Monitor – 20 de outubro de 2022

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
20/10/22 | nº 763 | ANO IV |  www.cnc.org.br

Em artigo no Valor Econômico, os economistas João Saboia e João Hallak Neto avaliam o novo crédito consignado e o aumento da inadimplência. Segundo eles, grande parte das famílias ficará tentada a aproveitar o novo crédito para realização de despesas desejadas, mas muitas vezes incompatíveis com seus baixos rendimentos.

Texto lembra que o endividamento e a inadimplência da população brasileira vêm crescendo desde o início do atual governo tendo atingido, nos últimos meses, suas maiores taxas. Segundo o resultado mais recente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC, em setembro deste ano, 79,3% das famílias estavam endividadas, sendo que 30%, ou aproximadamente 21 milhões de famílias, estavam com suas dívidas em atraso, portanto, inadimplentes.

Ainda segundo a mesma fonte, a maioria das famílias endividadas e inadimplentes, pertence a classes de rendas mais baixas. A inadimplência recorde vem acompanhada de um perfil de endividamento perigoso dado que a maior parte está associada ao cartão de crédito (85,3%) e carnês (19,4%). Financiamento de carro (10,2%) e financiamento da casa (7,5%) possuem menor participação.

Bolsa
Manchete no Valor Econômico traz que investidores estratégicos têm aproveitado para adquirir participações em empresas brasileiras, num sinal de que a bolsa está barata, segundo analistas. Nos últimos cinco meses, dez anúncios de operações avaliados pelo jornal fizeram com que as ações das empresas-alvo aumentassem, em média, 21%. O valor de mercado da amostra cresceu cerca de R$ 25 bilhões até quarta-feira.

Teto de gastos
O Estado de S. Paulo 
repercute avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado de que a prorrogação das desonerações sobre os combustíveis e a manutenção dos R$ 600 para o Auxílio Brasil aumentam a probabilidade de descumprimento das regras fiscais em 2023.

Conforme novo relatório de acompanhamento fiscal da IFI, após um superávit primário estimado em R$ 50,9 bilhões neste ano, o governo central poderá registrar um rombo de até R$ 103 bilhões em 2023.

Contas públicas
Folha de S.Paulo 
reporta que o ministro da Economia, Paulo Guedes, otimista com a reeleição de Jair Bolsonaro, pretende  reformular o teto de gastos e “quebrar o piso”, ou seja, frear o crescimento de despesas que hoje pressionam o Orçamento.

Uma PEC seria apresentada no dia seguinte à eleição e pode atingir os benefícios previdenciários ou atrelados ao salário mínimo. O plano de Guedes afastaria a necessidade de uma licença para gastos extra teto.

Cautela
Folha de S.Paulo 
situa que persistência da inflação de serviços, acumulada nos 12 meses até setembro em 8,5%, acima do avanço de 7,17% do IPCA, justifica cautela do Banco Central (BC) sobre os juros.

Desde que interrompeu o ciclo de aperto monetário com a manutenção da taxa básica (Selic) a 13,75% ao ano, o BC tem enfatizado a mensagem de que se manterá vigilante.

Segundo economistas, há cenário de desconforto para a autoridade monetária com a resistência dos preços nessa categoria.

Combustíveis
Folha de S.Paulo 
repercute avaliação de Sérgio Araújo, presidente da Abieom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), de que com a recente alta do petróleo no mercado internacional, os preços da gasolina e do óleo diesel ficaram defasados no Brasil, e a Petrobras deveria anunciar aumentos.

“Na nossa visão, a Petrobras deveria anunciar reajustes na gasolina e no diesel para que seja coerente com a política de precificação implantada”, afirma.

A Petrobras, contudo, tem evitado reajustes nas refinarias às vésperas do segundo turno. Como mostrou a Folha, fontes da empresa relatam pressão do governo para evitar notícias negativas até o fim da disputa. O temor é de prejuízos à campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Varejo
Coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) afirma que a projeção de vendas do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) para os próximos meses, que vai ser divulgado nesta quinta (20), aponta queda de 1,1% em outubro nos cálculos que descontam o IPCA.

Em novembro, a projeção é de um recuo de 0,5%, e em dezembro, de 3,2%, em relação aos mesmos meses do ano anterior. Segundo o IDV, o mês de setembro também trouxe queda de 1,7% na comparação anual, em termos reais.

No recorte do índice antecedente de vendas por setores, os produtos de compra não cíclica, como móveis e eletrodomésticos, apontam queda de 2%, e o material de construção, recuo de 6%.
Já os mercados de compra cíclica apresentam variação positiva, como produtos farmacêuticos e beleza (21%), vestuário (10%), alimentos (7%) e outros artigos (22%), conforme os números do IDV, que reúne redes como Arezzo, Bob’s e Carrefour.

Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV, afirma que alguns fatores podem influenciar o varejo nos próximos meses, como “instabilidade politica em razão do 2º turno da eleição presidencial, a redução de impostos em diversas categorias de produtos e a combinação da Copa do Mundo com datas sazonais tradicionais, como a Black Friday e a Cyber Monday”.

Black Friday
O Globo 
relata que a maior parte dos brasileiros, cerca de 85%, pretende parcelar suas compras na Black Friday deste ano. Isso porque pelo menos 80% dos interessados pretendem gastar até R$ 2 mil, um tíquete médio considerado elevado, segundo levantamento feito com mais de 10,5 mil usuários do Mercado Pago e do marketplace Mercado Livre em todo o país.

Segundo o levantamento, entre as pessoas que vão parcelar as compras, 42% vão dividir em até seis vezes; 27%, em até três; e 26%, em até 12. Apenas 5% vão optar por mais de 12 prestações. Este ano, 68% vão usar o cartão de crédito para fazer essas operações.

Dinheiro vivo
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que mais de 60% das pessoas entrevistadas em levantamento do Instituto Locomotiva com o Banco24Horas usam dinheiro físico em seus pagamentos. A concentração é maior entre as classes D e E, em que a desbancarização é maior. Entre as motivações para usar somente o dinheiro papel, 20% dos entrevistados afirmam que frequentam estabelecimentos que só aceitam o dinheiro físico. Outros 16% são guiados pelo costume e 15% dizem que querem obter descontos.

Segurança (11%) e controle dos gastos (9%) também foram citados. A pesquisa aponta ainda que 86% dos entrevistados utilizam caixa eletrônico, sendo que 53% usam o equipamento uma vez por mês e 42% fazem operações de saque no dia a dia.

Pesquisa
Folha de S.Paulo e O Globo 
destacam em manchete que na mais recente apuração Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém à frente na disputa, com 49% das intenções de voto, ante 45% de Jair Bolsonaro (PL).

A dez dias das eleições, o cenário se mantém indefinido, com o petista repetindo o desempenho da pesquisa anterior, enquanto o atual presidente oscila um ponto para cima.

Esta é a primeira vez que os dois candidatos aparecem em situação de empate técnico. Analistas agora preveem uma corrida em busca dos votos dos evangélicos e de indecisos.

Urna eletrônica
O Estado de S. Paulo 
reporta que o Ministério da Defesa informou ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que só entregará um relatório com informações sobre seu trabalho de fiscalização do processo eleitoral num prazo de até 30 dias após o segundo turno das eleições. O ministro Alexandre de Moraes havia dado até ontem para os militares apresentarem relatório de auditoria das urnas eletrônicas.

Doria
Jornais também informam que o ex-governador João Doria anunciou ontem sua desfiliação do PSDB. A decisão foi divulgada nas redes sociais, no momento em que o governador Rodrigo Garcia (PSDB) intensificou a campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) e a bancada tucana da Câmara fez um gesto de aproximação com os bolsonaristas ao orientar voto a favor da criação da CPI das pesquisas eleitorais.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,27. Euro caiu 0,44%, chegando a R$ 5,15. A Bovespa operou com 116.274 pontos, alta de 0,46%. Risco Brasil em 276 pontos. Dow Jones caiu 0,33% e Nasdaq teve queda de 0,85%.

Valor Econômico
Investidores estratégicos impulsionam ações na B3

O Estado de S. Paulo
Defesa diz que só vai revelar relatório sobre urnas após o 2º turno

Folha de S.Paulo
Lula se mantém em 49%; Bolsonaro oscila para 4%

O Globo
Datafolha: Lula tem 49%, e Bolsonaro, 45%

Correio Braziliense
Moraes intensifica medidas contra as fake news

Leia também

Rolar para cima