Monitor – 15 de agosto de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo15/08/23 | nº 967 | ANO V |  www.cnc.org.br
A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) registra que o setor terciário, do qual o segmento de turismo faz parte, tem sido o principal responsável pelo avanço econômico no país desde o pós-pandemia, com volume de receitas 12,1% acima do registrado em fevereiro de 2020, enquanto o comércio registra alta de 3% e a indústria ainda está 1,4% abaixo daquele período. E a CNC revisou a projeção de crescimento do turismo para 2023. A expectativa de aumento subiu de 8,1% para 8,6%. O presidente da Confederação, José Roberto Tadros, entregou ao ministro do Turismo, Celso Sabino, o documento com a boa notícia.Nota acrescenta que o crescimento do setor poderia ser maior ainda se houvesse menos frequência nos reajustes das passagens aéreas. Houve alta de 10,96% no preço médio dos bilhetes em junho. Ainda assim, a demanda por transporte aéreo se aproxima dos níveis de 2019.
PolêmicaO Globo destaca declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista divulgada ontem, de que a Câmara dos Deputados “está com um poder muito grande”. A fala criou ruído na relação com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A reportagem detalha reação política e alerta na Fazenda sobre a possibilidade de o mal-estar criado pela declaração atrapalhar o andamento da pauta econômica. O ruído pode prejudicar o andamento do arcabouço fiscal e da reforma tributária. “Longe de mim querer criticar a atual legislatura. Era uma reflexão justamente para que agente estabelecesse regras mais estáveis e duráveis, pensando no futuro da relação entre Executivo, Senado e Câmara Federal”, justificou Haddad. Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo também abordam o assunto. PoderesFolha de S.Paulo noticia que o presidente da Câmara, Arthur Lira, sem citar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, usou as redes sociais para dizer que “manifestações enviesadas e descontextualizadas” não contribuem para o “processo de diálogo” e para a “construção de pontes” entre os Poderes. Lira, logo após conhecer declarações de Haddad, cancelou reunião com o relator do arcabouço fiscal, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), líderes partidários e técnicos da equipe econômica para discutir as mudanças feitas no texto durante sua tramitação no Senado. Segundo Lira,  a “formação de maioria política” é uma missão do governo, e não do presidente da Câmara, mas que, mesmo assim, tem se empenhado nesse sentido.OffshoreFolha de S.Paulo ressalta que conversa tensa sobre a proposta de taxar empresas ou fundos offshore precedeu a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que a Câmara tem um “poder muito grande”. Haddad e o presidente da Câmara, Arthur Lira, conversaram na sexta-feira (11) para tratar da votação da medida, considerada crucial para dar maior isonomia tributária e reforçar as receitas do Tesouro em 2024. No diálogo, Lira deixou claro, em tom incisivo, que resiste ao avanço da medida. Relatos apontam que resistências na Câmara à proposta geraram incômodo e irritação na equipe econômica.ConsultasO Estado de S. Paulo informa que o presidente da Câmara, Arthur Lira, começou a medir a temperatura em relação à aceitação e eficácia das medidas que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quer aprovar para aumentar a arrecadação em 2024. Entre elas está a taxação de fundos de super-ricos e de investimentos feitos por brasileiros no exterior, chamados de offshore. Segundo o jornal, Lira tem consultado lideranças e representantes do setor privado para avaliar a efetividade. Há temor de que a mudança na tributação dos fundos leve a uma fuga de investimentos para outros países, como o Uruguai, e se traduza em pouco ou nenhum efeito arrecadatório, pois investidores buscariam outros instrumentos para escapar da tributação mais alta.InflaçãoFolha de S.Paulo aborda que o risco de estouro da meta de inflação vem recuando desde o início do ano, quando era dado como quase certo que o IPCA (índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficaria acima do limite a ser perseguido pelo Banco Central em 2023 pela terceira vez consecutiva. A melhora da percepção do cenário à frente tem levado as projeções do BC, do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do mercado financeiro convergir em direção ao teto do alvo deste ano, de 4,75%.DesinflaçãoFolha de S.Paulo repercute declaração da diretora de assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos do Banco Central (BC), Fernanda Guardado, de que o processo de desinflação tem ocorrido de maneira lenta e que uma convergência para a meta deve demorar mais dois anos. Ela disse ontem que a perda de ímpeto da pressão inflacionária reflete o trabalho iniciado pelo BC em 2021, que levou a taxa básica de juros da mínima histórica de 2% ao ano para 13,75%.Inadimplência O Globo registra que, impactada pelo Desenrola, a inadimplência caiu pelo segundo mês consecutivo no Brasil em julho, em um movimento que ocorre pela primeira vez desde junho de 2021, segundo dados do Mapa da Inadimplência, da Serasa. O valor médio das dívidas por pessoa foi de R$ 4.923,97. Os dados mostram que, no mês passado, havia 71,41 milhões de inadimplentes no país, contra os 71,45 milhões de junho. O levantamento também revelou que a quantidade de dívidas com bancos e cartões de crédito caiu de forma expressiva – lembrando que o segmento tradicionalmente é recordista no número de inadimplentes. No mês retrasado, essa categoria representava 31,13% das dívidas dos brasileiros, percentual que caiu para 29,50% no mês passado. A redução de 1,63 ponto percentual é a maior já registrada pela Serasa de um mês para outro.IBC-BrO Globo, O Estado de S. Paulo e demais impressos relatam que o índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, registrou alta de 0,63% no mês de junho, em linha com as projeções do mercado financeiro, que eram de 0,6%. Com isso, o segundo trimestre encerrou com crescimento de 0,43%, frente aos três primeiros meses do ano, já considerando o ajuste sazonal, feito para comparar dois períodos diferentes.Rotativo Folha de S.Paulo e Valor Econômico contam que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse ontem que o fim do parcelamento sem juros não é uma saída para acabar com as altas taxas de juros do rotativo. “Não podemos perder de vista o varejo. Porque as compras são feitas assim no Brasil, então não pode mexer nisso”, disse. Segundo o ministro, os juros do rotativo do cartão de crédito são um grande problema, mas outras soluções devem ser estudadas.“Tem que proteger quem está caindo no rotativo, claro, tem que fazer alguma coisa por essa pessoa”, afirmou. “Mas o sistema padrão de compra brasileiro hoje é esse [parcelamento]”. A fala do ministro da Fazenda vem depois de uma declaração de Campos Neto, que defendeu taxar o parcelamento sem juros de compras com cartão de crédito, para desestimular esse formato de compra.Mercado financeiro Principais jornais relatam que a Bolsa registrou sua décima queda consecutiva ontem e marcou a maior série de perdas desde 1984, puxada por forte recuo de ações da Vale, que foram afetadas por preocupações com o setor imobiliário da China após uma grande incorporadora do país ter solicitado atraso no pagamento de dívidas. Com isso, o Ibovespa teve baixa de 1,06% e fechou aos 116.809 pontos.O temor global sobre a economia chinesa também fez o dólar disparar no Brasil e no exterior. A moeda americana terminou o dia cotada a R$ 4,965, em alta de 1,20%. No Brasil, investidores também repercutiram a divulgação do IBC-Br, índice de atividade econômica do BC, que teve alta de 0,63% em junho em relação ao mês anterior. O número representa uma forte desaceleração em relação ao ritmo visto no início do ano.Argentina Imprensa destaca que os títulos argentinos caíram entre 3% e 12% ontem, na abertura dos mercados em Nova York, enquanto o peso teve sua maior desvalorização oficial em um dia desde 2019 e o BC aumentou a taxa de juros, após a surpreendente vitória do libertário Javier Milei nas primárias de domingo. Após as medidas de ontem, o FMI reafirmou seu apoio à Argentina. O Conselho do Fundo se reunirá no dia 23 para liberar os desembolsos acertados com o governo segundo o programa de financiamento. Nas primárias de domingo, os argentinos escolheram os candidatos presidenciais de cada coalizão. As eleições serão no dia 22 de outubro, com um possível segundo turno em 19 de novembro. A votação de domingo, é também considerada um termômetro do desempenho de cada grupo político por que o voto é obrigatório.
VarejoCom chamada na capa, Valor Econômico afirma que o varejo ainda não conseguiu ter recuperação sólida após a pandemia, mas a lista das redes mais ricas do país cresceu. A expansão ocorreu, principalmente, com as cadeias regionais. Lançado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, o ranking com as 300 maiores varejistas do Brasil em 2022 mostra que, entre as redes com faturamento acima de R$ 1 bilhão, há 17 a mais do que no ano anterior, chegando a 173, recorde para o levantamento.Nesse grupo estão marcas que ganharam força nacional – Usaflex e PetLove, por exemplo – e outras do centro-sul do país, como a catarinense Cassol, de materiais de construção.Mas o destaque são as cadeias de supermercados e hipermercados, que dominam a lista das novas bilionárias.Já a participação das dez maiores varejistas, que lideram o ranking com folga, encolheu no faturamento total. Esse grupo alcançou receita de R$ 400 bilhões em vendas brutas em 2022, equivalentes a 38,25% do total, mas com um recuo de 1,35 ponto percentual na participação frente à edição anterior. De 2019 para cá, portanto antes da crise sanitária, a fatia das dez maiores caiu quase dois pontos percentuais. São negócios que continuaram a crescer, com marcas consolidadas, porém as vendas aumentaram em ritmo menor que outras cadeias.Importações O Estado de S. Paulo relata que o brasileiro nunca comprou tanto em sites estrangeiros como Shein, AliExpress, Wish, Shopee ou Amazon. Levantamento da Receita Federal apontou que a compra via ecommerce de “cross border” (negócios com produtos de diferentes países) cresceu 150% nos últimos cinco anos. São mais de 176 milhões de volumes importados em 2022 entre itens tributáveis e isentos (como cartas e documentos).Isso demanda uma estrutura de logística complexa, incluindo acordos com empresas ligadas ao transporte de cargas para que as encomendas atravessem mais de 16 mil quilômetros entre a China e o Brasil e cheguem, o mais rapidamente possível, aos clientes.Em meio à disputa do frete rápido e para acomodar os produtos vendidos e entregá-los, as empresas do setor têm apostado em galpões gigantescos como centros de distribuição, utilizado serviços de empresas de logística internacional e até ampliado a frota própria de aviões.
BolsonaroFolha de S.Paulo publica que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) culpou trâmites do TCU pela demora em devolver joias que governos estrangeiros deram ao então presidente, mostram documentos. Segundo a Polícia Federal, porém, o motivo era uma operação para reaver itens postos à venda. Ontem a PF apontou o nome de Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro, no recibo de recompra do Rolex dado por sauditas.O Globo acrescenta que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de combate à lavagem de dinheiro, detectou movimentação “atípica” e “incompatível” nas contas do segundo sargento do Exército Luis Marcos dos Reis, que era supervisor da Ajudância de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. O órgão calculou que ele movimentou um total de R$ 3,3 milhões entre 1º de fevereiro de 2022 e 8 de maio de 2023. Reis era subordinado ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-chefe da Ajudância de Ordens de Bolsonaro.
O dólar comercial fechou ontem em alta de 1,25% cotado a R$ 4,96. Euro subiu 0,87%, chegando a R$ 5,41. A Bovespa operou com 116.809, queda de 1,06%. Risco Brasil em 208 pontos. Dow Jones subiu 0,07% e Nasdaq teve alta de 1,05%.

Valor EconômicoMercado argentino sofre turbulência depois da vitória de Milei nas primáriasO Estado de S. PauloNa Argentina, peso cai e BC sobe juros após radical vencer préviaFolha de S.PauloUltraliberal Javier Milei lidera, e direita domina primárias na ArgentinaO GloboDólar e juros disparam na Argentina após vitória de MileiCorreio BrazilienseUm grito de revolta contra o feminicídio

 

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