Monitor – 19 de janeiro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
19/01/22 | nº 576 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Com chamada na capa, O Estado de S.Paulo ressalta que dívidas devem consumir 25% do Auxílio Brasil e esfriar economia. Segundo estudo da CNC,dos R$ 84 bilhões do programa em 2022, R$ 21,62 bi deverão saldar débitos em vez de aquecer vendas do varejo e serviços. O estudo projeta que 70,43% serão revertidos em consumo imediato, o equivalente a R$ 59,16 bilhões: R$ 28,04 bilhões gastos no varejo e R$ 31,12 bilhões, em serviços. E R$ 3,21 bilhões irão para a poupança (apenas 3,83%).

“Apenas uma parcela muito pequena da população tem condições de poupar”, lembrou o economista Fabio Bentes, responsável pelo estudo da CNC.

O economista explica que o consumo imediato depende de fatores como massa de rendimentos, nível de preços e grau de endividamento da população. Quanto maior o grau de endividamento das famílias, maior tende a ser a parcela do orçamento doméstico destinada ao pagamento de dívidas, ressalta Bentes.

“A cada 1 ponto porcentual de comprometimento da renda, o estímulo ao consumo é reduzido em 0,71%. O último dado divulgado pelo Banco Central, referente a setembro de 2021, mostrava 30,33% da renda das famílias comprometidos com dívidas. No pré-covid, na média do ano de 2019, esse porcentual era de 24,7%. Em quase dois anos, avançou mais de 5 pontos porcentuais”, apontou Bentes.

A CNC projeta que 35,9% da renda das famílias brasileiras estará comprometida com dívidas na média do ano. O levantamento considera todas as contas a pagar, tanto as ainda por vencer quanto as já em atraso. A perspectiva de piora é explicada pelas condições ainda difíceis do mercado de trabalho, pela inflação elevada e pela alta na taxa básica de juros, que encareceu o crédito.

O Estado de S. Paulo acrescenta que a proporção de brasileiros endividados encerrou 2021 em patamar recorde, segundo a CNC. Em dezembro, 76,3% possuíam dívidas, maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2010. Na média do ano, 70,9% das famílias estavam endividadas, 4,4 pontos porcentuais a mais do que os 66,5% de 2020.

Os dados consolidados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC também foram notícia no Valor Econômico, onde a economista da confederação Iziz Ferreira aponta que a pesquisa é um sinal de alerta para este ano, que conta com cenário mais desafiador diante de juros e inflação altos, mas renda em baixa.

O Globo acrescenta que os números mostram que os brasileiros estão recorrendo mais ao crédito para conseguir manter o consumo. Segundo Izis Ferreira, há diferenças entre os motivos que levaram ao endividamento, de acordo com a faixa de renda. Famílias com renda mensal de até dez salários mínimos foram pressionadas pela inflação de dois dígitos, que reduziu o poder de compra. “Em 2021, tivemos um aumento de serviços essenciais acima da inflação, como habitação, transporte, alimentação e medicamentos, dos quais as pessoas não podem abrir mão”, explica Izis.

Entre os mais ricos, o endividamento foi puxado por setores que se beneficiaram do avanço da vacinação e da flexibilização das medidas restritivas impostas pela pandemia de Covid-19, com destaque para turismo e serviços de beleza.

“O processo de imunização da população possibilitou a flexibilização da pandemia, refletindo no aumento da circulação de pessoas nas áreas comerciais ao longo do ano, o que respondeu à retomada do consumo” ressalta o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Correio Braziliense aborda a Peic em reportagem e na coluna Mercado S/A. Nota afirma que um efeito devastador da crise econômica é o aumento do nível de endividamento dos brasileiros. Texto ressalta que a maior parte das dívidas está concentrada nos cartões de crédito, modalidade que tem, de longe, as taxas mais altas de juros. Esse é um problema que tende a se agravar com o pífio crescimento.

A mídia online (BroadcastG1Valor Investe OnlineUOLR7Agência Brasil) também aborda a pesquisa.

Reforma tributária
O Estado de S. Paulo
 reporta movimentação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pela aprovação da reforma tributária na Casa.

Segundo a reportagem, líderes partidários e integrantes da Comissão de Constituição e Justiça reconhecem esforço para o texto ser pautado em fevereiro. O veículo ressalta que há resistência de estados, municípios e setores da economia.

O jornal inclui que dificuldades como o período eleitoral podem impedir a votação do relatório da PEC apresentado pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA).

Pandemia
As preocupações com o avanço da variante Ômicron seguem ocupando as capas dos principais jornais.
O Globo analisa a taxa de transmissão da nova cepa e conclui que a Ômicron se alastra quatro vezes mais rápido que o vírus original. O padrão observado em outros países sugere um pico de 4 a 6 semanas após o início do registro de casos, apresentando um rápido declínio após o período.

Já a Folha de S.Paulo reporta que a escalada de novos casos de Covid-19 pressiona o sistema de saúde. Ao menos quatro estados registram ocupação de 80% em suas UTIs, em cenário semelhante ao da segunda onda.

Combustíveis
O Globo 
traz que Rodrigo Pacheco tem buscado acordo com líderes para colocar em votação, no início de fevereiro, do PL 1.472/2021, que cria um “programa de estabilização” do preço do petróleo e derivados.

A iniciativa do senador Rogério Carvalho (PT-SE) pretende apresentar medidas para amortecer os impactos dos aumentos do preço do barril de petróleo e conter a alta nos preços dos combustíveis.

A proposta foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, sob relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN), e ainda precisaria de validação da Câmara, caso seja aprovada pelo plenário.

Petrobras
Valor Econômico 
noticia que duas investigações sobre condutas da Petrobras tramitam no Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Em uma delas, o órgão pretende verificar se a estatal cometeu infração à ordem econômica com o recente reajuste nos preços de combustíveis. Na outra, o objetivo é apurar se a conduta da companhia pode limitar a concorrência na importação de combustíveis.

Conforme Valor, ambos os casos estão na Superintendência Geral, que ainda vai decidir se abre processos administrativos. Esses poderão levar à aplicação de sanções à empresa, como multas.

Turismo
Folha de S.Paulo
 informa que, com cancelamentos de até 100% em pacotes de viagens e passeios, empresários do setor de turismo em Capitólio, em Minas Gerais, registram queda no movimento na região depois da morte de dez pessoas atingidas quando passeavam de lancha por parte de um cânion que desmoronou em braço do lago de Furnas.

Texto ressalta que a tragédia aconteceu em um momento de grande expectativa pela retomada dos negócios para o setor às margens do reservatório, um dos principais pontos turísticos do estado.

Aviação

Imprensa relata que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou que a Gol e a Azul reduzam o número de comissários a bordo por causa da nova onda de cancelamento de voos —o alto número de profissionais em quarentena tem prejudicado as operações das companhias aéreas. A Latam já protocolou pedido semelhante à agência e aguarda resposta.

Ministério do Trabalho
Folha de S.Paulo
 revela que o ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni, afastou técnicos e dispensou a elaboração de pareceres para a tomada de decisões na pasta.

A reportagem lembra de portaria assinada pelo ministro que proibia que empresas exigissem a vacinação contra a Covid-19 de funcionários no ato da contratação. Parte da medida foi derrubada por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, Lorenzoni assinou novo ato que restringe a possibilidade de orientações, recomendações e diretrizes por equipes técnicas de fiscalização do trabalho. O movimento é visto por técnicos da pasta como “censura” e “limitação das ações de auditoria”.

Servidores
Principais jornais  destacam que representantes de mais de 40 categorias de servidores públicos participaram ontem de um primeiro protesto, que deve se repetir nas próximas semanas, em busca de reajustes salariais. Nos bastidores, integrantes da equipe econômica afirmam que não há espaço para reajustes amplos no salário dos servidores. O discurso foi reforçado ontem publicamente pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Eleições 2022
O Globo 
observa que o Podemos abriu conversas que poderão resultar na migração do seu pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro Sérgio Moro, para o União Brasil, partido formado pela fusão entre DEM e PSL. A mudança está sendo negociada com a presidente da sigla, a deputada Renata Abreu (SP), que tem visto lideranças estaduais do Podemos pularem para os palanques do presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,61%, cotado a R$ 5,56. Euro caiu 0,05%, chegando a R$ 6,29. A Bovespa operou com 106.667 pontos, alta de 0,28%. Risco Brasil em 336 pontos. Dow Jones caiu 1,51% e Nasdaq teve queda de 2,60%.
Valor Econômico
Seca quase dobra ocorrência de sinistros no seguro rural

O Estado de S. Paulo
Procuradores chegam a receber, em um mês, mais de R$ 400 mil

Folha de S.Paulo
Ocupação de UTIs volta a patamar de julho de 2021

O Globo
Pico da Ômicron ocorre de 4 a 6 semanas após início

Correio Braziliense
Reajuste para servidores nas mãos do Centrão

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