Monitor – 15 de março de 2023

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
15/03/23 | nº 861 | ANO V |  www.cnc.org.br
Valor Econômico e O Globo trazem cobertura do seminário “E agora, Brasil?”, promovido pelos jornais e patrocinado pelo Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações. A primeira edição de 2023 da série de debates teve como convidado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele afirmou que a reforma tributária – apontada como prioridade do governo Lula – pode gerar um “choque” positivo na economia brasileira capaz de elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em até 20% em 15 anos.

Na conversa de quase uma hora e meia, Haddad afirmou que há condições políticas agora para avançar no Congresso. Ele previu para junho ou julho a votação na Câmara e até outubro no Senado e destacou o bom relacionamento com os presidentes das duas Casas, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) desde a transição.

A ideia é focar nos impostos sobre o consumo nessa primeira etapa da reforma, unificando os tributos federais PIS, Cofins e IPI, o estadual ICMS e o municipal ISS em um único imposto sobre valor agregado (IVA). A proposta de emenda constitucional (PEC), que deverá sair de fusão de duas propostas já em tramitação, precisa de três quintos dos votos dos parlamentares. Após regulamentação, entraria em vigor a partir de 2025.

Para José Roberto Tadros, presidente da CNC, a reforma precisa considerar especificidades. “A reforma tributária é necessária. Mas, para ser efetiva, precisa ter como premissas a simplificação, a não cumulatividade e a diferenciação das alíquotas setoriais e regionais. Não há como pensar em uma reforma sem considerar as especificidades, por exemplo, do setor de serviços, que é um grande gerador de empregos, mas gera menos créditos tributários em sua cadeia produtiva do que outros segmentos, pois seu principal insumo é justamente a mão de obra”, disse.

Jornais acrescentam que, para aprovar a reforma tributária, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, começa a enfrentar um dos desafios que há décadas dificulta o avanço das propostas: as pressões setoriais e regionais relacionadas a interesses distintos que podem ser afetados pelas mudanças. Para o ministro, prazos longos de transição e o impacto positivo que a reforma terá sobre a economia como um todo mais que compensarão possíveis perdas.

Serviços e agronegócio estão entre os setores mais preocupados com o impacto da reforma. Estudo da CNC aponta que a criação de um imposto sobre valor agregado (IVA) com alíquota entre 12% e 25%, como se discute no Congresso, pode levar a um aumento médio de 84% na carga tributária de 30 segmentos do setor de serviços, podendo superar 188% no de seleção, agenciamento e locação de mão de obra, por exemplo.

A Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) têm defendido junto a parlamentares e ao governo um tratamento diferenciado ao setor, para evitar elevação de carga tributária. O setor é contra a retirada de isenções tributárias da cesta básica e a criação de um mecanismo de cashback proposto pelo governo para devolver parte dos impostos às famílias mais pobres e demanda a manutenção do crédito presumido como forma de apuração tributária, principalmente para pequenos produtores.

Para Haddad, as preocupações dos setores não levam em consideração que os serviços ampliarão o acesso a créditos tributários. Sem citar setores específicos, ele afirmou no evento que a reforma “vai eliminar” desonerações “completamente arbitrárias” e “que foram feitas com base no capitalismo de compadrio”.

A coluna da jornalista Lu Aiko Otta, no Valor Econômico,  acrescenta que o ministro da Fazenda concordou com a avaliação da CNC que o prazo de transição entre as regras atuais e as que resultarem da aprovação da reforma tributária, de cinco a dez anos conforme a PEC, está muito longo. Informou que sua equipe está avaliando esse ponto.

A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) relata que, em evento promovido pela CNC, em Brasília, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo Lula vai conseguir baixar os juros definidos pelo Banco Central. Alckmin também sinalizou que o governo pretende, em um segundo momento, tomar as medidas para desonerar a folha de pagamento. E também falou sobre reforma tributária.

“A reforma tributária é pauta prioritária de todos os estados e do DF. E nós da CNC representamos o setor que mais gera emprego, enquanto outros estão ceifando vagas de trabalho, substituídas pela tecnologia; ressaltou o presidente da entidade, José Roberto Tadros.Ele entregou a Alckmin o documento Propostas e recomendações do Sistema Comércio para o desenvolvimento do País.

Arcabouço fiscal
Manchete em O Globo expõe que a equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem trabalhado para que a nova regra fiscal indique que o rombo nas contas federais vai zerar no próximo ano.O arcabouço fiscal está pronto para ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo da equipe é demonstrar um compromisso de responsabilidade fiscal e de redução sustentada do déficit.

Reforma tributária
O Estado de S.Paulo 
relata que o coordenador do grupo de trabalho da reforma tributária na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), defendeu ontem que a proposta inclua uma espécie de “cashback” nos setores de saúde e educação, com devolução de impostos para pessoas de baixa renda. O parlamentar também já defendeu o “cashback” para compensar a oneração da cesta básica, mas essa medida enfrenta a oposição do agronegócio.

“Na mesma alíquota, nas áreas de saúde e educação, podemos ter diversos tratamentos. Ter uma alíquota geral para os setores de saúde e educação, mas também um tratamento diferenciado para os mais pobres através da devolução do imposto pago. Uma espécie de cashback”, disse Lopes, durante uma reunião-almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

Apoio
Valor Econômico 
noticia que, segundo relato do presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apoiará a reforma tributária em discussão no Congresso, que visa uniformizar os impostos sobre consumo num Imposto sobre Valor Adicionado (IVA).

O encontro ocorreu na segunda-feira (13), na sede do governo paulista, com o parlamentar e o relator da reforma na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e foi visto como positivo pelos deputados.

Redução dos juros
O Globo 
situa que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ontem o desenho do novo arcabouço fiscal ao vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento e Indústria.

Segundo Haddad, a reação de Alckmin foi “muito boa”. O vice-presidente, em evento da Confederação Nacional do Comércio, citou expectativa pela redução da taxa de juros após o encaminhamento da nova ancoragem fiscal ao Congresso.

Desenrola
Valor Econômico 
afirma que é contraditório montar um programa de renegociação de dívida e adotar uma medida que pode gerar racionamento de crédito. Essa é a avaliação de pessoas envolvidas no desenvolvimento da plataforma Desenrola sobre o novo teto de juros do empréstimo consignado.

A leitura é que, se falta competição em alguns produtos no mercado de crédito, o consignado não é um deles. A medida tomada na segunda-feira pelo Conselho Nacional da Previdência Social, de reduzir o juro de 2,14% para 1,7% ao ano, reduzirá a capilaridade do sistema e empurrará o devedor para modalidades mais caras e informais de crédito.

Jogo online
O Estado de S. Paulo 
informa que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ontem que o governo deve publicar uma medida provisória (MP) após a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China para tributar o setor de jogos e apostas online. Segundo ele, as empresas do setor pagarão uma contribuição, mas a alíquota ainda não está definida diante da escassez de informações sobre o faturamento das companhias.

Haddad tem reunião nesta terça-feira com executivos das empresas que atuam no ramo, além de administradores de loterias. As estimativas sobre o potencial de arrecadação da medida variam entre R$ 2 bilhões e R$ 6 bilhões por ano.

Produtividade
Manchete no Valor Econômico repercute que a produtividade do trabalho no Brasil encerrou 2022 em queda mais uma vez, apesar do avanço da formalidade no mercado de trabalho, segundo o Observatório da Produtividade Regis Bonelli do FGV Ibre.

Segundo a reportagem, comportamento reforça percepção de que os ganhos de produtividade na pandemia foram particulares e passageiros. Valor pontua que as perspectivas para 2023 não são mais animadoras, com possibilidade de outra contração.

Serviços
Valor Econômico 
afirma que a atividade econômica já recuperou grande parte do ritmo pré-pandemia, mas a nova realidade do trabalho híbrido continua a afetar segmentos específicos, como bares e restaurantes, transportes, além de serviços de limpeza e segurança. A tendência, segundo economistas e empresários dessas áreas, é que nem volte a ser o que era antes da covid-19.Hoje, há 400 mil pessoas a menos trabalhando em bares e restaurantes no país. Em regiões onde é maior a concentração de escritórios, como Vila Olímpia e avenida Paulista, em São Paulo, e no centro do Rio de Janeiro, o faturamento dos estabelecimentos, na média, é de 8% a 10% menor do que em 2019.

Com menos pessoas indo aos escritórios todos os dias, trabalhadores e empresas terceirizadas de limpeza e segurança foram impactados. Na capital paulista, o número de usuários do sistema de ônibus nos dias úteis é 21% menor que em 2019.

Dia do Consumidor
Folha de S.Paulo 
conta que a Amazon vai ofertar mais de 90 mil itens com desconto de até 70% nesta Semana do Consumidor, entre 13 e 20 de março. Estarão em promoção dispositivos Amazon, como Kindle e Alexa, celulares e acessórios, computadores, vídeo games, eletrônicos em geral, livros, e artigos de cuidados pessoais e da casa.

A Semana do Consumidor começou como uma homenagem ao aniversário do CDC (Código de Defesa do Consumidor), que completa 32 anos no sábado (11). Hoje, repercute mais pelas oportunidades de comprar barato. O Dia do Consumidor é comemorado nesta quarta (15) em todo o mundo.

Orçamento secreto 
Em O Estado de S. Paulo, manchete traz que o governo adotou um modelo de repasses federais que preserva práticas do orçamento secreto, mantendo em segredo o nome dos parlamentares que definirão o destino dos recursos públicos geridos pelos ministérios.Ministros
Correio Brazilinese, O Globo 
e demais impressos informam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou ontem os 37 ministros ao proibir que eles façam anúncios de medidas em estudo nas pastas sem aval prévio da Casa Civil ou do próprio chefe do Executivo. Lula disse que a “genialidade” de alguns ministros precisa passar pelo crivo das áreas responsáveis pela análise de medidas do governo.

Abin
O Globo 
ressalta que o governo federal e integrantes do Congresso e do Tribunal de Contas da União (TCU) lançaram ontem uma ofensiva para apurar a utilização de um programa de espionagem pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações devem mirar na identificação de quem foram os alvos do monitoramento, feito à margem da lei, além dos agentes públicos responsáveis pela atividade.

Joias
Principais impressos ainda registram que o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque disse ontem, em depoimento à Polícia Federal, que desconhecia o conteúdo dos pacotes recebidos durante viagem à Arábia Saudita e que estes seriam destinados à União. A versão contraria declarações do próprio almirante dadas no dia da apreensão do estojo de joias.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,22%, cotado a R$ 5,25. Euro caiu 0,12%, chegando a R$ 5,64. A Bovespa operou com 102.932, queda de 0,18%. Risco Brasil em 262 pontos. Ontem, Dow Jones subiu 1,06% e Nasdaq teve alta de 2,14%.

Valor Econômico
Produtividade cai em 2022 e cenário para 2023 é negativo

O Estado de S. Paulo
Governo Lula mantém repasses federais sem transparência

Folha de S.Paulo
Brasil desperdiçou 39 milhões de doses de vacina da Covid

O Globo
Governo projeta zerar déficit público em 2024

Correio Braziliense
Lula enquadra ministros: veto a anúncios prematuros

Leia também

Rolar para cima