Monitor – 28 de novembro de 2022

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
26 a 28/11/22 | nº 788 | ANO IV |  www.cnc.org.br
O Estado de S. Paulo expõe início, no Brasil, dos primeiros sinais de mudanças nas cadeias de abastecimento da indústria, provocadas pelo choque da pandemia e da guerra na Ucrânia. A manufatura brasileira tem investido na verticalização da produção ou a buscar mercados de menor risco para instalar novas fábricas, deixando de lado modelo tradicional de globalização e apostando na regionalização.

Reportagem acrescenta que, enquanto a indústria ensaia substituir importações, a estratégia do varejo para driblar a alta de preços e problemas logísticos foi trocar parceiros comerciais. Um estudo feito pelo economista da CNC Fabio Bentes, que comparou quantidades médias importadas de 3,7 mil bens de consumo de janeiro a outubro, entre 2012 e 2019, antes pandemia, com o mesmo período entre 2020 e 2022, revela que houve troca de países fornecedores.

As quantidades importadas de parceiros comerciais tradicionais do Brasil, como EUA, Países Baixos, França, Coreia do Sul, registraram quedas de dois dígitos na pandemia em relação ao período anterior.
Em contrapartida, foram ampliadas as compras de outros países, onde os preços recuaram, como Índia, Bélgica, Portugal, Turquia, Vietnã.

Na lista dos parceiros comerciais com maiores crescimento de volumes em período pós pandemia aparecem também os vizinhos Peru e Paraguai, além do Chile. “Os parceiros comerciais mais próximos do Brasil estão ganhando força”, observa Bentes, enfatizando que o processo de substituição de importação leva tempo.

Capital S/A (Correio Braziliense) registra que o índice de Confiança do Empresário do Comércio (lcec), apurado pela CNC, avançou pelo segundo mês consecutivo, com alta de 0,8% em novembro. Na comparação com 2021, o aumento foi ainda mais expressivo, de 10,9%.O indicador, que chegou a 131,9 pontos, é o maior da série histórica, iniciada em 2011.

“O fim de ano é, tradicionalmente, um momento de boas expectativas para o varejo.Em 2022, há uma condição especial e inédita que foi a conjugação das intenções de compra para a Black Friday e o Natal com a realização da Copa do Mundo do Catar”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

O indicador chegou a 120,3 pontos, marcando a sétima alta mensal seguida.”Essa dinâmica acontece pela necessidade que os consumidores têm, neste momento, de roupas e calçados novos para a retomada dos eventos sociais de fim de ano, o que deve ser incentivado pela Copa do Mundo”, explica a economista da CNC Catarina Carneiro da Silva.

Uma sondagem especial feita pela CNC com 18 mil consumidores em todas as capitais e no Distrito Federal revelou que 36% dos brasileiros pretendem comprar itens relacionados com o Mundial de Futebol, uma alta de 12 pontos percentuais em relação ao Campeonato de 2018. Os preferidos são os artigos de vestuário temático.

O Globo (27/11) informou que a inadimplência que não para de crescer no país não poupou as grandes varejistas, sobretudo as de moda. Empresas como Renner, C&A e Riachuelo, que apostaram nos cartões de marca própria como estratégia para fidelizar os clientes e ampliar as vendas, viram os atrasos no pagamento crescerem com a alta de juros e o aperto na renda dos consumidores.

O aumento da inadimplência ocorre tanto nos cartões bandeirados — em parceria com outras instituições financeiras — como nos do tipo private label, que são operados por financeiras das próprias varejistas e só podem ser usados nas suas lojas.

Texto registrou que, segundo pesquisa da CNC, a inadimplência em carnês de loja, o que inclui a modalidade private label, ficou em 19,5% em outubro. A taxa é maior que a média dos últimos cinco anos, que foi de 16%.

Correio Braziliense (27/11) ressaltou que, segundo especialistas, noções básicas para lidar com dinheiro ajudam a evitar dívidas e devem ser aprendidas desde a infância. Jornal explicou que, normalmente, com a combinação do dinheiro extra do 13° salário e as festas de fim de ano, os brasileiros tendem a gastar mais neste período. No entanto, grande parte dos consumidores está com o poder de compra limitado pelas dívidas contraídas nos últimos meses. A mais recente pesquisa da CNC aponta que 79,3% das famílias estão endividadas, das quais 30,3% em situação de inadimplência.

A coluna Ancelmo Gois (O Globo, 26/11) afirmou que a CNC fez uma proposta de R$ 40 milhões para compra do Palácio do Comércio, na Rua da Candelária, sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Tributária
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo 
(26/11) informam que, em evento promovido pela Febraban, Fernando Haddad afirmou que a reforma tributária e uma melhoria na qualidade dos gastos estarão entre as prioridades a partir de 2023. “A qualidade da despesa pública no Brasil piorou muito”, disse Haddad. “Temos uma tarefa enorme de reconfigurar o Orçamento e dar a ele mais transparência.”

PIS e Cofins
Valor Econômico 
veicula decisão do STF de que as empresas não têm direito amplo e irrestrito a créditos de PIS e Cofins.

Ministros reconheceram a constitucionalidade das leis que regulamentaram a não cumulatividade desses tributos – que preveem limitações. A decisão evita rombo de R$ 472,7 bilhões nos cofres da União.

Essa era a discussão tributária mais valiosa em tramitação na Corte. Se todos os 17 casos fossem julgados de forma contrária à União, o rombo seria de cerca de R$ 1,4 trilhão. O caso decidido agora representava 33% do valor.

PIB
Manchete no Valor Econômico, a taxa de crescimento do PIB no terceiro trimestre deve ser metade da observada nos três meses anteriores. A desaceleração já era esperada pelos economistas. O dado oficial do IBGE será divulgado na quinta-feira (1º).

Há avaliação de que o desempenho de julho a setembro pode ter sido até melhor que o antecipado. A mediana de 75 projeções de instituições financeiras e consultorias colhidas até sexta-feira (25) aponta para alta de 0,6%, ante 1,2% no segundo.

Endividamento
Em manchete, Folha de S.Paulo divulga estudo do instituto de pesquisas Plano CDE, indicando que comprar comida e pagar as contas estão entre as principais razões para a população das classes C, D e E tomar empréstimos ao longo dos últimos meses.

Entre 45% e 50% dos respondentes das classes C, D e E indicaram que a alimentação e as contas do mês foram ou seriam a principal finalidade. Esse percentual cai para 30% entre as classes A e B.

Ao considerar todas as classes, a pesquisa identificou que 42% afirmam ter alguma dívida em atraso.

Alimentos
Manchete em O Globo aborda disparada dos preços dos alimentos como desafio para o novo governo. Entre 2018 e 2021, os valores subiram quase o dobro da inflação. Segundo analistas, a carestia exige revisão de políticas públicas.

Estoques reguladores de alimentos, que ajudam a ampliar a oferta e conter a volatilidade nos preços, vêm caindo desde 2015.

Crédito
O Globo 
(26/11) conta que, depois de liberar cerca de R$ 6 bilhões no empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, a Caixa restringiu as linhas de crédito em novembro.  A média diária de contratos caiu de 114 mil em outubro para 1.500 em novembro, segundo interlocutores do banco.

Segundo integrantes do Conselho de Administração da Caixa, a restrição ocorre em todas as linhas porque o banco está com o orçamento comprometido e precisa seguir os limites internacionais de prudência.

A instituição deveria ter emprestado em todas as suas linhas R$ 892 bilhões, e a carteira de crédito total já teria chegado a R$ 994 bilhões, com previsão de ultrapassar R$ 1 trilhão. O assunto foi debatido em uma reunião de diretores da Caixa ontem.

Aplicativo
Manchete em O Globo (27/11) assinalou que a equipe do presidente eleito Lula (PT) pretende que os prestadores de serviço por meio de aplicativos tenham direitos correspondentes aos dos assalariados cobertos pela CLT. Além dos benefícios previdenciários, o plano prevê que trabalhadores tenham direito a seguro, jornada diária máxima e negociação coletiva com as empresas.

Black Friday
Valor Econômico
 conta que o varejo on-line teve a pior Black Friday da sua história neste ano, com recuo em número de pedidos e no valor gasto por compra. Houve queda de 28% nas vendas na sexta-feira sobre 2021, para R$ 3,1 bilhões, em cima de uma base fraca de comparação, já que o ano passado havia registrado o menor crescimento na data, até então. A partir desta semana as estratégias comerciais se voltam para os próximos 20 dias, para tentar retomar crescimento e buscar melhores margens nas ações de Natal.

O recuo na sexta-feira, data principal do evento, equivale a R$ 1,2 bilhão a menos em vendas do que o ano anterior, segundo monitoramento fechado no sábado pela Confi Neotrust, empresa de dados com foco no digital, em parceria com a ClearSale, voltada para prevenção a riscos. Há o efeito da recente deterioração do poder de compra, mas também do baixo nível de confiança na economia em 2023.

Além do ambiente econômico difícil no ano, há o risco de um início de 2023 ainda com alto grau de incerteza política e sem melhora na renda no curto prazo, após a troca de governo, levando o consumidor a segurar os gastos, dizem especialistas.

Segundo o Valor, o faturamento bruto do comércio eletrônico brasileiro na sexta-feira, dia da Black Friday neste ano, caiu 23% em relação a 2021, segundo dados da consultoria NielsenIQ|Ebit. Considerando os 25 dias de novembro, o recuo é menor, de 1%, em relação ao mesmo período do ano passado – ‘games’ (jogos eletrônicos), alimentos, bebidas e eletrônicos tiveram crescimento de vendas nessa comparação.

Na avaliação da consultoria, o resultado mostra estabilidade do e-commerce diante da reabertura das lojas físicas (com o fim das restrições da pandemia neste ano). O fato das promoções da Black Friday terem começado no início de novembro, por conta da Copa do Mundo, acabou diluindo as vendas e tirou força da sexta-feira.

Meios de pagamento
O Globo 
(27/11) relatou que problemas com pagamento em sites têm levado à perda de oferta. No Brasil, o índice de abandono de carrinhos nas compras on-line é de 61%. Desse total, 8% desistem da aquisição por problemas em meios de pagamento, sendo metade deles por recusa do cartão de crédito, diz a Câmara Brasileira da Economia Digital.

Em ocasiões como a Black Friday, esses problemas se tornam mais frequentes. Não só pela alta demanda, mas pelos mecanismos que tentam barrar tentativas de fraudes e acabam, em alguns casos, tornando-se um empecilho para o consumidor.

“Desde que os cartões saíram da tarja magnética para o chip, o crime organizado migrou para o mercado on-line no Brasil. Estamos no topo da lista de países em tentativas de fraude, e a necessidade de aumento de mecanismos de segurança para proteger o consumidor de bandidos acaba criando dificuldades”, disse Gerson Rolim, representante do Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital.

Transição
Valor Econômico 
evidencia que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta segunda-feira, em Brasília, as articulações em torno da formação do governo e da PEC da Transição. Há a expectativa de que ele anuncie nos próximos dias os nomes, pelo menos, dos futuros ministros da Fazenda, da Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, e da Casa Civil.

Ministérios
Manchete em O Globo de sábado abordou reação de banqueiros a encontro com Fernando Haddad, atualmente o nome mais cotado para ser o ministro da Fazenda do futuro governo Lula. Ele participou de evento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), em São Paulo (SP).

Segundo a reportagem, presentes consideraram declarações do ex-prefeito e ex-ministro genéricas e avaliam que faltou “senso de urgência” em relação aos problemas de curto prazo, especialmente fiscais.

No encontro, Haddad disse que o governo Lula dará prioridade à reforma tributária já no primeiro ano, com foco em impostos indiretos, mas em seguida a renda e o patrimônio estarão na pauta.

Ainda no sábado, Folha de S.Paulo acrescentou que o economista Pérsio Arida negou ter recebido convite para ser ministro do Planejamento e fazer uma dobradinha na área econômica com Fernando Haddad na Fazenda. “Por razões pessoais, pelo meu momento de vida, não tenho intenção alguma de ter cargos em Brasília”, disse.

O Estado de S. Paulo destacou, no domingo, declaração do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), ontem, a empresários, de que a indicação do novo ministro da área econômica “está perto”, sem mais detalhes.

Partidos
O Globo 
observa que a Câmara dos Deputados deve iniciar a próxima legislatura com 16 bancadas — a menor fragmentação partidária desde 1999, início do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o jornal, a consequência direta é a tendência de as negociações entre Executivo e Legislativo fluírem mais rapidamente.

Estados
No Valor Econômico, o governador reeleito de Goiás e vice-presidente do União Brasil, Ronaldo Caiado, questiona a falta de tratamento igualitário em relação aos governadores e aos prefeitos nas discussões em curso sobre a PEC da Transição.

Para Caiado, os estados foram os mais penalizados nas medidas legislativas que viabilizaram a queda dos preços dos combustíveis e da energia elétrica.

Ele disse ter levado ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demanda de reciprocidade da exclusão de despesas do teto fiscal a governadores e a prefeitos.

Além disso, o mandatário goiano também levará essa demanda à reunião dos governadores com ministros do Supremo Tribunal Federal para tratar das perdas com o ICMS, que está programada para 7 de dezembro.

O dólar comercial fechou sexta-feira em alta de 1,89%, cotado a R$ 5,41. Euro subiu 1,89%, chegando a R$ 5,63. A Bovespa operou com 108.976 pontos, queda de 2,55%. Risco Brasil em 261 pontos. Dow Jones subiu 0,45% e Nasdaq teve queda de 0,52%.

Valor Econômico
PIB desacelera, mas deve avançar 0,6% no 3º tri

O Estado de S. Paulo
Benefício retroativo pode dar R$ 2 milhões para juiz federal

Folha de S.Paulo
Mais pobres se endividam para comer e pagar contas

O Globo
Salto nos preços de alimentos é desafio para novo governo

Correio Braziliense
Brasil pronto para voar às oitavas

Leia também

Rolar para cima