Monitor – 10 de março de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
10/03/23 | nº 858 | ANO V |  www.cnc.org.br
Manchete de O Estado de S. Paulo destaca que, em cenário de juros altos e renda das famílias corroída pela inflação, o total de inadimplentes com bancos, empresas de cartão de crédito, financeiras, lojas e serviços de utilidades pública, como água e luz, chegou em janeiro deste ano a 70,1 milhões de pessoas. As dívidas em atraso somavam R$ 323,3 bilhões. Os dois números são recordes da série iniciada em março de 2016 pela Serasa. O crescimento da inadimplência tem levado os bancos a adotar critérios mais rígidos na concessão de empréstimos e as famílias a recorrer mais ao cheque especial e ao cartão de crédito, que cobram juros mais altos.

Em 12 meses até janeiro, por exemplo, a concessão de crédito dessas duas modalidades registrou alta de 22% e 47,5%, respectivamente, de acordo com dados do Banco Central (BC). Também foram as linhas de cheque especial e cartão de crédito que registraram os maiores índices de inadimplência. Em janeiro, o atraso apurado há pelo menos 90 dias respondia por 13,6% do saldo a receber, no cheque especial, e 8,6% no do cartão de crédito parcelado, aponta o BC.

É uma marca bem superior à inadimplência média das pessoas físicas com recursos livres, que atingiu 6,1% no mesmo período, observa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Ele destaca que essa taxa média de inadimplência da pessoa física com o sistema financeiro é a maior em seis anos e meio. “Só a recessão de 2015/16 produziu um cenário tão negativo quanto esse que temos hoje”, afirma o economista.

Selic
O Estado de S. Paulo  e O Globo
 afirmam que a expectativa de queda da Selic mais cedo do que o esperado já figura nos cenários de alguns economistas. Essa possibilidade decorre do risco de piora do mercado de crédito com a crise da Americanas, em meio à desaceleração já contratada para a atividade econômica. Segundo analistas, a ameaça ao crédito poderia ser o aceno “técnico” do BC, e não político, ao governo de que o corte de juros não está tão distante. A possibilidade não é majoritária pela incerteza em torno da âncora fiscal, ainda mais em meio à chance de mudança das metas de inflação e à desancoragem das expectativas.

Nos últimos dias, o Banco Alfa e o Banco Fibra anteciparam as expectativas de início do ciclo de cortes, citando o risco de piora do mercado de crédito. Saindo de um cenário de juros estáveis em 13,75% até dezembro, o Fibra diminuiu a sua projeção de Selic no fim de 2023 para 12,5%, incorporando à estimativa cinco cortes de 0,25 ponto porcentual a partir de junho.

Âncora fiscal
Principais jornais reportam que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse ontem que a nova âncora fiscal, que substituirá o atual teto de gastos, vai agradar a todos, inclusive ao mercado. Tebet participou de uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na qual foi apresentado o novo mecanismo fiscal. A ministra afirmou que a moldura, as regras e os números sobre o novo arcabouço serão anunciados por Haddad, após serem apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Empregos
O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Correio Braziliense 
repercutem dados do Ministério do Trabalho, divulgados ontem, que apontam a criação de 83.297 vagas com carteira assinada no Brasil em janeiro. O resultado ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (167.269 vagas).

De acordo com os números da pasta, o resultado em janeiro foi puxado pelo desempenho do setor de serviços, com a criação de 40.686 postos formais, seguido pela construção, que abriu 38.965 vagas. Na indústria em geral, houve abertura de 34.023 vagas em janeiro.

Igualdade salarial
Valor Econômico 
registra que projeto de lei anunciado pelo governo sobre a igualdade salarial por gêneros é visto com ressalvas por especialistas.

De acordo com o veículo, a insuficiência da proposta para aplacar as desigualdades de gênero, a possível criação de distorções no mercado de trabalho e o temor da judicialização são alguma das preocupações apontadas.

Na avaliação de Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, o projeto é um movimento positivo, mas não muda a questão estrutural da desigualdade de gênero.

NBD
Folha de S.Paulo 
relata que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) fez reuniões virtuais com ministros de Finanças dos países dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). As sabatinas com as autoridades estrangeiras fazem parte do processo de nomeação da ex-mandatária para a presidência do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), instituição financeira criada pelo grupo.

Os ministros de Finanças e pastas equivalentes dos Brics —entre eles o brasileiro Fernando Haddad (Fazenda)— fazem parte do Conselho de Governadores do NDB, a mais alta instância decisória do banco e colegiado responsável pela designação do presidente da instituição.

Marketplaces
A manchete do Valor Econômico destaca que  grandes empresas do varejo on-line tornaram mais rígidos os contratos com lojistas que vendem por meio de seus “marketplaces”, menos de dois meses após a eclosão da crise da Americanas. As mudanças envolvem o aumento de exigências e controles, a redução de subsídios ao frete e a elevação das taxas de comissão cobradas sobre as vendas.

Nesse cenário, perde força no setor a expectativa de que se forme um ambiente de competição mais acirrada após os problemas da Americanas. Num ambiente marcado por maiores pressões de custos, as companhias preferiram em grande parte proteger seus ganhos e melhorar a rentabilidade, em vez de promover uma disputa mais dura pelos lojistas. As mudanças nas regras foram implementadas após a segunda metade de janeiro e em fevereiro. Até o fim de março, novas alterações passarão a valer, segundo comunicados das varejistas enviados aos parceiros.

O Mercado Livre, por exemplo, elevou certas tarifas e não vende mais em 12 vezes sem juros (em cartões de crédito de terceiros), além de criar novas cobranças que inexistiam e aumentar as exigências que faz aos lojistas. O Magazine Luiza reajustou, após fevereiro, taxas de comissão e ampliou o prazo para repassar o dinheiro das vendas aos lojistas que recebem “no fluxo” – aqueles que são pagos mês a mês. O subsídio ao frete também foi reduzido.

As empresas negam que o movimento esteja relacionado com a crise na Americanas. O Mercado Livre cita como justificativa a piora no ambiente econômico.

Na Shopee, a quantidade de ajustes na plataforma é menor do que nas outras empresas. Já Amazon, Shein e Aliexpress mantiveram as condições dos contratos com as lojas até o momento, segundo apurou o Valor.

Varejo
Valor Econômico 
informa que, após ensaiar retomada em janeiro, o volume de vendas do comércio no país voltou a cair no começo de 2023, derrubado por menor número de dias úteis no mês do Carnaval. É o que sinaliza segunda edição do Índice de Atividade Econômica Stone Varejo, novo indicador que mensura ritmo de vendas do setor, elaborado pela empresa de meios pagamentos Stone; e pelo Instituto Propague, organização sem fins lucrativos.

No indicador, cujo resultado de fevereiro deste ano foi antecipado ao Valor, as vendas no comércio caíram 7,6% ante igual mês em 2022, com retração de 1,8% ante janeiro. No primeiro mês de 2023, subiram 0,3% em relação a janeiro de 2022 (dado revisado após divulgação inicial de alta de 1%), mesma alta observada ante mês anterior, dezembro de 2022.

Joias
Folha de S.Paulo e O Globo
, com manchetes, destacam que o Tribunal de Contas da União intimou o ex-presidente Jair Bolsonaro a prestar depoimento, por escrito e em 15 dias, sobre o caso das joias presenteadas pela Arábia Saudita que entraram no Brasil sem ser declaradas. O TCU proibiu que Bolsonaro use ou venda as joias que escaparam da fiscalização e estão em seu acervo pessoal. Demais impressos também repercutem.
O dólar comercial fechou ontem em alta de 0,02%, cotado a R$ 5,14. Euro subiu 0,31%, chegando a R$ 5,43. A Bovespa operou com 105.071, queda de 1,38%. Risco Brasil em 259 pontos. Ontem, Dow Jones caiu 1,66% e Nasdaq teve queda de 2,05%.

Valor Econômico
Varejistas endurecem regras para lojista nos marketplaces

O Estado de S. Paulo
Número de inadimplentes é recorde e chega a 70 milhões

Folha de S.Paulo
Ministro do TCU proíbe Bolsonaro de usar ou vender joias

O Globo
TCU intima Bolsonaro a depor e o proíbe de usar ou vender joias

Correio Braziliense
Câmara aprova pensão para órfãos do feminicídio

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