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Inadimplência 1
Manchete de O Estado de S. Paulo de domingo destacou que a inadimplência atingiu nível recorde: segundo estudo da Fecomércio-SP, na virada do semestre 29% das famílias nas capitais brasileiras tinham alguma conta em atraso – a maior marca da série, iniciada em 2010 – e acendeu o sinal amarelo para bancos e varejistas, que viram os resultados do terceiro trimestre prejudicados, em parte, pelo calote. Bancos ficaram mais cautelosos na aprovação de novos financiamentos e aumentaram as reservas para perdas futuras com o crédito, em meio a um cenário de juros ainda elevados e o baixo crescimento da economia brasileira esperado para 2023.
Com queda nos lucros no terceiro trimestre, Bradesco e Santander, instituições com forte atuação no financiamento ao consumidor, por exemplo, ampliaram as PPDs. Para Altamiro Carvalho, responsável pelo estudo, o principal fator que levou ao aumento da inadimplência foi a inflação. Em junho de 2021, o IPCA acumulava em 12 meses alta de 8%, e chegou a 12% em junho deste ano, concentrado em itens essenciais, como alimentos e combustíveis.
O aumento da inadimplência, provocado principalmente pela alta dos juros, chegou também às redes varejistas. O Magazine Luiza, por exemplo, que registrou prejuízo de R$ 166,8 milhões no terceiro trimestre, reservou R$ 590,4 milhões para créditos de liquidação duvidosa no cartão próprio – que responde pela maior fatia das vendas a prazo da rede.
A varejista aumentou em 206,4% a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Quando é levada em conta a relação entre a provisão e o tamanho da carteira de crédito do Magazine Luiza, o índice do terceiro trimestre está em 2,9%, ante 1,3% no mesmo período de 2021.
Inadimplência 2
Coluna Capital (O Globo, 19/11) relatou que a inadimplência em crediários no varejo de moda foi a maior dos últimos quatro anos em outubro. Com os juros altos, 9, 5% das parcelas estavam com atraso de pelo menos dois meses no mês. A taxa é o dobro da registrada há dois anos, por exemplo. Os dados são do Índice Meu Crediário, que monitora 200 redes de lojas de roupa.
Crédito PME
O Estado de S. Paulo (20/11) afirmou que, com a Selic em 13,75%, as taxas de juros para empréstimos em bancos também ficam altas. O cenário é pouco atrativo para PMEs que precisam de capital, pois a contratação da dívida pode bagunçar ainda mais as contas se não houver planejamento. Como opção, empreendedores podem recorrer a financiamentos menos tradicionais que aliam segurança e tecnologia.
No mundo dos investimentos, há modalidades de crowdfunding, por exemplo. Outras formas de captar são com investidores-anjo ou emissão de debêntures. Alguns meios de obter capital exigem que a empresa esteja melhor estruturada, com escala e robusta. Para pequenos negócios, há opções de formar uma base de apoiadores ainda no começo da operação. Para quem investe, é possível começar com pouco dinheiro.
BID
As manchetes dos principais jornais destacam que O economista Ilan Goldfajn, que comandou o BC no governo Michel Temer, foi eleito ontem o novo presidente do BID (Banco Interamericano do Desenvolvimento). Ele será o primeiro brasileiro a comandar a instituição. Indicado ao posto pelo governo Jair Bolsonaro, houve pressão contra o brasileiro por parte do PT depois da eleição presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, Goldfajn foi eleito em primeiro turno na votação da Assembleia de Governadores, com votos que representam 80% do capital da entidade. Ele assume o cargo no dia 19 de dezembro.
Goldfajn atribuiu ao “consenso” em torno do seu nome a sua histórica eleição. “A primeira coisa que eu vou fazer é sentar com todo o mundo para escutar. “Não podemos desperdiçar este momento histórico, para fazer um trabalho que nos orgulhe a todos no Brasil e na América Latina”, disse momentos depois.
BC
O Globo (19/11) contou que Roberto Campos Neto, presidente do BC, afirmou ontem que a volatilidade do mercado financeiro nas últimas semanas reflete a incerteza com a política fiscal do governo eleito. “O mercado tenta encontrar as respostas de como a conta da pandemia será paga. Por enquanto, o que se vê é que o governo pretende gastar mais, e o mercado reage. Entendemos que é preciso equalizar as questões sociais, mas precisamos ter coordenação entre política fiscal e monetária, além deter regras fiscais críveis”, disse.
O presidente do BC comentou ainda que é preciso aguardar o resultado das negociações sobre a “PEC da Transição” e a criação das novas regras de política fiscal para entender quais serão os impactos para a política monetária. “O que eu posso dizer é que o fiscal é um fator para o BC. Se a convergência que planejamos não estiver acontecendo, precisaremos agir. Mas acreditamos que haverá convergência entre política fiscal e monetária”, afirmou Campos Neto.
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