| Com chamada na capa, O Estado de S.Paulo ressalta que dívidas devem consumir 25% do Auxílio Brasil e esfriar economia. Segundo estudo da CNC,dos R$ 84 bilhões do programa em 2022, R$ 21,62 bi deverão saldar débitos em vez de aquecer vendas do varejo e serviços. O estudo projeta que 70,43% serão revertidos em consumo imediato, o equivalente a R$ 59,16 bilhões: R$ 28,04 bilhões gastos no varejo e R$ 31,12 bilhões, em serviços. E R$ 3,21 bilhões irão para a poupança (apenas 3,83%).
“Apenas uma parcela muito pequena da população tem condições de poupar”, lembrou o economista Fabio Bentes, responsável pelo estudo da CNC.
O economista explica que o consumo imediato depende de fatores como massa de rendimentos, nível de preços e grau de endividamento da população. Quanto maior o grau de endividamento das famílias, maior tende a ser a parcela do orçamento doméstico destinada ao pagamento de dívidas, ressalta Bentes.
“A cada 1 ponto porcentual de comprometimento da renda, o estímulo ao consumo é reduzido em 0,71%. O último dado divulgado pelo Banco Central, referente a setembro de 2021, mostrava 30,33% da renda das famílias comprometidos com dívidas. No pré-covid, na média do ano de 2019, esse porcentual era de 24,7%. Em quase dois anos, avançou mais de 5 pontos porcentuais”, apontou Bentes.
A CNC projeta que 35,9% da renda das famílias brasileiras estará comprometida com dívidas na média do ano. O levantamento considera todas as contas a pagar, tanto as ainda por vencer quanto as já em atraso. A perspectiva de piora é explicada pelas condições ainda difíceis do mercado de trabalho, pela inflação elevada e pela alta na taxa básica de juros, que encareceu o crédito.
O Estado de S. Paulo acrescenta que a proporção de brasileiros endividados encerrou 2021 em patamar recorde, segundo a CNC. Em dezembro, 76,3% possuíam dívidas, maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2010. Na média do ano, 70,9% das famílias estavam endividadas, 4,4 pontos porcentuais a mais do que os 66,5% de 2020.
Os dados consolidados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC também foram notícia no Valor Econômico, onde a economista da confederação Iziz Ferreira aponta que a pesquisa é um sinal de alerta para este ano, que conta com cenário mais desafiador diante de juros e inflação altos, mas renda em baixa.
O Globo acrescenta que os números mostram que os brasileiros estão recorrendo mais ao crédito para conseguir manter o consumo. Segundo Izis Ferreira, há diferenças entre os motivos que levaram ao endividamento, de acordo com a faixa de renda. Famílias com renda mensal de até dez salários mínimos foram pressionadas pela inflação de dois dígitos, que reduziu o poder de compra. “Em 2021, tivemos um aumento de serviços essenciais acima da inflação, como habitação, transporte, alimentação e medicamentos, dos quais as pessoas não podem abrir mão”, explica Izis.
Entre os mais ricos, o endividamento foi puxado por setores que se beneficiaram do avanço da vacinação e da flexibilização das medidas restritivas impostas pela pandemia de Covid-19, com destaque para turismo e serviços de beleza.
“O processo de imunização da população possibilitou a flexibilização da pandemia, refletindo no aumento da circulação de pessoas nas áreas comerciais ao longo do ano, o que respondeu à retomada do consumo” ressalta o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
Correio Braziliense aborda a Peic em reportagem e na coluna Mercado S/A. Nota afirma que um efeito devastador da crise econômica é o aumento do nível de endividamento dos brasileiros. Texto ressalta que a maior parte das dívidas está concentrada nos cartões de crédito, modalidade que tem, de longe, as taxas mais altas de juros. Esse é um problema que tende a se agravar com o pífio crescimento.
A mídia online (Broadcast, G1, Valor Investe Online, UOL, R7, Agência Brasil) também aborda a pesquisa. |