Monitor – 07 de dezembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
07/12/22 | nº 795 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Valor Econômico informa que a inadimplência entre mais pobres disparou, em novembro, e atingiu patamar recorde, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC.

No estudo, a parcela de endividados, que até mês retrasado batia terceiro recorde consecutivo, diminuiu na passagem de outubro para novembro, de 79,2% para 78,9%. Mas a melhora no indicador de endividamento, na pesquisa, não se repetiu nos de inadimplência. Na Peic, a parcela de inadimplentes manteve-se em 30,3% em novembro, mesma fatia de outubro, que já era a maior da série iniciada em 2010 – sendo que, em igual mês no ano passado, era de 26,1%.

“A inadimplência é um grande entrave para consumo das famílias e um dos maiores desafios para crescimento [econômico] em 2023”, resumiu Guilherme Mercês, economista da confederação.

A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) também traz os dados da Peic, ressaltando que 34,1% dos consumidores com até 10 salários de renda mensal atrasaram dívidas, a maior proporção da série histórica, iniciada em 2010.

Em cobertura do seminário “E Agora, Brasil?”, Valor Econômico e O Globo destacaram que o integrante do grupo de economia da transição e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Nelson Barbosa defendeu que um novo arcabouço fiscal tenha como foco o gasto público. Também afirmou que “há consenso” de que a nova regra “não seja constitucionalizada”. O evento foi promovido pelos jornais, com patrocínio do Sistema Comércio, por meio da CNC e suas federações.

PIB
Valor Econômico reverbera projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai crescer 3,1% neste ano e 1,6% no ano que vem. Para a CNI, a alta em 2023 será puxada pelo crescimento do setor de serviços de 2022, que ainda influenciará o ano seguinte.

Poupança
Valor Econômico 
informa que os saques em caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 7,419 bilhões em novembro. É a sexta saída líquida mensal seguida. Em outubro, houve captação negativa em R$ 11,007 bilhões. Em setembro, por sua vez, a modalidade teve retirada líquida de R$ 5,903 bilhões.

No penúltimo mês de 2022, os brasileiros depositaram R$ 304,580 bilhões e sacaram R$ 311,998 bilhões na caderneta. Desde o início deste ano, o investimento acumulou captação negativa em R$ 109,496 bilhões. Em 2021 como um todo, a modalidade registrou saída líquida de R$ 35,469 bilhões.

Combustíveis 1
O Globo, O Estado de S. Paulo 
e demais jornais informam que a Petrobras anunciou na terça-feira nova redução nos preços do diesel e da gasolina — os primeiros cortes desde setembro.

Segundo analistas, as quedas acontecem em um momento em que os preços dos derivados no país estão mais altos do que no exterior, devido às recentes reduções nas cotações do petróleo. No ano, a gasolina nas refinarias da Petrobras acumula queda de 0,32%, enquanto o diesel tem alta de 34,43%.

Combustíveis 2
O Estado de S. Paulo 
relata que o ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e membro do governo de transição na área econômica, Nelson Barbosa defendeu ontem a retomada da tributação dos combustíveis. Para ele, o produto “não deve ser subsidiado indefinidamente”.

“Uma questão para o próximo governo é quando e com qual velocidade voltar para a tributação de PIS e Cofins dos combustível”, disse o ex-ministro. “No Orçamento do ano que vem, o governo atual previu essa continuação, mas eu acho que isso ainda não está transformado em uma lei”, afirmou. O atual governo zerou as alíquotas dos tributos até o fim do ano, decisão vista como eleitoreira por adversários do presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, o momento para o retorno da tributação, disse Barbosa, tem de ser avaliado levando em conta o cenário de inflação e de crescimento de juros. “Se você retoma muito rápido, o que você ganha de receita você perde no juro, porque a inflação sobe muito rápido”, declarou. “É uma típica questão de administração de tempos e movimentos.”

Varejo
Valor Econômico 
informa que, mesmo diante da desaceleração da atividade observada no segundo semestre, o comércio varejista do Estado de São Paulo deve fechar 2022 com o melhor faturamento em 14 anos. A projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é que o setor alcance R$ 1,1 trilhão em vendas no ano, crescimento de 9% na comparação com 2021 e o melhor desde 2008, início da série histórica da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV).

O desempenho deste ano deve ser puxado pelos segmentos de vestuário, tecidos e calçados, cujas vendas até setembro cresceram 22% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em boa parte, essa melhora é uma recuperação do tombo causado pelas restrições à circulação impostas pela pandemia da covid-19: o comércio de roupas teve retração recorde de 31% no ano passado.

Shopee
Valor Econômico e O Globo 
informam que a plataforma on-line asiática Shopee começou a vender, nesta terça-feira (6), produtos de grandes supermercadistas, numa tentativa de ampliar tráfego de clientes e recorrência na compra em sua plataforma no país. O movimento acontece num período em que ações comerciais de concorrentes no digital dão sinais de ter perdido certo fôlego, em comparação com a agressividade vista na categoria de alimentos em 2020 e parte de 2021.

Acordos foram fechados com o GPA (dono da bandeira Pão de Açúcar), Dia e Oba Hortifruti, que integram esse primeiro lote inicial de redes parceiras do grupo. A entrega das mercadorias será feita pela própria plataforma, por meio de seus transportadores logísticos, mas a empresa não detalha prazos ou a sua estratégia de logística e distribuição.

PEC da Transição 
Principais jornais relatam que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia o teto de gastos em R$ 145 bilhões em 2023 e 2024 para pagar o Bolsa Família turbinado a partir do ano que vem. A aprovação é o primeiro passo para o aval do Congresso à licença para o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastar mais. Ela só foi possível depois de um acordo que reduziu o valor da ampliação do teto em R$ 30 bilhões.

O PT também concordou em enviar ao Congresso uma proposta de revisão do arcabouço fiscal, por meio de lei complementar, até agosto de 2023. O impacto anual da PEC é de R$ 168,9 bilhões por ano, pois o texto permite ainda o uso de R$ 23 bilhões em investimentos atrelado à arrecadação de receitas extras. A PEC agora segue para o plenário do Senado.

Ministérios
Manchete na Folha de S.Paulo, remodelagem do primeiro escalão do governo Lula abre debate sobre o futuro de estruturas governamentais, muitas delas concentradas atualmente no Ministério da Economia.

Discussões em andamento incluem ao menos dez áreas, incluindo Agricultura, Desenvolvimento, Cultura, Comunicações, Ambiente e Relações Exteriores.

A Apex poderá ser mantida no Ministério das Relações Exteriores ou ir para o Ministério do Desenvolvimento, dependendo do poder do titular das pastas. O BNDES, por sua vez, poderia ser subordinado ao Planejamento ou ao Desenvolvimento.

Planejamento
Folha de S.Paulo 
também traz que a reforma da estrutura ministerial pode não apenas recriar o Ministério de Planejamento, Gestão e Orçamento como também subdividir a pasta.

Está em análise possibilidade de separar a gestão orçamentária e de pessoal da elaboração de projetos e políticas públicas com visão de longo prazo. O coordenador técnico da equipe de transição, Aloizio Mercadante, confirmou o debate.

A proposta não partiu da área política. É uma sugestão inicialmente defendida por técnicos.

Orçamento secreto
O Estado de S. Paulo 
evidencia que o futuro do orçamento secreto será decidido em julgamento que começa hoje no Supremo Tribunal Federal. Os ministros vão analisar ações que questionam a constitucionalidade do mecanismo. Enquanto isso, líderes do Congresso elaboraram uma minuta de projeto de resolução para tentar convencer a Corte a aceitar a manutenção, sob novas regras.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,27. Euro caiu 0,52%, chegando a R$ 5,51. A Bovespa operou com 110.188, alta de 0,72%. Risco Brasil em 250 pontos. Dow Jones caiu 1,03% e Nasdaq teve queda de 2,00%.

Valor Econômico
CCJ do Senado aprova PEC e amplia o teto em R$ 145 bi

O Estado de S. Paulo
STF julga orçamento secreto; Congresso tenta mudar regras

Folha de S.Paulo
Transição estuda reestruturar ao menos dez pastas

O Globo
PEC avança após impacto fiscal diminuir em R$ 30 bi

Correio Braziliense
Governo eleito projeta reajuste gradual a servidor

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