Monitor – 23 de junho de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
23/06/23 | nº 930 | ANO V |  www.cnc.org.br
A manchete do Valor Econômico destaca que, com o número recorde de pessoas inadimplentes, a demanda por crédito para sanar as contas continua em patamar elevado, enquanto os empréstimos para aquisição de outros bens têm despencado.  Em abril deste ano havia 71,4 milhões de consumidores inadimplentes, ante 70,7 milhões no mês anterior, e 66,1 milhões um ano antes, segundo últimos dados disponíveis da Serasa Experian. No total, são R$ 340, 6 bilhões em dívidas negativadas, ou seja, que não foram pagas.

Bancos e cartões respondem por 31,6% do total das dívidas. Serviços públicos, com exceção de telefonia, representam 21,6%, varejo, 11,3%, e telefonia, 5,3%. Somadas as dívidas não honradas com cartões de crédito e instituições financeiras, que compõem o setor financeiro, chegaram a 46,7% do total, em abril. O total de inadimplentes atual representa 43,8% da população adulta. Os mais endividados são os grupos etários de 26 a 40 anos (25,2%) e 41 a 60 anos (24,5%).

Texto lembra que a última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, mostrou que o percentual de famílias com dívidas a vencer estava em 78,3% em maio, ante abril. Desse total, 18% se consideram muito endividados, maior percentual desde agosto de 2022.
Houve queda da proporção de endividados entre os mais pobres e os mais ricos, enquanto o percentual de endividados aumentou nas classes médias. Na comparação anual, no entanto, o endividamento cresceu em todos os grupos. O padrão se repete quando se observa o nível de inadimplência.

Na revista IstoÉ, nota na Coluna do Mazzini afirma que a aprovação da reforma tributária depende de acordo para convencer bancadas do agronegócio e do comércio a votarem a favor. Parlamentares ligados aos dois setores, pressionados pela CNA e CNC – as duas maiores instituições dos segmentos – alegam que o novo arcabouço fiscal aumenta a carga tributária de agricultores e comerciantes.

Mercado S/A (Correio Braziliense) registra que a intenção de consumo das famílias, um termômetro importante da atividade econômica, subiu 2,6% na passagem de maio para junho, conforme levantamento da CNC. Segundo a entidade, o otimismo só não é maior pelo alto nível de endividamento.

O telejornal Hora Um (TV Globo) noticia que o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o relator da Reforma Tributária, Aguinaldo Ribeiro, discutiram a proposta de mudança na cobrança de impostos com governadores. Segundo a reportagem, a CNC diz que o imposto único deve significar um aumento expressivo da carga tributária para o setor de serviços.

Já na GloboNews reportagem ressalta que versão preliminar do texto da reforma divulgada por Ribeiro junta cinco impostos sobre o consumo em apenas um e ainda há alíquotas reduzidas para setores como saúde e educação. O repórter Erick Rianelli destaca que um estudo da CNC diz que, caso se mantenha essa alíquota do Imposto Sobre o Valor Agregado, de 25%, haverá um aumento significativo na carga tributária no setor de serviços, o que ameaçaria 3,8 milhões de empregos.

Reforma tributária 
Imprensa relata que a PEC da reforma tributária prevê a implementação do novo IVA a partir de 2026, mas a migração integral só acontecerá em 2033. A transição mais longa, antecipada pela Folha, busca acomodar os benefícios fiscais já concedidos por estados e municípios e que têm manutenção garantida pelo Congresso Nacional até 2032.

Mesmo com essa saída, o governo federal vai injetar R$ 160 bilhões ao longo de oito anos para ajudar a compensar essa fatura, sem contar o FDR, que terá R$ 40 bilhões anuais a partir de 2033. Os estados pedem um valor anual maior, de R$ 75 bilhões. A primeira versão do texto legal da proposta foi apresentada ontem pelo relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), mas ainda está longe de ser a versão final a ser votada em plenário.

Refis
Folha de S.Paulo 
mostra que empresas que aderiram em 2014 a um plano de desconto e parcelamento de débitos tributários tinham, três anos depois, uma média de 6,2% menos empregos do que companhias semelhantes que não participaram do programa, conhecido como Refis da crise.

É o que aponta o estudo “Refis e emprego: uma análise dos programas de recuperação fiscal no Brasil”, elaborado por Natalia Ferreira Rodrigues, Diego de Faveri e Gregory Michener, da FGV Ebape.

“As anistias fiscais gerais do Brasil parecem ser investimentos excepcionalmente ruins de recursos públicos”, alegam os autores.

Selic 
Mesmo após o Copom não ter dado sinalizações claras sobre o início da flexibilização da política monetária, bancos e casas de análise que apostavam em um primeiro corte da Selic em agosto mantiveram suas projeções, segundo notícia da Folha de S.Paulo.  Já o Estadão relata que, após o comunicado do Copom ter vindo menos brando do que o esperado, o consenso do mercado passou a ser de manutenção da taxa Selic em 13,75% em agosto, com início dos cortes apenas em setembro.

A intensidade da primeira queda também mudou, de 0,25 ponto porcentual para 0,50 ponto. Apesar disso, a possibilidade que o afrouxamento venha já na próxima reunião não é descartada por economistas.

Principais jornais acrescentam que, um dia após a decisão do BC frustrar o governo sobre o início do corte dos juros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elevaram o tom das críticas contra a autoridade monetária, que manteve a Taxa Selic em 13,75% ao ano e não sinalizou claramente um corte na próxima reunião, em agosto. Lula disse que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, está “jogando contra os interesses da economia brasileira”, enquanto Haddad citou o aumento da inflação e da carga tributária no futuro.

A equipe econômica teme que uma desaceleração da economia, com perda de empregos e queda da arrecadação, dificulte cumprir as metas do arcabouço fiscal. O BC, por sua vez, citou no comunicado haver “alguma incerteza residual” sobre o desenho final do arcabouço fiscal, aprovado anteontem pelo Senado.

Desenrola
Folha de S. Paulo 
acrescenta que a Câmara dos Deputados vai deixar a MP do Desenrola Brasil perder a validade sem ser analisada e pretende tratar do tema por meio de um projeto de lei. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), escolheu como ponto de partida um projeto do líder da bancada da União Brasil, Elmar Nascimento (BA), um de seus principais aliados na Casa.

De acordo com Elmar, a tramitação por meio de projeto de lei já está acertada com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e a expectativa é a de que o regime de urgência e o mérito da proposta sejam aprovados ainda antes do recesso da segunda quinzena de julho.

Mercosul-UE
O Estado de S. Paulo 
veicula que o presidente Lula afirmou ontem que o Brasil tem autoridade moral para discutir a questão climática com outros países. Ele reclamou que negociações do acordo entre Mercosul e União Européia (UE) seguem travadas por razões de exigências ambientais.

As novas exigências foram apresentadas em março por meio de uma carta adicional, documento classificado como “inaceitável” por Lula, que declarou que tratará dos entraves ao acordo com o presidente da França, Emmanuel Macron.

O brasileiro ainda cobrou uma relação mais “civilizada” entre a UE e a América Latina. “Essa proposta não está de acordo com aquilo que é o sonho de países como o Brasil, que querem ter o direito de recuperar sua industrialização”, disse.

O Globo e Correio Braziliense também abordam.

Varejo
O Globo 
informa que, imersas numa tempestade provocada pela alta taxa de juros no país — o Banco Central deve manter a Selic em 13,75% nesta quarta — , varejistas remam como podem, mas ainda estão longe de chegar em terra firme. Além de endividadas, registram quedas expressivas na Bolsa brasileira. Para reverter o cenário, reavaliam investimentos, fechando lojas físicas e apostando mais em tecnologia.

Um levantamento feito pela Ável Investimentos, a pedido do jornal, mostra que pelo menos 144 lojas de varejo foram fechadas nos 12 meses finalizados em março — últimos dados disponíveis —, desconsiderando o setor de alimentos. O número é o saldo de unidades abertas e que encerraram as atividades.

Das marcas analisadas, a maior redução foi feita pelo Magazine Luiza, que saiu de 1.477 unidades para 1.302. No primeiro trimestre do ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 391,2 milhões, mais que o dobro do mesmo período de 2022, e teve perda de 8,45% na Bolsa. Nos 12 meses terminados em maio, a queda foi ainda maior: 22,29%

Comércio eletrônico
Valor Econômico 
informa que a  Shein, varejista on-line de moda ultrarrápida fundada na China e que se tornou a favorita dos consumidores jovens dos Estados Unidos, está fazendo um esforço para remodelar sua imagem, tratando inclusive das preocupações dos legisladores americanos com as origens de seu algodão.

A companhia é hoje a maior varejista de moda rápida (“fast-fashion”) dos EUA em valor de mercado. Com a disparada da popularidade de suas roupas de preços baixos – tops de US$ 5 e sandálias de US$ 6 -, a empresa vêm recebendo críticas por suposta violação de direitos autorais, desperdício têxtil e práticas trabalhistas questionáveis.

Reportagem lembra que a Shein dobrou seus investimentos no Brasil, que se tornará seu centro de produção e exportação na América Latina.

Luxo
Valor Econômico 
relata que a plataforma de varejo on-line da holding JHSF, o site CJ Fashion, que vende produtos de luxo como roupas, acessórios e itens para casa para público de alta renda, vai mudar nos próximos dias. Após uma análise de dados constatar que 80% das vendas eram finalizadas via WhatsApp, a companhia irá extinguir a transação no site e mudará a lógica de “clique e compre”, comum aos marketplaces.

Agora, os clientes serão redirecionados para um dos “personal shoppers” do grupo, seja para apenas encerrar a operação, finalizada com um link enviado na conversa, seja para receber sugestões de novos produtos e consultoria de estilo. Só em São Paulo já há dez desses compradores pessoais e, até o fim deste ano, eles devem compor um grupo de 50 espalhados pelo país. Na prática, a mudança une os serviços do CJ Concierge ao comércio on-line.

Fazenda
Folha de S.Paulo 
afirma que a exoneração de Gabriel Galípolo da secretaria-executiva do Ministério da Fazenda e a nomeação de Dario Durigan para seu lugar deve provocar uma reconfiguração de funções na pasta comandada por Fernando Haddad. Com um perfil de gestor, Durigan deve exercer um papel voltado à articulação interna das políticas do órgão e na administração do cotidiano da Fazenda, cuidando para fazer a interlocução das diferentes áreas internas e desatar nós que costumam surgir na discussão das propostas.

Desde a transição de governo até o fim de seus quase seis meses no cargo, Galípolo manteve uma inserção importante nas rodas políticas de Brasília, participando da negociação de medidas importantes – como o novo arcabouço fiscal.

Bolsonaro
O Estado de S. Paulo 
destaca que no primeiro dia do julgamento da ação no TSE que pode tornar Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos, o Ministério Público Eleitoral reiterou o pedido de condenação do ex-presidente, a quem acusou de fomentar a desconfiança da população nas eleições e “degradar ardilosamente as estruturas da democracia”. Demais impressos também registram.

Jair Bolsonaro (PL) afirmou à Folha de S.Paulo que o TSE fará afronta se o tornar inelegível. A fala foi feita ontem, antes do início do julgamento de ação do PDT que o acusa de abuso de poder em reunião com embaixadores, na qual atacou ministros do Judiciário e o sistema eleitoral com mentiras. Após pedidos do Ministério Público pela inelegibilidade do ex-presidente e da defesa de Bolsonaro pela rejeição da ação, a sessão foi suspensa e será retomada na terça-feira (27).

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,09%, cotado a R$ 4,77. Euro caiu 0,17%, chegando a R$ 5,23. A Bovespa operou com 118.934, baixa de 1,23%. Risco Brasil em 228 pontos. Dow Jones caiu 0,01% e Nasdaq teve alta de 0,95%.

Valor Econômico
Inadimplência cresce 17% em um ano e afeta 44% dos adultos

O Estado de S. Paulo
Julgamento começa e MP acusa Bolsonaro de deslegitimar eleição

Folha de S.Paulo
Passageiros de submarino morrem em implosão

O Globo
MP pede que Bolsonaro seja condenado pelo TSE

Correio Braziliense
Relator anuncia proposta de reforma tributária

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