiras com Pix e outros meios de pagamento. É aqui que estão os dados do WhatsApp Pay, embora o levantamento não separe especificamente o que diz respeito à função. Além disso, outros 29% dizem respeito a renegociações de dívidas, 24% à consulta de saldo e extrato e 10% à consulta de cartão de crédito.

Bolsonaro
O Estado de S. Paulo 
expõe que, ao votar pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), o ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sugere a ampliação do cerco às condutas do ex-presidente. O relator determinou o envio imediato ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Procuradoria-Geral da República (PGR) e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do voto lido na noite de anteontem.O Globo observa que, além da própria transmissão do encontro com embaixadores no qual Jair Bolsonaro usou aparato do Estado para atacar o processo eleitoral brasileiro com desinformação, depoimentos de ministros do antigo governo forneceram elementos para que o relator do caso no TSE, Benedito Gonçalves, construísse seu voto pela condenação do ex-presidente por abuso de poder político. O julgamento será retomado hoje com os votos dos demais ministros.
O dólar comercial fechou ontem em alta de 1,02%, cotado a R$ 4,84. Euro subiu 0,58%, chegando a R$ 5,29. A Bovespa operou com 116.681, queda de 0,72%. Risco Brasil em 235 pontos. Dow Jones caiu 0,22% e Nasdaq teve alta de 0,27%.

Valor Econômico
Crescimento da população desacelera e impõe desafios à economia do país

O Estado de S. Paulo
Com influência do agro, população cresce mais no interior do que nas capitais

Folha de S.Paulo
Censo revela Brasil menor que o esperado; país tem 203 milhões

O Globo
Crescimento da população desacelera

Correio Braziliense
Ameaçada de perder o FCDF, Brasília é a 3º cidade do país

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