Monitor – 18 a 20 de março de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
18 a 20/03/23 | nº 864 | ANO V |  www.cnc.org.br
Reportagem do Valor Econômico relata que a volta da cobrança de vistos para turistas de Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, anunciada pelo Ministério de Relações Exteriores, criou um embate entre os setores da cadeia do turismo e o Itamaraty. Associações, donos de hotéis, agências de viagens e companhias aéreas consideram a decisão precipitada em momento em que a demanda está aquecida com a retomada das viagens internacionais. A obrigatoriedade também é vista com ressalvas por ex-diplomatas e especialistas em relações internacionais, que não acreditam que a medida será eficaz nas negociações para facilitar a entrada de brasileiros nesses países.

Jornal ressalta que, apesar de acharem a reversão pouco provável, entidades que representam o setor turístico devem aproveitar o intervalo entre o anúncio e a implementação da medida para pressionar o governo e incluir o Congresso Nacional nas discussões.

“A ideia é reverberar, trazer números e sensibilizar o governo para voltar atrás. Queremos também discutir nas casas legislativas. Isso não tem nada a ver com ferir a soberania nacional”, diz o presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC, Alexandre Sampaio.

A entidade foi uma das 30 signatárias de um manifesto entregue à ministra do Turismo, Daniela Carneiro, pedindo apoio para a manutenção da liberação de vistos para turistas dos quatro países que não aplicam a reciprocidade ao Brasil. O princípio da reciprocidade implica equivalência de tratamento entre os países nas relações diplomáticas

O Globo (18/03) afirmou que a suspensão do empréstimo consignado a beneficiários do INSS pelos bancos — após o governo reduzir o teto dos juros para 1,70% ao mês — deve levar a um aumento da inadimplência e empurrar aposentados e pensionistas para linhas mais caras, como as do crédito pessoal, que têm taxa média de 5,23% ao mês.

Em um cenário em que a população já está bastante endividada, isso afetaria diretamente o consumo e poderia até forçar os idosos a se desfazerem de patrimônio para sanar dívidas. Levantamento mais recente da Serasa, com dados de janeiro de 2023, mostra que a inadimplência atinge 70 milhões de brasileiros, que estão com o nome restrito, sendo que 18% deles têm acima de 60 anos.

Embora avalie que a redução de juros é necessária, Fabio Bentes, economista sênior da CNC, critica a forma abrupta como foi feita. Segundo ele, muitas famílias usam o recurso para fechar as contas do mês. Em sua opinião, qualquer mudança no teto deve ser feita aos poucos, para evitar reação negativa dos bancos:

“No atual cenário de inflação alta, será mais uma pedra no sapato do comércio. O crédito seria uma válvula de escape, não para bombar a economia, mas para evitar uma recessão”

Valor Econômico afirma que o crescimento do crédito bancário para o varejo mantinha expansão acima dos dois dígitos antes do caso da Americanas, embora viesse perdendo força desde a forte ampliação dos empréstimos realizada durante a pandemia. De acordo com números do Banco Central (BC) levantados pelo Valor, o estoque do crédito bancário para o varejo estava em R$ 228,3 bilhões em janeiro deste ano, com crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período de 2022.

No caso do varejo de bens não duráveis, o saldo estava em R$ 191,7 bilhões, com um crescimento de 13,1%. Mas, no caso do varejo de bens duráveis, o estoque de crédito apresentava queda de 0,8%, para R$ 36,5 bilhões.

Para Carlos Thadeu de Freitas, assessor da área de economia da CNC e ex-diretor do BC, ainda é cedo para afirmar que há uma crise de crédito. Mas as empresas menores do setor podem enfrentar dificuldade de caixa. “Tem caixa para as empresas que estão vendendo, mas para os pequenos, não”, diz.

Segundo ele, “os bancos estão líquidos porque fizeram muitas provisões”, mas seguem com medo de retomar o ritmo das concessões de crédito. Freitas também enxerga alguns problemas para o varejo no mercado de capitais, fora do crédito bancário tradicional. Ele cita como exemplos a queda nas emissões de debêntures e “os rendimentos que algumas empresas estão pagando pelas captações”. Mesmo assim, diz que o período “é somente uma fase” e que a situação tende a melhorar quando o BC cortar a taxa básica de juros.

Desoneração
Folha de S.Paulo 
(19/03) informou que deputados e senadores defendem que a discussão sobre desoneração ampla da folha de pagamentos e a atualização do teto do Simples Nacional ocorra simultaneamente à análise da reforma tributária no Congresso.

A reportagem pontuou que, segundo os planos do Ministério da Fazenda, esse debate ocorreria apenas em um segundo momento, depois que fossem aprovadas as mudanças na tributação sobre o consumo.

Conforme Folha, o tema foi levado por representantes da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo ao ministro Fernando Haddad em reunião na quarta-feira (15). O grupo avalia que o governo deveria aproveitar capital político do primeiro ano de governo.

Arcabouço fiscal
Hoje, Folha de S.Paulo informa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que amplie as conversas com o mundo político e com economistas, além de fazer novos cálculos sobre a proposta da nova regra fiscal.

A reportagem adiciona que, conforme integrantes do governo, Lula recomendou que o Tesouro Nacional faça cálculos sobre o impacto de um dos pontos da proposta, além de pedir detalhamentos adicionais e simulações.

O mandatário também solicitou a Haddad que converse com mais economistas e ouça os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Folha de S.Paulo (18/03) relatou que o governo deve realizar hoje nova reunião para debater a proposta de regra fiscal, cujos detalhes foram apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem.

O jornal detalhou que o tema deve ser discutido no âmbito da Junta de Execução Orçamentária, formada pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweek (Gestão e Inovação em Serviços Públicos).

Conforme Folha, a reunião foi convocada para validar o primeiro relatório de avaliação do Orçamento da gestão Lula, que precisa ser entregue na terça-feira (22).

Juros
Manchete no Valor Econômico adianta que as projeções da maioria dos economistas do mercado indicam que tudo deve continuar como está tanto na reunião desta semana do Copom do Banco Central quanto nas seguintes. Para 112 instituições consultadas, a Selic será mantida inalterada nos atuais 13,75% pela quinta vez – apenas uma acredita em corte de juro nesta reunião. E a mediana das projeções aponta uma Selic de 12,5% em dezembro.

Desemprego
O Estado de S. Paulo 
(18/03) reportou alta na taxa de desemprego, de 7,9%, no trimestre encerrado em dezembro de 2022, para 8,4% no trimestre até janeiro deste ano, após dez recuos consecutivos.

Os dados da Pnad Contínua, do IBGE, indicam que o resultado teria sido maior não fosse a migração de trabalhadores que perderam o emprego para a inatividade.

Segundo a pesquisa, o país registrou fechamento de 1,025 milhão de vagas no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro de 2022.

O Estado de S. Paulo acrescentou que, segundo a Pnad Contínua, sete das dez atividades econômicas pesquisadas enxugaram o número de trabalhadores em um trimestre.

Para Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do órgão, “é cedo para traçar um cenário excessivo de desaceleração do mercado de trabalho”. Ela lembra que pode ser um movimento sazonal de dispensa de contratos temporários.

Mercosul
Correio Braziliense 
(18/03) relatou que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participou de nova reunião para tentar destravar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

O ministro participou de conversa bilateral com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Após o encontro, Alckmin e Margrethe anunciaram que a Europa será o próximo destino internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua viagem à China e que a presidente da UE, Ursula von der Leyen, deve visitar o Brasil em breve.

Hoje, Valor Econômico relata esforço de negociadores da União Europeia e Mercosul para se chegar a uma decisão sobre o acordo UE-Mercosul em julho, na cúpula da UE e dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Conforme o embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, mudança de governo e discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “fez com que a UE pensasse que poderíamos ter uma situação diferente para o acordo”.

Crise bancária
Manchetes de O Estado de S. Paulo e O Globo destacam que o grupo UBS anunciou a compra do Credit Suisse por 3 bilhões de francos suíços (US$ 3,25 bilhões), resultando em um banco com US$ 5 trilhões em ativos.

Temendo que a crise e uma eventual quebra do Credit Suisse impactasse a economia local e global, o governo da Suíça mediou o acordo, que foi fechado às pressas. O país precisou mudar regras locais para autorizar o negócio.

Consignado do turismo
Coluna Capital (O Globo, 18/03) contou que a CVC Corp está em conversas com bancos públicos e privados para que o crédito com desconto em folha de pagamentos possa ser usado para financiar a compra de viagens. Em linha com a intenção do governo de democratizar o acesso ao transporte aéreo com a polêmica proposta de passagens a R$ 200 , a CVC está propondo aos bancos transformar a sua rede de 1.100 lojas físicas em correspondentes bancários. Ao se habilitar como correspondente bancário, os agentes de viagem da CVC podem consultar o limite disponível para o cliente dentro das regras do consignado de cada instituição. Com o limite disponível, o crédito é aprovado na hora, e o cliente então pagaria o pacote para a CVC.

Delivery
Coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 18/03) relatou que a 99 decidiu encerrar as operações do seu aplicativo de delivery de comida, o 99Food, a partir do dia 17 de abril. No mês passado, a empresa já tinha cortado a oferta do serviço com entregadores parceiros do app, mas continuou funcionando por meio da entrega sob responsabilidade dos restaurantes.

Em nota, a companhia afirma que os entregadores vão poder manter o trabalho por meio de outras plataformas, como a 99Moto e o 99Entrega nos locais onde estes serviços estão disponíveis.

O setor de restaurantes diz que a notícia foi recebida com preocupação. “É mais um sinal de que o ambiente competitivo estava muito hostil. Esperamos que as medidas do Cade restringindo a exclusividade do iFood possam interromper a saída de outros”, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (associação de bares e restaurantes).

Há pouco mais de um ano, o mercado de delivery de comida teve outra baixa de peso quando a Uber anunciou o fim de seus serviços de entrega de refeições de restaurantes pelo Uber Eats no Brasil. A marca era a segunda colocada no mercado, atrás do iFood e na frente da Rappi.

Emendas
Manchete em O Estado de S. Paulo (18/03) assinalou que emendas parlamentares serão blindadas do controle de gastos que vai ser proposto na nova âncora fiscal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará antes de viajar para a China, no fim do mês.

Dessa forma, segundo a reportagem, o arcabouço fiscal não vai segurar o crescimento das emendas, que ficarão vinculadas à arrecadação do governo e poderão ter variações maiores do que as de outras despesas.

Lei das Estatais
O Globo 
(18/03) noticiou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, devolveu ao plenário ação que contesta as restrições a políticos no comando de empresas públicas impostas pela Lei das Estatais.

Segundo a reportagem, a movimentação foi uma resposta ao ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo, que concedeu liminar liberando os cargos. A decisão de Mendonça libera o julgamento para ser retomado pelos 11 integrantes da Corte.

O diário carioca lembra que o relator “transformou” seu voto em uma decisão liminar e atropelou o colega de Supremo, num gesto incomum que provocou estranhamento entre os ministros.

Conselho político
De acordo com o Valor Econômico, aliados vêm recomendando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos bastidores, a recriação de um conselho político para orientá-lo nas crises, em decisões sensíveis e traçar linhas de ação, que funcionou nos mandatos anteriores. Porém, a publicação afirma que Lula continua resistente à proposta. O modelo mais citado como referência remonta ao primeiro mandato.

Pesquisa
O Globo 
mostra que 57% dos brasileiros gostariam de uma alternativa a Lula e Jair Bolsonaro, que dominaram o cenário eleitoral em 2022, segundo pesquisa Ipec divulgada ontem. Ainda de acordo com o levantamento, presidente supera adversário na percepção de que representa o povo e defende as classes mais pobres.

O dólar comercial fechou sexta-feira em alta de 0,58%, cotado a R$ 5,27. Euro subiu 1,02%, chegando a R$ 5,61. A Bovespa operou com 101.981, queda de 1,4%. Risco Brasil em 271 pontos. Ontem, Dow Jones caiu 1,19% e Nasdaq teve queda de 0,74%.

Valor Econômico
Economistas ainda veem Selic parada até setembro

O Estado de S. Paulo
UBS compra Credit Suisse, em ‘resgate de emergência’

Folha de S.Paulo
Autoridades de SP têm mais PMs do que 630 cidades

O Globo
UBS compra Credit Suisse e esfria crise bancária

Correio Braziliense
Governo prepara regras para taxar apostas on-line

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