Monitor – 18 de julho de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
16 a 18/07/22 | nº 698 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Manchete do Valor Econômico ressalta que a combinação da pressão inflacionária com a alta nos juros provocou queda de vendas na indústria, varejo e serviços no primeiro semestre e levou setores a rever projeções para o ano. Ao mesmo tempo, o consumidor de produtos que não são de primeira necessidade voltou a adotar hábitos que no passado marcaram os tempos de inflação elevada: passou a comprar de quem oferece parcelamento mais longo, a escolher produtos menos sofisticados, como no caso de computadores e televisores, ou simplesmente deixou de comprar, como tem acontecido com carros.

Aliado à perda do poder de compra, o impacto do crédito mais restrito e caro já começou a aparecer nos índices de inadimplência de grandes redes do varejo e leva empresários e especialistas a prever que, nos próximos meses, mais pessoas deixarão de cumprir com dívidas de financiamento.

Apesar do impacto negativo imediato da Selic e da inflação no setor produtivo, associações e economistas lembram que fatores positivos podem mudar o cenário na segunda metade do ano. Existe, por exemplo, a perspectiva de entrada de recursos na economia, com os R$ 41,2 bilhões da “PEC das Bondades”, pacote do governo aprovado na Câmara dos Deputados em 1º turno, que inclui o aumento no Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e benefícios a caminhoneiros e taxistas até dezembro.

“Calculamos que, do valor da PEC, serão R$ 16,3 bilhões em ‘cash’ injetados no comércio diretamente, equivalente a uma alta média de 1,3% nas vendas do setor por mês, de agosto a dezembro”, diz Fabio Bentes, economista da CNC.

O telejornal Edição das 10h (Globo News, 16/07) comentou os dados da CNC que apontam que mais de 90% das profissões tiveram perda nos últimos 12 meses. Essa pesquisa refere-se à dificuldade encontrada pelas pessoas em conseguir um emprego com o salário coerente com a inflação atual do Brasil.

Teto de gastos 
Manchete de O Estado de S. Paulo afirma que a PEC “Kamikaze”, que ampliou o valor do Auxílio Brasil e criou novos benefícios, tornou insustentável a permanência do teto de gastos nos moldes atuais. Agora, os investidores não se perguntam mais se o teto será alterado, mas o que será colocado no seu lugar.  As campanhas dos pré-candidatos à Presidência também já defendem mudanças no mecanismo.

Só no atual governo, a regra já foi alterada cinco vezes. Duas dessas alterações, em menos de sete meses, abriram espaço a gastos maiores em pleno ano eleitoral.

Infraestrutura
Manchete em O Globo destaca desafios para a infraestrutura no Brasil com a alta de até 80%, desde o início de 2021, no preço de insumos fundamentais para projetos do setor.

Asfalto, aço e diesel, entre outros itens ligados à construção civil, dispararam em meio ao processo inflacionário global agravado pela guerra na Ucrânia.

A carestia ameaça paralisação das obras das concessionárias, que falam em revisão de contratos justamente durante o ano eleitoral.

Selic
Valor Econômico
 assinala que agentes do mercado têm reconsiderado que a Selic terá de subir ainda mais e ficar em níveis bastante altos por período bem longo.

Depois de diversos pregões de pressão forte nos juros futuros, o mercado embute nos preços um cenário de Selic entre 14,25% e 14,5% neste ano e poucos cortes na taxa em 2023.

China
Imprensa repercutiu no sábado que a China registrou desempenho econômico abaixo do esperado no PIB do segundo trimestre deste ano. A economia chinesa cresceu somente 0,4% no período, em comparação com o segundo trimestre do ano passado. De acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas, foi o segundo pior desempenho do PIB da segunda maior economia do mundo desde o início da série histórica, em 1992.

Armas
Manchete em O Globo de domingo apontou que com a flexibilização do porte de armas, o país chega a 46 milhões de permissões de compra para caçadores e atiradores. Resultado direto de promessa eleitoral de Jair Bolsonaro, o número representa um aumento de 1.451% nos pedidos feitos por civis desde o início do atual governo.

Hoje, a manchete da Folha de São Paulo destaca que o governo Bolsonaro publicou 17 decretos, 19 portarias, 3 instruções normativas, 2 projetos de lei e 2 resoluções para ampliar o porte de armas.

Delivery
Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 17/07) 
relatou que um dos segmentos que ainda não haviam retomado o patamar pré-pandemia, o mercado de sorvetes deve alcançá-lo neste ano, segundo projeção da Euromonitor, que prevê faturamento de R$ 15,7 bi em 2022. O delivery de sorvetes, estimulado pelo isolamento dos consumidores em casa, parece ter sido incorporado definitivamente ao modelo de negócios das empresas.

Lula/Alckmin
O Estado de S. Paulo 
revela que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a dizer publicamente que, caso seja eleito em outubro, seu ministro da Economia será um político e não um economista. A aliados mais próximos, o petista tem afirmado que precisaria de alguém com muita capacidade de articulação com o Congresso para lidar com a herança econômica deixada pelo atual governo.

Já O Globo (16/07) informou que Geraldo Alckmin (PSB), vice da chapa do ex-presidente Lula, planeja uma série de agendas solo na tentativa de ampliar o apoio em setores como o agronegócio e o empresariado. “Investida vai privilegiar estados onde Bolsonaro tem base forte, em estratégia para reduzir arestas de setores com Lula”, anotou o texto.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 0,52%, cotado a R$ 5,40. Euro subiu 0,12%, chegando a R$ 5,45. A Bovespa operou com 96.551 pontos, alta de 0,45%. Risco Brasil em 376 pontos. Dow Jones subiu 2,15% e Nasdaq teve alta de 1,79%.

Valor Econômico
Juro e preços altos mudam hábitos e derrubam vendas

O Estado de S. Paulo
Implodido por PEC, teto de gastos vira alvo de candidatos

Folha de S.Paulo
Onda de projetos legislativos mira ampliar porte de arma

O Globo
Alta de custos ameaça obras em estradas e aeroportos

Correio Braziliense
DF tem 1,1 milhão de pessoas endividadas

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