Monitor – 18 de abril de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
18/04/23 | nº 884 | ANO V |  www.cnc.org.br
Reportagem na Folha de S.Paulo traz levantamento feito pelo Reclame Aqui a respeito das maiores queixas nos últimos cinco anos. Dados apontam uma mudança importante no perfil dos problemas enfrentados pelos compradores.

Em um primeiro momento –nos anos de 2018, 2019 e 2020–, a principal reclamação era o atraso na entrega, seguido pelo estorno do pagamento (o cliente não recebia a mercadoria e acabava cancelando a compra). Em 2021, 2022 e agora, no início de 2023, o estorno do pagamento se tornou a principal queixa.
O texto acrescenta que o número de queixas no Reclame Aqui deu um salto de 88% no ano passado, para 6,4 milhões. As categorias mais reclamadas no ano passado foram: meios de pagamento, telefonia, varejo, delivery, marketplace e redes sociais.

Para Izis Ferreira, economista da CNC, o momento do estorno pode impactar o fluxo de caixa do varejista em maior ou menor grau. “Desde o ano passado, a inflação para vários segmentos apertou o caixa e o crédito mais caro contribuiu para esse aperto”, afirma. “E mais recentemente estamos vendo desaceleração nas vendas do varejo. Esse conjunto de fatores pode explicar o aumento dos prazos nos estornos”, afirma.
Para a especialista, o consumidor está precisando do dinheiro com mais agilidade, porque também sofre com o orçamento apertado. “A percepção desse consumidor sobre demora no reembolso piorou no contexto de alta dos juros”, diz.

Orçamento
Em manchete no Valor Econômico, Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevê R$ 155 bilhões em receitas ainda incertas para zerar o déficit público em 2024. Propostas que permitirão esse aumento na arrecadação ainda não foram apresentadas.

O texto, encaminhado na sexta-feira (14) ao Congresso e detalhado ontem pelo governo, foi elaborado com base no teto de gastos, mas prevê R$ 172 bilhões em despesas acima do teto, condicionados à aprovação do novo arcabouço fiscal.

Em um cenário em que o arcabouço seja aprovado e as despesas elevadas em R$ 172 bilhões, mas as medidas de elevação de receitas sejam em todo ou em parte frustradas, o caminho mais provável será o déficit fiscal.

Arcabouço fiscal
Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico 
informam que o governo deve entregar hoje ao Congresso a proposta de arcabouço fiscal para substituir a regra do teto dos gastos.

Antes do envio, a equipe econômica  avaliou uma alteração no texto final, incluindo tanto os conceitos do marco quanto os valores utilizados para os próximos quatro anos na versão final da lei complementar.

O texto deixa a possibilidade de mudança dos parâmetros por meio de lei ordinária a partir do próximo governo. A princípio, a ideia era definir os conceitos do arcabouço em lei complementar, e os parâmetros, em lei ordinária.

O Estado de S. Paulo acrescenta que a equipe econômica traçou uma estratégia para tentar blindar a nova âncora fiscal e tornar mais difícil mudar os valores de referência da regra – que vai substituir o atual teto de gastos. Em outra frente, o governo pressiona por uma aprovação mais rápida do projeto, de forma a garantir os recursos de que precisa para manter seus principais programas.

Salário mínimo
O Globo 
destaca que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou ontem que “não há a menor chance” de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não aprovar um aumento real do salário mínimo em 2024.

Ela ressalta que o percentual dependerá do arcabouço fiscal. O governo prevê salário mínimo de R$1.389 no ano que vem, conforme o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) feito sob a nova gestão.

Prévia do PIB
O Estado de S. Paulo 
relata que o Índice e Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), considerado uma “prévia” do PIB,  registrou recuo de 0,04% em janeiro na série com ajuste sazonal.

Em dezembro, o avanço havia sido de 0,47%, resultado que interrompeu uma sequência de quatro quedas mensais consecutivas, de agosto a novembro. De dezembro para janeiro, o IBC-Br passou de 142,34 pontos para 142,28 pontos na série dessazonalizada.

A projeção atual do BC para a atividade doméstica é de crescimento de 1,2%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação de março, ante a média de 0,9% estimada pelo mercado.

Microempresas
No Valor Econômico, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou ontem que foi remodelado o programa de crédito voltado a microempreendedores individuais e pequenas e médias empresas, que vai garantir o acesso a R$ 21 bilhões pelo FGI-PEAC

O fundo avaliza até 80% do valor das operações. Os recursos serão acessados ao custo padrão oferecido pelo banco, a Taxa de Longo Prazo (TLP).

Consumo
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que, sob efeito da inflação, 70% das consumidoras entrevistadas em um levantamento do Sincovaga (sindicato do varejo alimentício de São Paulo) dizem ter deixado de ser fiéis a marcas de alguns produtos para experimentar opções mais baratas. O percentual é maior do que o registrado entre homens (55%).

No geral, a categoria na qual as trocas ocorrem com mais frequência é a de higiene e limpeza, com 63% das respostas, seguida por itens básicos, como arroz, feijão e farinha (61%), carnes (38%) e laticínios (33%).

Crédito no varejo 
A coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) também registra que levantamento do birô de crédito Boa Vista que será divulgado hoje aponta novo recuo da demanda por crédito no segmento não financeiro, que abrange as grandes redes do varejo. Os dados, referentes ao mês de março, apontam redução de 4,8% na demanda no acumulado dos últimos 12 meses. No primeiro trimestre deste ano, o indicador recuou 0,1% na comparação com os três meses anteriores.

Tok&Stok
Valor Econômico 
relata que a Tok&Stok, maior rede de varejo de móveis do país, começou um movimento de fechamento de lojas. A varejista, que contratou a Alvarez & Marsal para fazer uma restruturação financeira em fevereiro, iniciou o encerramento de unidades em Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Curitiba, com liquidação de todo o estoque por metade do preço.

Coluna do Broadcast (O Estado de S. Paulo) acrescenta que a Tok&Stok deve receber um aporte do fundo Carlyle, maior acionista da empresa, uma vez que não tem encontrado novos sócios financeiros ou estratégicos dispostos a se juntar à companhia. A injeção de capital pode ficar em torno de R$ 100 milhões.

Rússia x Ucrânia
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo 
repercutem que as declarações do presidente Lula (PT) sobre a guerra da Ucrânia e a visita do chanceler russo Serguei Lavrov ao Brasil provocaram reação da União Europeia e dos Estados Unidos.

Em viagem à China e aos Emirados Árabes, o presidente afirmou que os EUA e a Europa “incentivam” a guerra, que ocorre, na visão dele, por “decisão” da Rússia e da Ucrânia. Os russos estão satisfeitos com a postura. Em Brasília, Lavrov afirmou que as duas nações têm “visão similar”.

Para a Casa Branca, o posicionamento é “profundamente problemático” e “equivocado” e repete propaganda da Rússia e da China. O porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stano, negou que ações do bloco tenham alimentado o conflito e enfatizou que a Rússia é a agressora.

O chanceler Mauro Vieira negou que o Brasil propague o discurso russo. Em meio à má repercussão das falas de Lula, o governo não divulgou foto do encontro com Lavrov. Lula não se manifestou ainda.

Moro
Principais jornais noticiam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, ontem, denúncia contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por crime de calúnia que teria sido cometido contra o ministro Gilmar Mendes, do STF. A denúncia terá como relatora a ministra Cármen Lúcia. No pedido, a PGR defendeu que, caso Moro seja condenado a uma “pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos”, ele deve perder o mandato de senador.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,45%, cotado a R$ 4,93. Euro caiu 0,13%, chegando a R$ 5,39. A Bovespa operou com 106.015, queda de 0,25%. Risco Brasil em 247 pontos. Dow Jones subiu 0,30% e Nasdaq teve alta de 0,28%.

Valor Econômico
LDO tem R$ 155 bi em receitas incertas para zerar o déficit

O Estado de S. Paulo
EUA e UE rebatem Lula; Casa Branca vê propaganda russa e chinesa

Folha de S.Paulo
Brasil e Rússia têm visão similar, diz chanceler de Putin

O Globo
EUA e União Européia criticam posição de Lula sobre a guerra

Correio Braziliense
EUA e UE rebatem crítica de Lula à guerra da Ucrânia

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