| O Estado de S. Paulo expõe início, no Brasil, dos primeiros sinais de mudanças nas cadeias de abastecimento da indústria, provocadas pelo choque da pandemia e da guerra na Ucrânia. A manufatura brasileira tem investido na verticalização da produção ou a buscar mercados de menor risco para instalar novas fábricas, deixando de lado modelo tradicional de globalização e apostando na regionalização.
Reportagem acrescenta que, enquanto a indústria ensaia substituir importações, a estratégia do varejo para driblar a alta de preços e problemas logísticos foi trocar parceiros comerciais. Um estudo feito pelo economista da CNC Fabio Bentes, que comparou quantidades médias importadas de 3,7 mil bens de consumo de janeiro a outubro, entre 2012 e 2019, antes pandemia, com o mesmo período entre 2020 e 2022, revela que houve troca de países fornecedores.
As quantidades importadas de parceiros comerciais tradicionais do Brasil, como EUA, Países Baixos, França, Coreia do Sul, registraram quedas de dois dígitos na pandemia em relação ao período anterior.
Em contrapartida, foram ampliadas as compras de outros países, onde os preços recuaram, como Índia, Bélgica, Portugal, Turquia, Vietnã.
Na lista dos parceiros comerciais com maiores crescimento de volumes em período pós pandemia aparecem também os vizinhos Peru e Paraguai, além do Chile. “Os parceiros comerciais mais próximos do Brasil estão ganhando força”, observa Bentes, enfatizando que o processo de substituição de importação leva tempo.
Capital S/A (Correio Braziliense) registra que o índice de Confiança do Empresário do Comércio (lcec), apurado pela CNC, avançou pelo segundo mês consecutivo, com alta de 0,8% em novembro. Na comparação com 2021, o aumento foi ainda mais expressivo, de 10,9%.O indicador, que chegou a 131,9 pontos, é o maior da série histórica, iniciada em 2011.
“O fim de ano é, tradicionalmente, um momento de boas expectativas para o varejo.Em 2022, há uma condição especial e inédita que foi a conjugação das intenções de compra para a Black Friday e o Natal com a realização da Copa do Mundo do Catar”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
O indicador chegou a 120,3 pontos, marcando a sétima alta mensal seguida.”Essa dinâmica acontece pela necessidade que os consumidores têm, neste momento, de roupas e calçados novos para a retomada dos eventos sociais de fim de ano, o que deve ser incentivado pela Copa do Mundo”, explica a economista da CNC Catarina Carneiro da Silva.
Uma sondagem especial feita pela CNC com 18 mil consumidores em todas as capitais e no Distrito Federal revelou que 36% dos brasileiros pretendem comprar itens relacionados com o Mundial de Futebol, uma alta de 12 pontos percentuais em relação ao Campeonato de 2018. Os preferidos são os artigos de vestuário temático.
O Globo (27/11) informou que a inadimplência que não para de crescer no país não poupou as grandes varejistas, sobretudo as de moda. Empresas como Renner, C&A e Riachuelo, que apostaram nos cartões de marca própria como estratégia para fidelizar os clientes e ampliar as vendas, viram os atrasos no pagamento crescerem com a alta de juros e o aperto na renda dos consumidores.
O aumento da inadimplência ocorre tanto nos cartões bandeirados — em parceria com outras instituições financeiras — como nos do tipo private label, que são operados por financeiras das próprias varejistas e só podem ser usados nas suas lojas.
Texto registrou que, segundo pesquisa da CNC, a inadimplência em carnês de loja, o que inclui a modalidade private label, ficou em 19,5% em outubro. A taxa é maior que a média dos últimos cinco anos, que foi de 16%.
Correio Braziliense (27/11) ressaltou que, segundo especialistas, noções básicas para lidar com dinheiro ajudam a evitar dívidas e devem ser aprendidas desde a infância. Jornal explicou que, normalmente, com a combinação do dinheiro extra do 13° salário e as festas de fim de ano, os brasileiros tendem a gastar mais neste período. No entanto, grande parte dos consumidores está com o poder de compra limitado pelas dívidas contraídas nos últimos meses. A mais recente pesquisa da CNC aponta que 79,3% das famílias estão endividadas, das quais 30,3% em situação de inadimplência.
A coluna Ancelmo Gois (O Globo, 26/11) afirmou que a CNC fez uma proposta de R$ 40 milhões para compra do Palácio do Comércio, na Rua da Candelária, sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro. |