Monitor – 24 de fevereiro de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
24/02/23 | nº 849 | ANO V |  www.cnc.org.br
Folha de S.Paulo afirma que os primeiros dias de 2023 têm sido marcados por uma quantidade atípica de empresas buscando ajuda para sair de crises financeiras. Americanas, Oi, Marisa e CVC são apenas algumas das companhias que, em menos de dois meses, precisaram bater à porta da Justiça ou de firmas de assessoria para conseguir renegociar dívidas.

A lista, porém, é grande. Dados da Serasa Experian mostram que, em janeiro deste ano, 92 empresas entraram com pedidos de recuperação judicial no Brasil, um crescimento de 37% na comparação com o mesmo mês de 2022. As falências também tiveram alta no período. Foram registrados 72 pedidos, número 56% maior que os de janeiro de 2022.
Ainda que cada episódio tenha suas causas específicas, especialistas dizem que fatores conjunturais — como juros altos, inflação e inadimplência — ajudam a entender o boom de crises que o setor privado vem vivendo neste início de 2023.

Reportagem acrescenta que, embora venha como remédio para inflação, a Selic alta acaba por agravar o endividamento. Levantamento da CNC mostrou que a dívida das famílias fechou 2022 em nível histórico, atingindo 77,9%.

Crédito
Manchete no Valor Econômico destaca que a situação de crédito das empresas, que se deteriorou com a alta dos juros e a oferta mais restritiva após o caso Americanas, entrou no foco do governo federal. O assunto tem sido discutido entre a equipe econômica e os bancos. Até o momento, a situação não é considerada crítica, mas um plano preventivo está sendo desenhado, para ser acionado caso o cenário piore.

Âncora fiscal
O Globo 
afirma que o governo tem pressa para concluir o novo conjunto de regras para as contas públicas, não só para dar uma sinalização ao mercado sobre responsabilidade fiscal, como para elaborar as bases do Orçamento de 2024. O risco de construir a prévia da proposta orçamentária com recursos escassos é um dos motivos que levaram o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a adiantar a apresentação da nova âncora fiscal, que ele pretende enviar ao Congresso em março.

O desenho das novas regras para as contas públicas não está fechado, mas deve prever uma sinalização para a contenção de gastos públicos e para garantir sua previsibilidade. Uma das intenções é estabelecer algum tipo de trava para as despesas permanentes, como salários.

Inflação
O Estado de S. Paulo 
evidencia que a expectativa do mercado para a inflação piorou nas últimas semanas, em movimento que deve dificultar a redução pelo Banco Central da taxa básica de juros, atualmente em 13,75%. Os analistas econômicos passaram a projetar inflação de até 6% este ano, quase 1 ponto porcentual a mais do que se previa na virada do ano. A piora está relacionada, entre outros fatores, a sinais confusos na economia emitidos pelo governo Lula.

Consignado do Auxílio
Folha de S.Paulo 
informa que a Caixa decidiu encerrar de forma definitiva a oferta de crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. Novas concessões de empréstimo estavam suspensas desde janeiro enquanto a modalidade passava por revisão.

De acordo com a Caixa, não há alterações para os contratos já realizados. “O pagamento das prestações continua sendo realizado de forma automática, por meio do desconto no benefício, diretamente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome”, disse.

Combustíveis
Folha de S.Paulo 
noticia que, segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, a reoneração de tributos federais sobre a gasolina e o etanol, estipulada em MP editada no início do ano, está prevista para o início de março. Segundo cálculos do setor, a retomada dos impostos provocará aumento de R$ 0,68 por litro no preço da gasolina. No caso do etanol hidratado, o aumento ficará em R$ 0,24 por litro.

O Globo assinala que a equipe econômica liderada pelo Ministério da Fazenda defende a volta da cobrança dos impostos federais sobre a gasolina e o etanol, enquanto a área política do governo quer que o imposto continue zerado.

A reportagem cita temor da ala política de que o aumento do preço, principalmente da gasolina, prejudique a avaliação sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tenha impacto generalizado na inflação.

Para o grupo, seria melhor manter a desoneração. Se não permanentemente, pelo menos até a Petrobras alterar a sua política de preços.

Confiança 
A coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) conta que o índice de confiança do consumidor monitorado pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) registrou queda em torno de 2% em fevereiro ante janeiro. Apesar do recuo mensal, o resultado permanece no campo otimista (acima de 100), com 106 pontos no mês.

De acordo com o levantamento, que será divulgado nesta sexta (24), as maiores quedas de confiança aparecem no Norte (-6%) e no Centro-Oeste (-5%). Na contramão, o Nordeste foi a única região com variação positiva no índice (1%).

Varejo de alimentos
Valor Econômico 
noticia que as vendas do setor de supermercados tiveram aumento real de 1,07% em janeiro (descontada a inflação), em relação ao mesmo mês de 2022. Os dados são da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que projeta uma alta real de 2,5% no consumo em 2023, sobre o ano passado.

O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, afirmou que o desempenho de janeiro foi impactado positivamente pelos reajustes de salários dos servidores civis do Executivo e de bolsas da educação, como as de mestrado e doutorado. “Naturalmente temos que acompanhar outros fatores”, ressalva.

O reajuste do salário mínimo acima da inflação, que também representa maior poder de compra para programas sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), deve ajudar a impulsionar os números no ano.

Mercado Livre
Valor Econômico 
informa que as vendas totais do Mercado Livre (GMV, da sigla em inglês) subiram 21,9% no Brasil no quarto trimestre de 2022 frente ao ano anterior. A soma inclui transações com produtos de lojistas em sua plataforma e tem sido foco de atenção do mercado desde que a venda no varejo on-line passou a cair no país.

Em valores, a empresa publicou GMV de US$ 9,6 bilhões na América Latina no trimestre. Como o Brasil responde por cerca de 45% do GMV total, apurou o Valor, a soma teria alcançando de R$ 23 bilhões a R$ 25 bilhões (com base no dólar médio do período) no Brasil.

A receita líquida, que difere do GMV pois considera montantes da empresa com suas vendas e outros ganhos, subiu 28% (em reais).

Os números mostram taxa de expansão na média no GMV de pouco mais de 20% por trimestre de 2022 (no acumulado de janeiro a dezembro, alcançou 21%).

Apesar desse ritmo abaixo do verificado em anos anteriores à pandemia, o comando da empresa disse ontem que o avanço de outubro a dezembro de 2022 deve ser analisado dentro do contexto de piora do ambiente de consumo, e de crescimento do grupo acima do mercado. Os números do quarto trimestre de Magazine Luiza e Via ainda não foram publicados.

Americanas
Valor Econômico 
mostra que a possibilidade de a Americanas pagar antecipadamente 100% de suas dívidas com credores trabalhistas e pequenos fornecedores enfrenta oposição de grandes bancos (Safra e Bradesco), além de ser considerada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como possível fonte de problemas no estágio atual do processo.

Na semana passada, a Americanas solicitou autorização judicial para quitar integralmente os créditos detidos por credores trabalhistas (classe I) e pequenas e microempresas (classe IV).

O texto frisa que o banco Safra entrou ontem, assim como o Bradesco fez na semana passada, com ação na Justiça contra a Americanas pedindo que seja rejeitado o pagamento de qualquer credor sujeito à recuperação judicial antes da aprovação do plano.

Big techs
Principais jornais assinalam que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que autoridades e órgãos de investigação brasileiros podem requisitar informações diretamente a provedores de internet e plataformas digitais que têm sede no exterior, sem a necessidade de passar pela Justiça estrangeira. O resultado impõe uma derrota a empresas de tecnologia como Twitter, Facebook e Telegram.

União Brasil e PP
Valor Econômico 
adianta que a formação de uma federação entre PP e União Brasil enfrenta resistências, mas a aprovação é dada como certa pela maioria dos deputados federais de ambas as legendas e o anúncio deve ocorrer em reunião na próxima semana. A intenção é formar a maior bancada do Congresso, de olho na divisão das comissões da Câmara dos Deputados, e também ser a maior força autoproclamada de centro das eleições municipais de 2024.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,13. Euro caiu 0,69%, chegando a R$ 5,44. A Bovespa operou com 107.592, alta de 0,41%. Risco Brasil em 248 pontos. Ontem, Dow Jones subiu 0,33% e Nasdaq teve alta de 0,72%.

Valor Econômico
Equipe econômica monitora o crédito e discute medidas

O Estado de S. Paulo
Projeções de inflação sobem e devem dificultar queda do juro

Folha de S.Paulo
Tarcísio promete sirenes em áreas de risco do estado

O Globo
Governo planeja limite para gastos permanentes

Correio Braziliense
‘A sociedade precisa se enxergar nos tribunais’

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