Monitor – 27 de janeiro de 2023

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
27/01/23 | nº 831 | ANO V |  www.cnc.org.br
Mídia online (Estadão OnlineTerraGuia do Investidor) afirma que, com a pandemia de covid-19 para trás, o feriadão do Carnaval, uma das principais datas para o turismo nacional, deverá movimentar R$ 8,18 bilhões neste ano, conforme estimativa da Divisão de Economia e Inovação da CNC. Se confirmada a projeção, a receita de negócios associados ao turismo, como bares, restaurantes e hotéis, será 26,9% acima da registrada em 2022, em valores já atualizados pela inflação. “O Carnaval é considerado o ‘Natal do turismo’ brasileiro. Nesse sentido, as atividades que o compõem foram severamente impactadas desde a decretação da crise sanitária em meados de março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para o principal evento do calendário turístico brasileiro, as medidas restritivas significaram o cancelamento do Carnaval em diversas regiões do País, nos dois últimos anos”, diz um trecho do relatório sobre o levantamento da CNC.

G1, reproduzindo o Jornal da Globo também abordou o assunto, acrescentando que, apesar do avanço, a arrecadação ainda deve ser inferior a de 2020, último ano sem restrições. Além do alto endividamento das famílias e dos juros altos, alguns serviços essenciais para o turismo aumentaram bem mais que a inflação no ano passado. Passagens aéreas tiveram a maior alta: 23,5%.

O número também é um pouco inferior a 2020, mas, segundo o economista da CNC Fábio Bentes, o movimento no próximo carnaval deve começar a reaver o volume de receitas do nível pré-pandemia. “A alta temporada deve culminar com o restabelecimento da normalidade do setor, porque o setor de serviços vem puxando a economia nos últimos meses. É o setor que mais cresce. O turismo, a partir de uma expetativa de queda nos juros, na segunda metade do ano, tende a colocar uma certa distância em relação àquele nível, tanto do volume de receita, quanto de empregos”, explica.

Reforma tributária
Manchete no Valor Econômico destaca entrevista com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que promete reforma com carga tributária mantida e marco fiscal. Ele afirma que as mudanças vão reduzir a pressão inflacionária e facilitar controle dos juros.

O ministro prevê votação da reforma tributária até abril, ao menos na Câmara, se houver boa negociação no Congresso e o entendimento dos líderes de que a discussão está madura.

Em relação à política de preços dos combustíveis, Haddad alega que a Petrobras viveu o seu melhor momento nos dois primeiros mandatos de Lula, indicando que esse pode ser um caminho a ser perseguido pela companhia.

O Estado de S. Paulo acrescenta que o ministro da Fazenda montou um núcleo especial voltado para a elaboração de uma proposta de reforma tributária com representantes de todas as áreas da pasta. A reportagem cita orientação do comando da equipe econômica de que o time esteja preparado para dar resposta ágil para qualquer demanda sobre detalhes técnicos da proposta e suas implicações.

De acordo com o jornal, a força-tarefa da reforma está sendo reforçada por especialistas da área tributária de fora do ministério, que vão integrar a equipe do secretário extraordinário de Reforma Tributária, Bernard Appy.

Consumo
Valor Econômico 
informa que a perspectiva de uma retomada otimista, com consumo de bens e serviços na mesma intensidade de antes da pandemia, vem sendo frustrada por receio e incerteza dos consumidores, o que pode pesar negativamente para a atividade e frustrar planos de crescimento puxado pelo consumo. Pesquisa recente mostra mudança de percepção dos consumidores na América Latina, na Europa e nos EUA, que se viram em meio a um cenário turbulento de inflação, guerra e crises políticas que os tem levado a rever suas prioridades e hábitos.

Levantamento Consumer Pulse, da consultoria Bain & Company, mostra que, dentre os brasileiros, mais de 90% dos entrevistados perceberam aumento nos preços nos últimos três meses, e 85% dos entrevistados reduziram ou planejam reduzir seus gastos pessoais.

Custo Brasil
Valor Econômico 
expõe que o vice-presidente Geraldo Alckmin, à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, terá oportunidade de colocar em prática agenda horizontal de competitividade para a economia e a indústria brasileiras.

“Partiremos da premissa de que o importante neste século é agregar valor à nossa produção, seja no campo, seja na indústria, seja no comércio”, disse Alckmin em seu discurso de posse.

Segundo ele, “o fortalecimento da indústria passa invariavelmente pela redução do custo Brasil e pela melhoria do ambiente de negócios no país”. Para isso, o país precisa de “qualificação da mão de obra” e, principalmente, de uma reforma tributária.

FGTS
Folha de S.Paulo 
informa que o Supremo Tribunal Federal marcou para este semestre julgamento para definir se trabalhadores têm direito a correção monetária maior dos valores depositados no FGTS.

Conforme o jornal, o impacto da mudança é calculado em mais de R$ 300 milhões. O processo existe desde 2014, quando o partido Solidariedade ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a correção dos saldos prevista em lei. A sigla argumenta que o mecanismo usado não é capaz de proteger os trabalhadores da inflação.

Petrobras
Principais jornais noticiam que o conselho de administração da Petrobras aprovou ontem a nomeação de Jean Paul Prates à presidência da petroleira. Ele renunciou seu mandato no Senado, que se encerraria em fevereiro.

A reportagem acrescenta que a estatal ainda não informou o resultado da reunião, mas, segundo a Folha de S.Paulo, a aprovação foi por unanimidade, mesmo que o colegiado hoje seja formado majoritariamente por pessoas alinhadas ao governo anterior. O jornal também cita expectativa de que Prates comece a anunciar ainda nesta semana nomes que comporão a diretoria da empresa.

ICMS
Folha de S.Paulo 
assinala que o pagamento de compensação pela União aos estados por conta de perdas na arrecadação com a mudança no ICMS sobre combustíveis deve ser um dos principais itens da reunião, hoje, entre os governadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reportagem adiciona que, além do abatimento de parte das dívidas dos estados com a União, também está em discussão a possibilidade de uma transferência extra de recursos – a depender da existência de espaço fiscal para isso.

Ontem, os secretários estaduais de Fazenda elaboraram uma carta com as principais demandas. O documento elenca a questão do ICMS como uma das “matérias federativas de urgência”.

O Globo, Valor Econômico e Correio Braziliense também tratam sobre o tema.

Turismo 
No suplemento Eu&Fim de Semana, Valor Econômico detalha uma tendência emergente no mundo das viagens. Nos últimos dez anos, o setor tem promovido ativamente uma reorientação, passando do turismo de luxo convencional — no qual o valor de suas férias é definido pelas torneiras de ouro e banheiros de mármore — para as “viagens de experiências”, na qual o valor está em experiências memoráveis, sejam atividades ou interações culturais. Agora, algumas agências de alto padrão estão empenhadas em tornar as experiências ainda mais imersivas, às vezes adicionando camadas de desafios ou de jogos, às vezes até envolvendo atores em um processo de criação de histórias e encenação.

Em 2022, por exemplo, a Luxury Treasure Hunts começou a oferecer aventuras ao longo da costa da Sardenha, nas quais os hóspedes descobrem pistas, exploram cavernas e decifram letras de pergaminhos em busca de moedas de ouro perdidas. Criadas por Charlie Moretti, um ex-produtor de cinema, as histórias incluem atores, roteiristas, cenógrafos e criadores de objetos cenográficos para elaborar missões realistas de um a três dias para clientes viajando de iate.

Reportagem acrescenta que o setor de cruzeiros pode ter perdido bilhões e acumulado dívidas gigantescas durante a pandemia — e hoje ainda precisa lidar com a alta no preço dos combustíveis —, mas a demanda por suas viagens continua surpreendentemente forte. Agora, uma série de novos concorrentes faz fila para entrar no segmento de altíssimo padrão desse mercado. Só que, em vez de estarem vindo do mundo dos navios, os rivais agora entrando na água são as redes de hotéis.

A primeira a largar foi a Ritz-Carlton, do grupo Marriott, cujo iate Evrima, de 190 metros, teve em novembro a cerimônia de batismo, em Lisboa. Com 149 cabines (e 246 tripulantes), ele terá a companhia de mais dois navios, que criarão a “Ritz-Carlton Yacht Collection”, projetada para replicar no mar a experiência em terra do hotel e aproveitar sua base de clientes que podem não ter optado antes por fazer cruzeiros.

Muffato
Valor Econômico 
relata que o Grupo Muffato, uma das maiores redes regionais de varejo alimentar do país, fechou acordo para comprar 16 lojas do Makro e 11 postos de combustíveis. Fontes do setor estimam o valor da operação entre R$ 800 milhões e R$ 1,1 bilhão. A empresa não revelou os números.

A transação envolveu apenas a venda dos imóveis, e não do CNPJ das lojas. São 24 unidades do Makro no Brasil e a companhia holandesa vem buscando vender todas elas para deixar o mercado. Entre os pontos vendidos ao Muffato em São Paulo estão as lojas nos bairros do Butantã, Lapa e Interlagos, consideradas as melhores na lista de ativos.

Americanas
Em chamada de capa, Valor Econômico destaca que a Americanas busca alternativas de crédito para manter a operação até a aprovação do plano de recuperação judicial. Segundo fontes, os acionistas de referência – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira – estariam sondando investidores e bancos não afetados pela crise para montar um fundo com os recebíveis da empresa. O banco ficaria com as contas a receber de cartões de crédito e anteciparia recursos à varejista.

Outra opção – bem recebida pelo mercado nos últimos anos -, envolve o “DIP Financing” (“devedor em posse”), apurou o Valor. Essa operação só ocorre nas recuperações judiciais e pode ser feita junto a fundos ou investidores, mas depende do apoio dos credores. Procurados, acionistas de referência e empresa não se manifestaram.

Em documentos apresentados à Justiça dos Estados Unidos, obtidos por O Estado de S. Paulo, a Americanas afirma que os bancos credores ajudaram a secar seu caixa após a descoberta de rombo de R$ 20 bilhões, o que teria provocado um “efeito catastrófico” na empresa.

A atuação dos credores, congelando recursos e antecipando dívidas, diz a varejista, a impediu de continuar operando no dia a dia e a forçou a entrar com pedido de recuperação judicial no Brasil e também a requisitar sua extensão para os EUA.

O Estado de S. Paulo complementa que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aceitou ontem pedido do Bradesco e determinou, em caráter de urgência, a busca e apreensão de e-mails de executivos e funcionários da Americanas. A companhia pode recorrer.

O objetivo da ação é tentar identificar os responsáveis pelo rombo contábil e recuperar ao menos parte dos valores devidos pela varejista. O Bradesco é o maior credor da Americanas, com cerca de R$ 4,8 bilhões.

Valor Econômico situa que oito sindicatos nacionais ajuizaram, na Justiça do Trabalho de Brasília, ação civil pública contra Americanas S.A. e seus maiores acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

A medida busca garantir direitos trabalhistas de 44 mil trabalhadores da companhia, em recuperação judicial. Na ação, as entidades pedem bloqueio de R$ 1,53 bilhão nas contas pessoais dos três sócios para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas.

Justiça
O Globo 
expõe que o ministro da Justiça, Flávio Dino, apresentou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um tripé de medidas para coibir novos atentados contra as instituições. Duas delas, consideradas as mais polêmicas, já estão suscitando críticas e preocupação: a criação de uma força policial para proteger órgãos federais e o lançamento de ferramentas para “moderar” conteúdos tratados como extremistas nas redes sociais. O terceiro item envolve a elaboração de dois projetos de lei para punir financiadores de ações golpistas.

Restos a pagar
O Estado de S. Paulo 
avança que o governo Bolsonaro deixou R$ 255,2 bilhões em despesas contratadas e não pagas para 2023. Chamados tecnicamente de restos a pagar (RAPs), os valores são transferidos de um ano para outro e se transformam em um “orçamento paralelo”, competindo por espaço com os novos gastos. O Tesouro Nacional informou que já bloqueou R$ 33,7 bilhões de RAPs deixados pelo governo Bolsonaro.

Câmara
O Estado de S. Paulo 
relata que o deputado Arthur Lira (PP-AL) vem distribuindo benesses aos parlamentares que vão eleger, na quarta-feira, o presidente da Câmara para o biênio 2023/2024. Em menos de um mês, ele liberou novas despesas que chegam a R$ 70 milhões. Lira é favorito, mas, sem o orçamento secreto, o objetivo é vencer com votação expressiva para fortalecer o Centrão nas negociações com o governo. Seu único adversário, até agora, é Chico Alencar (PSOL-RJ).

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,11%, cotado a R$ 5,07. Euro caiu 0,34%, chegando a R$ 5,52. A Bovespa operou com 114.177, queda de 0,08%. Risco Brasil em 252 pontos. Dow Jones subiu 0,61% e Nasdaq teve alta de 1,76%.

Valor Econômico
Reforma tributária será neutra, afirma Fernando Haddad

O Estado de S. Paulo
Por vitória ampla na Câmara, Lira distribui milhões a deputados

Folha de S.Paulo
Planalto conta com STF e Congresso para mudar Lei das Estatais

O Globo
Ianomâmis: STF diz que gestão Bolsonaro descumpriu decisões

Correio Braziliense
Governo Lula quer Guarda Nacional para a Esplanada

Leia também

Rolar para cima