Inflação
No sábado, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo destacaram em manchete a alta do IPCA. Em março, o índice atingiu 1,62%, o maior registrado para o mês desde 1994, antes do lançamento do Plano Real.
No acumulado de 12 meses, a taxa chegou a 11,3%. O número, impulsionado pelo preço dos combustíveis e dos alimentos, supera a previsão de analistas, que revisam suas projeções para cima, perto dos 8% em 2022.
No mercado, ainda há a expectativa de que a inflação perca o fôlego ao longo do ano, voltando a um dígito até dezembro. No entanto, o Banco Central segue pressionado, e deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, para conter a carestia.
Consumo
O Estado de S. Paulo traz que, de acordo com o Monitor do PIB, da FGV, famílias brasileiras, impactadas pela inflação, salários mais baixos e desemprego, reduziram o consumo de bens, que está em patamar inferior ao que era registrado no pré-pandemia.
Segundo Cláudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, “as pessoas estão reduzindo suas compras de bens não duráveis, semiduráveis e até de bens duráveis”.
O consumo de bens semiduráveis em janeiro ficou 12,14% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. O consumo de duráveis está 10,28% abaixo do pré-covid. Já entre os não-duráveis, está 3,04% abaixo do pré-pandemia.
IR
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo relataram em 09/04 que o governo pretende reajustar a tabela do IRPF e ampliar a faixa de isenção ainda em 2022, ano eleitoral. Já a ideia de um corte adicional nas alíquotas do IPI foi abandonada pelo governo, segundo um integrante da equipe econômica. A faixa de isenção do IRPF, hoje em R$ 1,9 mil, deve aumentar, mas o valor não está definido.
Em projeto que passou na Câmara e está parado no Senado, a elevação da prevista é para R$ 2,5 mil. Mas no projeto o governo teria receitas extras com a volta da taxação de lucros e dividendos de acionistas de empresas. Para decidir sobre a correção da tabela do IRPF, os técnicos estão estimando a sobra de espaço na meta fiscal para o governo abrir mão de mais receitas. A LDO de 2022 autoriza um rombo de até R$ 170,5 bilhões.
FGTS
Principais jornais informaram no sábado que a consulta ao saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS começou na sexta-feira marcada por problemas nos sistemas da Caixa. Usuários reclamaram de não conseguir acessar o site ou o aplicativo, e alguns se queixam de terem encontrado o saldo da conta zerado.
Ampliação de gastos
Folha de S.Paulo (10/04) disse que a equipe econômica está preocupada com o avanço de propostas que ameaçam a sustentabilidade das finanças não só da União, mas principalmente de estados e municípios em ano eleitoral. Levantamento feito pelo Ministério da Economia a pedido da Folha lista projetos cujo risco de aprovação é considerado “grave e muito elevado” pela pasta, dado o custo anual de ao menos R$ 46 bilhões para todos os entes federativos.
São propostas que preveem pisos salariais para profissionais de saúde, inclusive aqueles que atuam no setor público, ou que resgatam penduricalhos como o chamado quinquênio —um adicional no salário a cada cinco anos de serviço.
Combustíveis
O Estado de S. Paulo (10/04) contou que, desde o anúncio do reajuste nos combustíveis pela Petrobras, em março, vários aumentos foram anunciados. As viagens por aplicativos subiram cerca de 6%; as entregas de encomendas, até 50%; e as passagens aéreas, entre 32% e 62%. Alimentos e produtos industrializados também sentem os efeitos da alta dos combustíveis, por causa do aumento dos fretes. Agora, empresas de transporte público reivindicam aumentos de cerca de 20%.
Entre os meses de março e abril, o gasto dos brasileiros com despesas essenciais, como combustíveis, alimentos e educação, aumentou R$ 16 bilhões. Desse total, R$ 1,25 bilhão veio do reajuste da gasolina e diesel, segundo dados da Tendências Consultoria Integrada. Isso explica o avanço de 1,62% da inflação em março, a maior para o mês em 28 anos.
Petrobras
Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse acreditar que dificilmente a nova direção da estatal, que será eleita na quarta-feira, terá instrumentos para alterar a política de preços da empresa, como vem sendo cobrado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro.
Silva e Luna argumentou que o caminho responsável para mitigar o aumento do combustível seria por meio de ações do Congresso e do governo. Ele acrescentou que a estatal vem sendo exposta a “crises sucessivas”, que impactam os preços dos combustíveis, como a pandemia “que ainda não está concluída”. Ele citou, ainda, a “crise de energia do ano passado, que teve impacto grande no setor elétrico e energético”, e agora a guerra na Ucrânia. |